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Emirados Árabes Unidos suspendem comércio e operações financeiras com o Irão

FILE: Navios de carga no Golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz, vistos de uma costa rochosa perto de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos, 1 de maio de 2026
Navios de carga são vistos ao largo no Golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz, a partir da costa rochosa junto a Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos, 1 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Toby Gregory
Publicado a
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Abu Dhabi anunciou a suspensão após o Irão ter disparado, na terça-feira, dois mísseis balísticos em direção ao país. A decisão corta laços com um parceiro comercial do Irão, numa altura em que o fluxo de crude pelo estreito de Ormuz caiu para menos de um quarto dos níveis pré-guerra.

Os Emirados Árabes Unidos suspenderam todas as trocas comerciais e transações financeiras com o Irão até nova ordem, cortando os laços económicos com o país vizinho após uma nova vaga de mísseis ter visado o seu território.

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“Face à escalada regional ... todas as trocas comerciais e transações financeiras com o Irão foram suspensas até nova ordem”, afirmou Afra Al Hameli, diretora do Departamento de Comunicações Estratégicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Al Hameli afirmou que os Emirados Árabes Unidos continuam firmemente empenhados em salvaguardar a integridade do sistema financeiro internacional, em conformidade com o direito internacional e com os mais elevados padrões globais.

Rejeitou também as alegações sobre o estado da relação económica entre os dois países e reiterou o compromisso dos Emirados com o diálogo, a cooperação e a integração regional.

Mais cedo, na terça‑feira, Abu Dhabi indicara que o Irão tinha disparado dois mísseis balísticos contra o país, esclarecendo mais tarde que a salva tinha sido dirigida à navegação comercial. Ambos caíram no mar, um deles em águas territoriais dos Emirados.

Teerão negou ter visado os Emirados Árabes Unidos. O porta‑voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, “rejeitou categoricamente a alegação dos Emirados Árabes Unidos de que o Irão tinha lançado um míssil em direção a esse país”.

A guerra começou em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que respondeu com lançamentos diários de mísseis e drones contra alvos em países vizinhos.

O que está a ser suspenso?

Os Emirados Árabes Unidos, onde vive uma importante comunidade iraniana, eram um dos principais parceiros comerciais do Irão alvo de sanções, pelo menos antes da guerra.

O anúncio de terça‑feira é a mais recente medida tomada pelos Emirados contra Teerão, depois de o embaixador ter sido chamado de volta no início da guerra e de terem sido encerradas escolas e um hospital ligados ao Irão.

A suspensão abrange operações diretas. Não esclarece se se estende a fundos canalizados através de países terceiros.

Em junho de 2025, a Rede de Combate a Crimes Financeiros do Departamento do Tesouro dos EUA informou os bancos de que redes iranianas criam empresas de fachada em países terceiros, aproveitando frequentemente zonas francas que oferecem condições favoráveis para a criação de sociedades.

Segundo a mesma entidade, intervenientes iranianos recorrem com frequência a empresas de comércio geral registadas em zonas francas comerciais nos Emirados e a empresas de Hong Kong que operam na China através de contas de não residentes, tendo como principais contrapartes comerciais sociedades sediadas em Singapura e Hong Kong.

Algumas horas depois do anúncio, o chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, advertiu os países do Golfo contra qualquer apoio aos Estados Unidos, afirmando, segundo a agência noticiosa Mehr, “que qualquer assistência ou facilitação prestada às forças armadas agressoras dos EUA equivale a participação na operação militar norte‑americana”.

A região do Golfo acolhe uma presença militar norte‑americana regular e por vezes permanente, incluindo nos Emirados Árabes Unidos.

Vários países do Médio Oriente têm afirmado, desde o início da guerra, que não permitirão que os EUA usem o seu território como plataforma de lançamento, mas Abdollahi colocou essas garantias em causa.

“Parece improvável que um número tão elevado de aeronaves militares, em particular aviões de reabastecimento, possa estar presente em bases regionais sem o conhecimento dos países anfitriões”, afirmou, acrescentando que os países do Golfo “devem saber que estamos plenamente conscientes da situação”.

Notícias divulgadas pelos média sugeriram que a Arábia Saudita, os Emirados, o Kuwait e o Bahrain terão atacado alvos no interior do Irão em represália por ataques no Golfo. Os países têm, em grande medida, negado essas notícias.

Pirateria no estreito de Ormuz

Navios‑tanque pertencentes à ADNOC, a companhia petrolífera estatal dos Emirados, têm sido repetidamente visados nas últimas semanas. Em 8 de agosto, o ministério dos Negócios Estrangeiros indicou que um míssil atingira um navio da ADNOC que atravessava o estreito de Ormuz. Em 14 de agosto, afirmou que mais dois navios da empresa tinham sido alvo de ataques enquanto transitavam pelo estreito. Não houve vítimas em nenhum dos ataques.

Em ambos os comunicados, Abu Dhabi qualificou os ataques como uma “violação flagrante” da resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a liberdade de navegação e afirmou que “atacar a navegação comercial e usar o estreito de Ormuz como instrumento de coerção económica ou chantagem constitui atos de pirataria por parte dos Guardas da Revolução iranianos”.

O ministério exigiu que Teerão parasse os ataques, se comprometesse com uma cessação imediata das hostilidades e reabrisse o estreito de forma total e incondicional.

O Irão bloqueou o estreito de Ormuz, por onde passam os navios que saem da maioria dos portos dos Emiratos, e um acordo‑quadro entre os Estados Unidos e o Irão para reabrir o corredor colapsou.

Na segunda‑feira, Jared Kushner, enviado e genro do Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerão estavam a manter “conversações muito positivas e ativas”. Na terça‑feira, Trump desmentiu essas declarações.

“Não estão a decorrer, nem previstas, quaisquer conversações ou negociações com a República Islâmica do Irão. O bloqueio naval mantém‑se em pleno vigor”, escreveu nas redes sociais, em referência ao contra‑bloqueio norte‑americano dos portos iranianos.

O fluxo de crude que atravessa o estreito de Ormuz foi, em média, de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre deste ano, contra 21,6 milhões de barris diários no último trimestre de 2025.

A Administração de Informação sobre Energia dos EUA prevê que os fluxos continuem fortemente limitados até agosto e recuperem gradualmente a partir de setembro.

A mesma entidade estima que as paragens de produção no Médio Oriente tenham atingido, em média, 5,5 milhões de barris por dia em julho e não espera que a produção e os fluxos comerciais regressem aos níveis anteriores ao conflito antes do início de 2027.

Prevê ainda que o Brent se situe nos 85 dólares por barril no terceiro trimestre, mais 11 dólares do que a estimativa anterior.

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