Karen Attiah afirmou nas redes sociais, após o assassinato da influenciadora de direita, que não iria mostrar tristeza e divulgou antigos comentários racistas da ativista sobre mulheres negras.
O Washington Post foi obrigado a readmitir a cronista Karen Attiah, despedida por publicações que fez nas redes sociais após o assassínio do influenciador de direita Charlie Kirk.
Kirk foi morto a tiro em setembro, no campus de uma universidade no Utah, o que desencadeou uma vaga de luto entre conservadores e ameaças de uma repressão à “esquerda radical” por parte do presidente Donald Trump.
Depois, Attiah escreveu nas redes sociais que não iria manifestar tristeza pela morte de Kirk e partilhou comentários racistas antigos do ativista sobre mulheres negras.
Foi mais tarde despedida, com o Post a acusá-la de “má conduta grave” e de violar as suas políticas de utilização das redes sociais, segundo o próprio jornal.
Um mediador ordenou ao Post que voltasse a contratar Attiah e a indemnizasse com salários em atraso, escrevendo na decisão que o jornal “não tinha motivos válidos e suficientes” para o despedimento.
Attiah escreveu na plataforma X que estava “feliz” com a decisão, dizendo que tinha sido afastada por “dizer a verdade”.
O Post afirmou respeitar o processo de arbitragem, mas recusou fazer mais comentários.
Attiah trabalhava na publicação há 11 anos e recordou que era “a última cronista de opinião negra a tempo inteiro no Post” à data do despedimento.
Nas suas publicações sobre Kirk, partilhou afirmações racistas dele de que as mulheres negras não têm “capacidade de processamento cerebral” e, por isso, precisam do apoio de programas de diversidade.
Outras publicações criticavam a forma como a Administração Trump apresentava Kirk como mártir da causa conservadora.
Desde 2013, quando o fundador da Amazon, o bilionário Jeff Bezos, comprou o Post, a secção de opinião do jornal alterou o tom para se focar mais em “liberdades individuais e mercados livres”, de acordo com orientações internas.
Attiah ganhou reconhecimento como editora do jornalista Jamal Khashoggi, cidadão saudita com residência nos Estados Unidos que foi assassinado no consulado saudita em Istambul, em 2018.
Os serviços de informação dos Estados Unidos e uma investigação das Nações Unidas concluíram mais tarde que Riade tinha responsabilidade pela sua morte.
Attiah convidou Khashoggi a escrever sobre o mundo árabe e publicou a sua última crónica, já póstuma, que defendia a liberdade de expressão na região.
Desde então, tem defendido os direitos humanos e a liberdade de expressão no seu trabalho.