As palavras desafiantes de Pezeshkian surgem quando o vice-ministro iraniano diz que um acordo com Omã bloqueará navios militares em Hormuz, agravando exigências de Teerão e enfrentando oposição de Washington, que já ameaçou bombardear Omã se “se meter no caminho”
Os “Estados Unidos não vão conseguir nada” com a nova vaga de sanções económicas, afirmou na quarta-feira o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, numa nova resposta de Teerão às ameaças de “asfixia económica” de Washington
“Com as medidas que os sectores económicos do governo previram, a América não vai conseguir nada com a pressão económica nesta fase, tal como não conseguiu nada durante a guerra”, afirmou Pezeshkian, citado pela agência noticiosa ISNA.
“O nosso princípio é compreender e resolver questões através da interação e da negociação, mas, ao mesmo tempo, vamos manter-nos firmes face às pressões económicas, como temos feito até agora e continuaremos a fazer”, acrescentou.
Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou planos para a “asfixia económica” do Irão, avisando que haverá consequências graves para os países que não aderirem à campanha.
Os dirigentes iranianos desvalorizam o impacto das novas medidas, depois de terem suportado sanções paralisantes ao longo de décadas, impostas pouco depois da Revolução Islâmica de 1979.
As negociações entre o Irão e os EUA estão bloqueadas, enquanto as duas partes disputam o controlo do estratégico Estreito de Hormuz.
O tráfego nesta via marítima vital — que normalmente transporta cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito — continua em grande medida paralisado, perturbando os mercados energéticos globais.
O Irão controla Hormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e tenta impor taxas aos navios que atravessam o estreito.
Washington quer que o estreito volte ao sistema de navegação livre anterior à guerra e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que os Estados Unidos “têm controlo total” sobre a via marítima.
Irão quer impedir navios militares em Hormuz?
Teerão afirmou terça-feira que não vai permitir a passagem de navios militares por Hormuz, ao abrigo de um acordo que a República Islâmica está atualmente a negociar com Omã. A informação foi avançada pelo vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, na televisão estatal, na noite de terça-feira.
Os chefes da diplomacia dos dois países reuniram-se para discutir a gestão do tráfego comercial na via marítima e chegaram a um entendimento na terça-feira, segundo Gharibabadi.
“Se esse entendimento se tornar vinculativo, nenhum navio militar poderá passar pelo Estreito de Hormuz”, afirmou. “Nenhum navio militar, de todo.”
Gharibabadi não deu mais pormenores sobre o tráfego militar e limitou-se a descrever a rota comercial proposta através do estreito.
Segundo o responsável, o tráfego de entrada no Golfo Pérsico, a partir do Golfo de Omã, passaria inteiramente por águas iranianas, enquanto a rota de saída seria feita em parte por águas iranianas e em parte por águas territoriais de Omã.
A administração Trump comunicou a Mascate que se opõe a partes do acordo em construção, incluindo a gestão conjunta iraniana e omanita da rota de saída de uma passagem crucial para o comércio mundial.
Trump já tinha ameaçado bombardear Omã “até não sobrar nada” se o país “se meter no caminho”.