O caso reavivou o debate sobre turismo médico, com a Tailândia entre os principais destinos para estrangeiros que procuram cuidados de saúde, incluindo procedimentos estéticos.
As autoridades tailandesas anunciaram esta quarta-feira que estão a investigar uma clínica em Banguecoque onde um empresário e influenciador britânico, nascido na Nigéria, foi submetido a um procedimento de aumento do pénis que levou à sua morte.
Um médico-legista em Londres decidiu no mês passado que a morte, a 6 de março, de Igho Ubiribo, de 43 anos, na capital tailandesa, foi causada pela injeção de ácido hialurónico que recebera horas antes.
O aso reabriu o debate em torno do turismo médico, com a Tailândia a afirmar-se como um dos principais destinos para estrangeiros que procuram cuidados de saúde, incluindo procedimentos estéticos.
Ubiribo, conhecido alegadamente como “Tiny” e “Ego”, tinha 185.000 seguidores no Instagram e publicava regularmente fotografias com a mulher, Danielle, a desfrutar de um estilo de vida de luxo.
O Ministério da Saúde da Tailândia ordenou uma investigação à sua morte e, na segunda-feira, responsáveis visitaram a clínica no centro de Banguecoque onde Ubiribo foi tratado.
As autoridades estão a verificar se a clínica dispõe de licença válida e se cumpriu os protocolos de saúde e segurança, adiantou à agência noticiosa AFP um responsável do ministério da Saúde.
Depois de receber o preenchimento, estava a fazer uma massagem quando se queixou de dores no peito e desmaiou, segundo um relatório de agosto do médico-legista britânico, que determina formalmente a causa da morte.
Foi transportado de ambulância para o hospital, com suspeita de embolia pulmonar, mas perdeu a consciência antes de lhe poder ser feita uma tomografia computorizada.
Os médicos tentaram reanimá-lo durante mais de 100 minutos, mas foi declarado morto por volta da 1h00.
“A autópsia e os exames toxicológicos determinaram que a causa da morte se deveu à injeção de ácido hialurónico”, lê-se no relatório.
O responsável policial sénior de Banguecoque, Utit Soodjai disse à AFP que também a polícia estava a investigar.
“No que toca a procedimentos médicos, defendemos o máximo nível de cautela”, disse o ministro da Saúde tailandês, Pattana Promphat, aos jornalistas.
A investigação visa “garantir justiça para todos e tranquilizar os pacientes locais e internacionais de que recebem, na Tailândia, cuidados seguros, de elevada qualidade e de valor”, acrescentou em comunicado.
Segundo o ministério da Saúde, a administração da clínica afirmou que Ubiribo era paciente regular desde 2024 e já se submetera a cinco injeções de aumento do pénis.
Os primeiros quatro procedimentos realizaram-se em 2024 e 2025; na quinta visita, a 5 de março, recebeu 40 mililitros de substância de preenchimento.
O médico recomendara que o procedimento fosse dividido em duas sessões, mas Ubiribo pediu que todo o volume fosse injetado de uma só vez, segundo a administração da clínica, que falou aos investigadores.
Preenchimentos com ácido hialurónico são amplamente utilizados na medicina estética, considerados minimamente invasivos e de risco relativamente baixo.
A Tailândia tem reputação de oferecer cuidados de saúde de excelência e há muito é um centro de turismo médico, numa altura em que o mercado estético está em forte expansão.
Em 2024, dados oficiais indicavam a existência de 7.000 clínicas estéticas, incluindo 2.000 em Banguecoque, e apontavam para um mercado no valor de 7,51 mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros) em 2027, três vezes superior ao de 2020.