Federação Francesa de Futebol não vai apoiar Gianni Infantino na reeleição à presidência da FIFA em março de 2027, após posição favorável de Philippe Diallo no Mundial de 2026.
A Federação Francesa de Futebol (FFF) rompe finalmente com Gianni Infantino. Reunido na quinta-feira, 10 de setembro, o seu comité executivo decidiu retirar o apoio ao presidente da FIFA, candidato à própria sucessão na eleição marcada para 18 de março de 2027. A decisão assinala uma rutura após mais de dez anos de apoio francês ao dirigente italo-suíço, ainda reafirmado no final de junho.
No seu comunicado, a FFF justifica a decisão com uma “quebra de confiança” em relação à governação do organismo mundial do futebol. Considera, em particular, que deixaram de existir condições para apoiar Gianni Infantino.
A federação tricolor justifica este desaire de Infantino com uma “série de acontecimentos que envolvem diretamente a governação da FIFA e o seu presidente”, considerados “em total contradição com os princípios essenciais de uma boa governação e com os valores do futebol”.
A Federação menciona em especial o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), apresentado por Gianni Infantino a 28 de julho. O plano previa ceder uma participação de 20 % nas competições da FIFA, nomeadamente os direitos dos Campeonatos do Mundo, a investidores privados por cerca de 4 mil milhões de dólares, dos quais uma parte deveria ir para a família Trump. Face às críticas, em particular as de Philippe Diallo, presidente da FFF, Infantino acabou por abandonar o projeto a 1 de agosto.
Philippe Diallo também criticou a forma como a iniciativa foi apresentada, lamentando a ausência de concertação. “Desde esse momento tomei a palavra para dizer que este projeto me parecia levantar muitas interrogações e mesmo preocupações”, explicou, lamentando que a proposta tenha sido feita “sem consulta e sem qualquer informação”.
A mudança de posição da FFF representa sobretudo um novo revés para Infantino, mas assinala também uma alteração significativa de linha por parte de Philippe Diallo. Depois de privilegiar a prudência e os interesses franceses, nomeadamente na perspetiva de uma eventual candidatura ao Mundial de 2038, o presidente da FFF assume agora uma postura bastante mais crítica em relação à governação da FIFA.
Europa dá cartão amarelo: segue-se vermelho direto nas próximas eleições?
França junta-se agora a várias federações europeias que retiraram o apoio a Infantino. Inglaterra e Itália, entre outras, afastaram-se do presidente da FIFA. Os Países Baixos foram ainda mais longe, propondo uma cimeira internacional em Amesterdão para refletir sobre o futuro da FIFA… sem Gianni Infantino.
Apesar disso, este afastamento francês, que se soma a muitos outros, não significa necessariamente que Gianni Infantino esteja condenado a perder o cargo dentro de sete meses. O dirigente mantém apoios importantes, sobretudo em África, na América do Sul e na Oceânia.
No sistema eleitoral da FIFA, cada federação corresponde a um voto, e Infantino mantém teoricamente uma maioria de sufrágios para o congresso eletivo. Além disso, nenhum adversário credível se afirmou ainda de forma clara a poucos meses da votação.