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Trump diz ao PM irlandês que "gostaria de ver a Irlanda unificada" e promete irritar Londres

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Foto AP/Julia Demaree Nikhinson
Foto AP/Julia Demaree Nikhinson Direitos de autor  AP Photo
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De Malek Fouda & Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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O presidente dos EUA criticou a Europa nas áreas do comércio, da energia e da imigração e classificou como “dececionárias” as relações com os aliados europeus face à resposta aos seus esforços de guerra com o Irão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que uma Irlanda unificada seria “fantástica”, entrando assim num assunto complexo e politicamente sensível durante uma visita de dois dias à Irlanda, sob pretexto de um importante torneio num campo de golfe de que é proprietário.

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Numa reunião com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin, Trump disse que gostaria de ver a reunificação da República da Irlanda com a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido.

“Não quero causar problemas, mas adoraria vê-la unificada”, afirmou Trump quando um jornalista lhe pediu a opinião sobre o assunto. “Vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Mais vale acontecer agora".

“Acho que seria algo fantástico”, afirmou, acrescentando que “o Reino Unido terá obviamente algo a dizer sobre isso.” Esta é a segunda vez em pouco tempo que Trump dirige provocações ao governo de Andy Burnham, depois dos seus comentários sobre as Malvinas.

Antes desta gafe, Trump tinha já ameaçado abanar as relações com Londres, ao dizer que "poderia rever a posição dos Estados Unidos face às Malvinas", no seguimento da nova reivindicação do território feita pelo presidente argentino Javier Milei, seu aliado próximo. A este propósito, Trump disse que o Reino Unido "é hoje um país muito diferente" do que era em 1982, quando Margaret Thatcher ordenou a intervenção militar que fez recuar a invasão argentina das ilhas controladas pelo Reino Unido desde há vários séculos.

Trump durante a reunião com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em Farmleigh House
Trump durante a reunião com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em Farmleigh House Julia Demaree Nikhinson/AP

Visões divergentes sobre a Irlanda do Norte – se é irlandesa ou britânica – alimentaram décadas de violência que causaram cerca de 3600 mortos. Anteriores presidentes dos EUA evitaram comentar diretamente o tema, mesmo aqueles, como Joe Biden, com fortes ligações ancestrais e afetivas à Irlanda.

Quando a Irlanda, durante muito tempo dominada pelo seu vizinho maior, se tornou há um século um país de maioria católica romana com autogoverno, uma região de seis condados no norte, de maioria protestante, manteve-se parte do Reino Unido.

A Irlanda do Norte ficou dividida entre duas grandes comunidades: os nacionalistas – na maioria católicos – que desejavam a união com o resto da Irlanda, e os unionistas, maioritariamente protestantes, que queriam continuar britânicos.

As tensões acabaram por explodir no período conhecido como "troubles", desencadeando três décadas de violência envolvendo grupos paramilitares de ambos os lados e tropas britânicas.

Um acordo de paz alcançado em 1998, em cuja mediação Washington teve um papel decisivo, pôs em grande medida fim à violência, mas deixou em aberto o estatuto final da Irlanda do Norte.

Trump à chegada à reunião com a homóloga irlandesa
Trump à chegada à reunião com a homóloga irlandesa Julia Demaree Nikhinson/AP

O acordo de paz prevê a realização de um referendo sobre a unificação se parecer provável que a maioria da população vote a favor.

O recém-nomeado primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou de forma contundente, na quarta-feira, que não haverá outro referendo sobre a reunificação enquanto não existir um desejo claro nesse sentido: “Não tenho conhecimento de que exista apoio maioritário na opinião pública para um novo referendo e, enquanto isso não mudar, não haverá referendo”, disse Burnham.

Trump manteve também contactos, este sábado em Dublin, com a sua homóloga irlandesa, Catherine Connolly, e deverá discursar perante dirigentes empresariais dos EUA e da Irlanda na residência oficial do embaixador norte-americano, antes de seguir para o seu campo de golfe à beira-mar em Doonbeg, do outro lado do país, para assistir ao torneio Irish Open.

Connolly é uma política de esquerda que integrou os protestos aquando da visita de Trump à Irlanda em 2019, durante o seu primeiro mandato. É agora chefe de Estado eleita da Irlanda, um cargo em grande medida simbólico e cerimonial.

Defensora da causa palestiniana, criticou no passado a política dos EUA no Médio Oriente e descreveu o presidente republicano como um “bully” nas relações com outros Estados, pela forma como exerce pressão sobre eles e pela sua abordagem à política externa e às relações bilaterais.

Trump com a presidente da Irlanda, Catherine Connolly
Trump com a presidente da Irlanda, Catherine Connolly Julia Demaree Nikhinson/AP

A presidente irlandesa recebeu Trump no final de uma passadeira vermelha na sua residência oficial em Dublin. Os dois apertaram as mãos e conversaram brevemente antes de entrarem. Poucos minutos depois, Trump saiu sozinho, saudou enquanto uma banda das Forças de Defesa irlandesas tocava o hino nacional dos EUA e inspecionou uma guarda de honra do exército irlandês.

Trump critica aliados europeus

Durante a conferência de imprensa conjunta com Martin após o encontro, o presidente dos EUA atacou também os aliados europeus, criticando o que diz ser um declínio acentuado das suas sociedades.

“Custa-me ver o que está a acontecer à Europa. Custa-me ver o que está a acontecer no comércio, na energia e na imigração”, afirmou. “Ah… essa imigração, o que estão a fazer a vocês próprios, estão simplesmente a destruir-se.”

Criticou ainda a relação de Washington com os aliados europeus por ser “dececionante”, após a recusa de muitos países em apoiar o presidente republicano nos esforços de guerra contra o Irão e o caos provocado pelo encerramento de uma via marítima estratégica, o estreito de Ormuz.

Ainda assim, o presidente dos EUA assegurou que o país mantém uma relação de trabalho com todos os aliados no continente.

Trump passa revista às tropas, em Dublin
Trump passa revista às tropas, em Dublin Julia Demaree Nikhinson/AP

A visita de Trump é o mais recente exemplo da forma como combina funções oficiais com interesses pessoais.

Trump joga golfe quase todos os fins de semana em campos que possui na Florida, em Nova Jérsia e na Virgínia. A sua presença no Irish Open dá continuidade ao hábito de marcar presença em grandes eventos desportivos e de participar na organização de alguns deles, de forma a beneficiar o negócio da família.

Os seus campos em Doral, na Florida, e em Bedminster, em Nova Jérsia, acolheram este ano torneios profissionais de golfe.

O Open da Irlanda é o segundo torneio do circuito europeu a realizar-se este ano numa propriedade de Trump. O Nexo Championship teve lugar no mês passado no campo de golfe de Trump em Aberdeen, na Escócia.

No ano passado, Trump deslocou-se à Escócia durante cinco dias para jogar golfe no seu clube em Turnberry e mais tarde inaugurou um novo campo de golfe Trump em Balmedie, Aberdeenshire.

Durante essa visita, reuniu-se com o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir a sua controversa política global de tarifas ‘recíprocas’.

Outras fontes • AP

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