Zverev frustrou o sonho de Shelton de se tornar o primeiro jogador negro a conquistar o título masculino desde Arthur Ashe, em 1968, e o primeiro norte-americano a vencer em Flushing Meadows desde Andy Roddick, em 2003.
Alexander Zverev, da Alemanha, conquistou este domingo o US Open, ao derrotar o norte-americano Ben Shelton em quatro sets no estádio Arthur Ashe, arrecadando o seu primeiro título neste torneio e o segundo troféu no Grand Slam.
Seis anos depois de deixar escapar uma vantagem de dois sets frente a Dominic Thiem no fim de 2020, o primeiro cabeça de série regressou a Nova Iorque e, desta vez, fechou a tarefa ao bater Shelton por 6-3, 7-6 (2), 5-7 e 6-2, no domingo.
Zverev sabia ao que ia, ao disputar uma final do US Open num estádio cheio de público ansioso por ver finalmente outro campeão norte-americano.
Ignorou durante tanto tempo os gritos por Ben Shelton e nem se apercebeu de que tinha vencido, sem ouvir o anúncio do árbitro a dar o encontro por terminado.
“Nesse momento estava completamente concentrado”, disse Zverev. “Não ouvia qualquer barulho. Estava numa espécie de túnel em que simplesmente não escutava nada.”
O triunfo do alemão em Nova Iorque redime a dolorosa derrota de 2020, quando deixou escapar o título.
Na condição de primeiro cabeça de série num torneio do Grand Slam pela primeira vez, Zverev aproveitou o início nervoso de Shelton que se estreava na final de um torneio deste calibre. Zverev jogou um tie-break quase perfeito no serviço e travou depois a tentativa de reação, perante um público que apoiou Shelton de forma fervorosa - incluindo a namorada, Trinity Rodman, que chegou a tempo do seu próprio jogo de futebol em Washington.
“Sei que hoje 99,9% das pessoas queriam que o Ben ganhasse, por isso, em primeiro lugar, peço desculpa”, disse Zverev na cerimónia de entrega de troféus. “Mas, em segundo lugar, foi um ambiente incrível para jogar. Mesmo sabendo que o público estava contra mim, o público foi sempre incrivelmente justo.”
Shelton tentava tornar-se no primeiro norte-americano a vencer o título desde que Andy Roddick ganhou em Flushing Meadows, em 2003, e também no primeiro jogador negro a conquistar a coroa masculina desde Arthur Ashe, em 1968.
“É um momento incrível. Entrar hoje naquele court, não há nada igual. Nunca tinha sentido nada assim”, disse Shelton.
Mas Zverev mostrou-se demasiado forte nos Grand Slams este ano e, aparentemente, nem sabia quão bem estava a jogar. Depois de fechar o encontro com um ponto direto de serviço, recuou para trás da linha de fundo como se se preparasse para responder. Mais tarde explicou que pensava que o resultado estava em 5-1, mas acabou por perceber que já tinha vencido e levantou os braços em celebração.
Triunfo de Zverev no US Open prolonga série de vitórias
Zverev passou a registar 25 vitórias e duas derrotas este ano e arrecadou 5,5 milhões de dólares, igualando o prémio recebido no sábado pela campeã feminina, Elena Rybakina, o mais elevado da história dos torneios do Grand Slam.
“És um dos melhores jogadores do mundo, talvez o melhor jogador do mundo este ano”, disse Shelton a Zverev.
Acreditava que este título chegaria em 2020 e admite ainda hoje que assim devia ter sido. Na altura, ganhou os dois primeiros sets a Dominic Thiem e ficou a dois pontos da vitória, antes de se tornar no primeiro jogador desde 1949 a desperdiçar uma vantagem de dois sets e perder uma final.
Quaisquer fantasmas que restassem dessa altura ficaram há muito para trás.
Zverev já tinha chegado esta época à final de Wimbledon, perdida para Jannik Sinner, e tornou-se primeiro cabeça de série em Nova Iorque quando o número um mundial, Sinner, foi obrigado a desistir devido a uma lesão no joelho. Soube aproveitar as oportunidades abertas pelas ausências de Carlos Alcaraz, que falhou dois torneios do Grand Slam, e do próprio Sinner, que não disputou outro, depois de ambos terem jogado três finais consecutivas de majors em 2025.
“Acho que Deus viu o quanto trabalhámos, o quanto sofremos e a dor por que passámos, e penso que 2026 é o resultado de todos os anos que ficaram para trás”, disse Zverev, dirigindo-se à sua equipa.
Shelton já tinha eliminado o campeão em título ao bater o segundo cabeça de série, Alcaraz, num encontro dos quartos de final de cinco sets que terminou às 3h33, o final mais tardio da história do US Open.
Mas falhou no domingo a tentativa de se tornar no primeiro jogador desde 1975 a derrotar os primeiros dois cabeças de série a caminho do título em Flushing Meadows.
O oitavo cabeça de série passou a ter um registo de 0-6 no confronto direto com Zverev, tendo vencido um set este domingo apenas pela segunda vez.