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OCDE eleva previsão de crescimento mundial de 2026 para 2,9% apesar da guerra com o Irão

ARQUIVO. Contentores prontos para transporte no porto de Guangzhou, distrito de Nansha, província de Guangdong, sul da China, 17 de abril de 2025
ARQUIVO. Contentores de carga prontos para transporte no porto de Cantão, no distrito de Nansha, província de Guangdong, sul da China, 17 de abril de 2025 Direitos de autor  AP Photo/Ng Han Guan
Direitos de autor AP Photo/Ng Han Guan
De Quirino Mealha
Publicado a Últimas notícias
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A OCDE subiu para 2,9% a previsão de crescimento global, ao dizer que a economia aguentou melhor do que o esperado o choque energético da guerra no Irão, mas alertou que inflação persistente, juros da dívida mais altos e o risco de conflito prolongado continuam a ensombrar o cenário.

A economia mundial está a revelar-se mais robusta do que se receava.

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Nas previsões intercalares publicadas esta quarta‑feira, a OCDE elevou em 0,1 ponto percentual, face a junho, a projeção de crescimento para 2026, concluindo que a economia mundial “resistiu melhor do que o esperado ao choque de oferta de energia desencadeado pelo conflito no Médio Oriente”.

Ainda assim, isso representa uma clara desaceleração face ao crescimento de 3,4% registado no ano passado, e a OCDE reduziu também em 0,1 ponto percentual, para 3%, a previsão para 2027.

As revisões em alta foram generalizadas.

Os Estados Unidos deverão crescer 2,2% este ano e a zona euro 1%, ambos mais 0,2 pontos percentuais, enquanto a previsão para o Japão subiu na mesma ordem de grandeza, para 0,8%. A projeção para a China manteve-se em 4,5% e, em conjunto, o G20 deverá expandir-se 3,1%.

Na zona euro, a OCDE prevê que a economia espanhola cresça 2,6% em 2026 e 1,8% em 2027, à frente dos restantes países incluídos na atualização de setembro. Para a Alemanha, o organismo antecipa uma expansão de 1,1% em ambos os anos; para a Itália, de 0,9% e 0,6%; e para a França, de 0,4% e 0,7%, respetivamente. No conjunto da zona euro, o crescimento é estimado em 1% em cada um dos anos.

Os preços da energia dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão em fevereiro, mas vários fatores amorteceram o impacto.

A OCDE destacou as volumosas reservas de petróleo, a oferta adicional de produtores fora do Golfo e medidas discricionárias de apoio governamental, enquanto as condições financeiras em geral, incluindo a valorização dos mercados acionistas e a continuação do acesso ao crédito, se mantiveram favoráveis.

O forte investimento em inteligência artificial também sustentou a produção e o comércio, e a organização admite que poderá ainda gerar um crescimento mais forte do que o projetado.

Riscos que se avizinham

Este alívio vem acompanhado de reservas.

Os bancos centrais começaram a subir as taxas de juro para conter a inflação impulsionada pelos preços elevados do petróleo e do gás, que levaram o gasóleo e outros combustíveis para máximos de vários anos. A inflação global nos países do G20 é projetada em 4,1% este ano, enquanto a OCDE espera que atinja 3% na zona euro.

Entretanto, as rendibilidades das obrigações soberanas em países da UE, incluindo a Alemanha e a França, subiram para máximos de vários anos, elevando os custos de financiamento para países já com dívidas e défices elevados.

Na Europa, estes custos de financiamento mais elevados, a par de apoios energéticos direcionados e temporários, estão a exercer pressão adicional sobre as finanças públicas.

Olhando para lá da Europa, a OCDE alertou que “a subida das rendibilidades das obrigações sublinha mais do que nunca a necessidade de reforçar os esforços para conter e reorientar a despesa pública, melhorar a eficiência do setor público e reforçar as receitas, de forma a garantir a sustentabilidade da dívida a mais longo prazo e manter a capacidade dos governos para reagirem a choques significativos”.

A organização assinalou ainda como principais riscos para o crescimento uma guerra prolongada, choques de oferta relacionados com o clima provocados por um El Niño muito forte que afete as colheitas e os preços dos alimentos, e retornos do investimento em IA que possam ficar aquém das expectativas.

Outras fontes • AFP

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