A guerra com o Irão atingiu dois pilares da economia do Golfo: as exportações de energia e a aviação. A perturbação chega à Europa, onde compradores tiveram de substituir o gás em falta.
O Banco Mundial prevê que as seis economias do Conselho de Cooperação do Golfo encolham em média 4,3% este ano, numa altura em que o impacto da guerra com o Irão continua a penalizar o comércio e a atividade empresarial na região.
Segundo a atualização regional divulgada na terça-feira, o banco referiu que a subida dos preços do petróleo não compensou a queda dos volumes de exportação, o que reduziu a produção e as receitas dos governos.
As exportações de crude do Médio Oriente ultrapassaram os níveis anteriores à guerra em 14 dias de setembro, noticiou a Reuters na quarta-feira, citando dados provisórios da Kpler. Esses carregamentos incluíram petróleo transportado pelo estreito de Ormuz e por rotas alternativas.
A projeção do Banco Mundial abrange todo o ano e inclui setores para além do petróleo.
Alguns carregamentos de gás também continuam a passar. A Reuters noticiou na segunda-feira que quatro navios com gás natural liquefeito (GNL) do Qatar reapareceram ao largo de Ormuz por volta de 2–3 de outubro.
A energética italiana Edison indicou, em 28 de setembro, que a QatarEnergy prolongara a declaração de força maior até ao início de dezembro, alegando não poder entregar novos carregamentos programados.
O aviso elevou para 35 o número total de carregamentos afetados entre abril e o início de dezembro, o equivalente a cerca de 4,6 mil milhões de metros cúbicos de gás destinado ao terminal Adriatic LNG, em Itália.
A Edison afirmou ter adquirido fornecimentos de substituição e continuar em condições de cumprir os compromissos com os clientes.
Companhias aéreas enfrentam queda da procura
O tráfego de passageiros nas companhias do Médio Oriente caiu 14,6% em agosto face ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados publicados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) em 30 de setembro.
O indicador tem em conta tanto o número de passageiros pagantes como a distância percorrida. A capacidade disponível recuou 9,3%, deixando uma maior fatia de lugares vazios, já que o tráfego diminuiu mais rapidamente.
Ainda assim, algumas companhias da região estão a receber passageiros cujos voos foram cancelados por transportadoras europeias e de outras regiões.
O consultor de aviação Omar Hashmi explicou que a Emirates, a Qatar Airways e a Etihad transportam passageiros em ligação através dos respetivos hubs, bem como visitantes com destino ao Golfo.
Segundo o mesmo, as rotas mais longas também fazem aumentar os custos com combustível.
“Quando o espaço aéreo é encerrado e as rotas ficam mais longas, surge também o problema de os horários dos voos mudarem”, disse à Euronews.
O Qatar advertiu, numa conferência em Doha na terça-feira, que “todo o mundo está a pagar” pelo conflito, numa altura em que prosseguiam os esforços diplomáticos para fazer avançar as conversações entre Washington e Teerão.
O Banco Mundial alertou que as infraestruturas danificadas e o adiamento de investimentos podem continuar a travar o crescimento mesmo depois de ultrapassadas as perturbações imediatas.