Ministro francês da Transição Digital instou, esta segunda-feira, plataformas de revenda online a retirarem anúncios de “artigos roubados” após os saques de sábado e convocou representantes de empresas como Vinted e eBay para uma reunião.
Faltam seis meses para França eleger o sucessor de Emmanuel Macron e o país foi abalado no fim de semana por alguns dos piores episódios de violência nas ruas em anos, com milhares de lojas danificadas, muitas saqueadas. Os distúrbios seguiram-se a semanas de protestos estudantis a exigir melhores condições nas escolas.
Mais de 3 000 estabelecimentos sofreram danos, segundo as autoridades. Desde domingo, circulam nas redes sociais capturas de ecrã que mostram anúncios de revenda em linha de artigos alegadamente roubados durante os distúrbios do fim de semana.
“Estão a ser postos à venda em determinadas plataformas bens roubados este fim de semana”, declarou a ministra do Digital Anne Le Henanff na rede X.
“Esperamos que essas plataformas retirem os anúncios em causa sem demora”, acrescentou.
Le Henanff convocou representantes de seis plataformas para uma reunião na presença de responsáveis dos ministérios do Interior e da Justiça.
“Serão igualmente obrigadas a cooperar estreitamente com as autoridades do Estado, para que quem revende bens roubados possa ser alvo de processos judiciais”, acrescentou Le Henanff.
Segundo o ministério francês do Comércio, foram convidados para conversações representantes da Vinted, Amazon, eBay, Leboncoin, Meta e TikTok, bem como da associação francesa do comércio eletrónico Fevad.
Contactada pela AFP, a Vinted afirmou aplicar uma política de “tolerância zero” nestes casos e estar a cooperar “ativamente com as forças de segurança e com as autoridades francesas”.
“Desde este fim de semana, as nossas equipas atuaram de imediato para identificar e retirar anúncios que possam envolver bens roubados e reforçámos a monitorização de anúncios suspeitos”, indicou a plataforma de artigos em segunda mão com sede em Vilnius, sem precisar a dimensão do problema.
A eBay declarou não estar “em condições de confirmar um aumento de anúncios que possam estar ligados a furtos cometidos no fim de semana”.
A plataforma de leilões online afirmou utilizar “ferramentas tecnológicas proativas” para detetar a venda de bens roubados.