O estudo, realizado pelo Observador Cetelem, centro de estudos de mercado ligado à empresa de crédito Cetelem, diz ainda que mais de um terço reduziu as deslocações não essenciais devido aos preços dos combustíveis.
Mais de metade dos portugueses que tencionam comprar carro nos próximos 12 meses pensam optar por um modelo híbrido ou elétrico, segundo um estudo publicado esta quarta-feira pelo Observador Cetelem Automóvel, um órgão de estudos de mercado ligado à empresa de crédito Cetelem, do grupo BNP Paribas. Este valor (52%) está alinhado com a média dos 13 países analisados no estudo e é próximo da média europeia, que é de 55%.
O estudo diz também que "a atual pressão sobre os orçamentos familiares e os preços dos combustíveis estão também a alterar, de forma expressiva, a frequência com que utilizam os seus veículos". O estudo, intitulado “Origem ou Preço? O que move os condutores”, diz que 37% dos condutores portugueses reduziram as suas deslocações não essenciais nos últimos seis meses para fazer face aos custos dos combustíveis, enquanto 25% mudaram de posto de abastecimento para poupar.
O documento diz também que o principal critério para escolher um automóvel deixou de ser a marca, para passar a ser o preço. Isto não se verifica nos países onde, ao contrário de Portugal, existem marcas nacionais de carros, como Japão, Alemanha, EUA ou França.
Apesar disso, os portugueses mostram-se fiéis às marcas, pelo menos aqueles que compram carros novos. 48%, ao trocar de carro, optam por um da mesma marca. O número baixa quando são analisados os compradores de carros usados, que repetem a marca apenas em um terço dos casos.
Mercado português cresce em contraciclo com Europa
A ligação entre dono(a) e carro é mais do que meramente utilitária e ganha contornos emocionais para pouco menos de metade dos portugueses: 47% dizem sentir "uma forte ligação ao seu veículo". Um valor que até nem é dos mais altos, com a média europeia a chegar aos 53%, sendo que na China chega aos 86%.
Quanto à opção pelos modelos elétricos e híbridos, não é surpreendente que, em Portugal, um em cada dois condutores que querem comprar carro nos próximos 12 meses façam esta escolha, já que tem sido essa a tendência mundial, ainda mais com a subida dos combustíveis decorrente das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. O governo português anunciou recentemente novos incentivos à compra destes veículos.
Em países como Itália (68%), Espanha (65%) e França (60%), a percentagem é substancialmente maior.
O estudo indica ainda que Portugal é um dos poucos países, a par da Polónia, onde o mercado automóvel está a crescer desde a pandemia. Em 2025 foram vendidos 257 mil ligeiros de passageiros, um crescimento de 6,3% face ao ano anterior. Este ano, o estudo prevê um crescimento de mercado em torno dos 10%, devendo atingir-se a marca de 280 mil carros novos vendidos.
No que toca às marcas, o consumidor português prefere os fabricantes europeus: Peugeot (10%), Renault (8%) e Mercedes-Benz (8%) são as marcas mais vendidas. Já quando falamos de elétricos, é a Mercedes que lidera (11%), seguida pela Peugeot (igualmente com 11%) e pela BMW (9%).
“O preço continua a ser determinante na decisão de compra. Num contexto de maior pressão sobre os orçamentos familiares, os consumidores procuram soluções que conciliem as suas necessidades de mobilidade com as suas possibilidades financeiras. Para o setor, o desafio será responder a estas expectativas, disponibilizando propostas ajustadas às necessidades dos consumidores”, diz David Correia, diretor de Mobilidade do Cetelem, em conclusão do estudo.
Metodologia:
As análises económicas e de marketing, bem como as previsões, foram realizadas em conjunto com a empresa de estudos e consultoria C-Ways, especialista em Marketing de Antecipação. Foram conduzidos inquéritos online simultâneos, pela Harris Interactive, em 13 países (9 na Europa: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal e Reino Unido, juntamente com a Turquia, o Japão, a China e os Estados Unidos). Foram recolhidas 13 amostras representativas da população nacional com 18 ou mais anos em cada país, inquiridas entre 8 e 19 de junho de 2026.
Um total de 15.770 pessoas foram inquiridas nos vários países. A representatividade é garantida pelo método de quotas e por um ajustamento aplicado às seguintes variáveis: género, idade, região de residência e nível de rendimentos dos inquiridos em cada um dos países. Posteriormente, foi atribuído a cada país o seu respetivo peso na amostra global, de acordo com a dimensão da sua população total. Foram realizadas 3151 entrevistas em França e mais de mil em cada um dos restantes países.