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Europa vê preços dos alimentos voltar a subir, com Itália na linha da frente

Mulher faz compras na secção de refrigerados de um supermercado em Montreuil, França, em 14 de outubro de 2026
Mulher faz compras na secção de refrigerados de um supermercado em Montreuil, França, em 14 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  Teresa Suarez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
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De Piero Cingari
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Na Europa, a subida dos preços dos alimentos tem sido moderada este ano, mas os frescos encarecem: em França aumentaram 8% e ruturas de abastecimento deixam prateleiras vazias no sul de Itália

Quem entrou num supermercado em Nápoles ou noutra cidade do sul de Itália no final de outubro pode ter encontrado a secção das frutas meio vazia.

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Durante cerca de duas semanas, camionistas, revoltados com o custo do gasóleo, bloquearam estradas e portos em todo o sul de Itália.

Os armazéns deixaram de carregar mercadorias e as prateleiras de carne, leite fresco, fruta e água engarrafada na Campânia, Puglia e Calábria ficaram vazias, em algumas pequenas lojas ao fim de um dia.

Em outubro, os alimentos não transformados em Itália custavam mais 7,5% do que um ano antes, face a 5,5% em setembro, segundo dados preliminares do instituto nacional de estatística Istat. Os preços do cabaz típico de compras, que inclui produtos alimentares, bens para o lar e de higiene pessoal, subiram 2,5%, depois de 1,5%.

Itália é um caso extremo. Mas aponta para algo que está a acontecer em toda a Europa: depois de um ano calmo, as compras da semana começam de novo a ficar mais caras.

Energia domina as manchetes enquanto alimentos sobem menos

A inflação na zona euro atingiu 4% em outubro, o valor mais alto em mais de três anos, segundo dados preliminares divulgados na quarta-feira pelo Eurostat.

A energia foi o principal motor. Combustíveis, eletricidade e aquecimento estavam 20,8% mais caros do que um ano antes.

Os preços dos alimentos, em comparação, subiram muito mais lentamente.

Os preços dos alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco aumentaram 1,6% na zona euro em outubro face ao mesmo mês do ano anterior. No conjunto da UE, os alimentos e refrigerantes estavam apenas 0,6% mais caros em setembro, o último mês com dados para todos os países.

Olhar mais de perto, porém, revela um quadro desigual. Os preços dos alimentos transformados, bebidas alcoólicas e tabaco subiram apenas 0,5% em outubro em comparação com um ano antes.

Os preços dos alimentos não transformados, que incluem produtos como fruta, legumes, carne e peixe, aumentaram 4,6%, depois de 2,7% em agosto.

“A energia e os alimentos impulsionaram a subida dos preços, enquanto a inflação subjacente permanece em grande medida estável, apesar do choque energético em curso”, disse por correio eletrónico Nicola Nobile, economista-chefe para Itália da Oxford Economics.

Isto faz sentido se pensarmos na forma como os alimentos chegam à prateleira.

Os tratores consomem gasóleo, as estufas precisam de aquecimento e quase tudo viaja em camiões.

Quando estes custos disparam, os produtos frescos, que não podem ficar num armazém durante meses, ficam particularmente expostos.

Grandes economias mostram a mesma divisão

Em França, os preços dos alimentos no conjunto subiram 1,2% em outubro. Já os produtos frescos estavam 8% mais caros do que um ano antes, segundo o instituto de estatística INSEE, depois de 9,5% em setembro.

Na Alemanha, a alimentação estava apenas 0,4% mais cara. Em Portugal, os preços dos alimentos não transformados subiram 3,7%, o mesmo que em setembro.

Em Espanha, os preços dos alimentos continuaram a subir em outubro, embora mais lentamente do que há um ano.

Chipre lidera subidas, Suécia regista maiores quedas

Os dados de setembro, os mais recentes que incluem todos os países da UE, mostram onde os consumidores foram mais atingidos.

Chipre registou a subida mais acentuada, com alimentos e refrigerantes 4% mais caros do que um ano antes. Seguiram-se Espanha, com 2,7%, Roménia com 2,6%, Malta com 2,5% e Portugal com 2,4%.

Fora da UE, a Türkiye teve uma taxa muito mais elevada, com os preços dos alimentos a aumentarem 27,6% em um ano.

Em 14 dos 27 países da UE, os alimentos e refrigerantes estavam mesmo mais baratos do que um ano antes.

A maior descida verificou-se na Suécia, onde os preços recuaram 6,3%. Esta queda seguiu-se a uma redução do IVA. O governo cortou para metade o IVA sobre os alimentos, de 12% para 6%, a 1 de abril, e a medida vigora até ao fim de 2027.

Letónia, Hungria e Chéquia também registaram descidas dos preços dos alimentos entre 3,8% e 4,8%.

Cinco anos depois, Europa de Leste suporta a carga mais pesada

Um pequeno aumento hoje soma-se a um muito maior.

Desde setembro de 2021, quando os preços da energia começaram a disparar, os alimentos na UE ficaram cerca de um terço mais caros.

Na Hungria, os preços subiram mais de metade. Na Bulgária, Estónia e Roménia, o aumento é ligeiramente superior a 50%. No Luxemburgo, na Suécia e em França, está mais próximo de um quarto.

Vários dos países com maiores aumentos são também aqueles onde a alimentação representa a maior fatia das despesas das famílias. Para uma família em Bucareste ou Sófia, uma subida de 2% na caixa do supermercado pode, por isso, ocupar uma parcela maior do orçamento do que a mesma subida no Luxemburgo.

Os economistas esperam que a inflação no geral continue a subir.

A Pantheon Macroeconomics prevê que a inflação na zona euro atinja um pico de 4,5% em janeiro e espera que o Banco Central Europeu aumente as taxas de juro em dezembro.

Os dados de outubro sugerem que as subidas dos preços dos alimentos podem estar a acelerar precisamente quando chegam as faturas de aquecimento do inverno. Em partes do sul de Itália, os consumidores já o sentiram.

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