OMS avisa: Pandemia de Covid-19 vai continuar em 2022

Brasil já vacinou mais de 6,7 milhões de pessoas com a primeira dose   -   Direitos de autor  AP Photo/Bruna Prado, Arquivo

"Seria muito prematuro e irrealista pensar-se que vamos acabar com este vírus até ao final do ano". A afirmação pertence a Michael Ryan, diretor do Programa de Emergências da Organização Mundial de Saúde e foi proferida na sessão de informação realizada pela entidade esta segunda-feira.

O que Michael Ryan considera possível -- "se formos espertos", sublinha -- é "acabar com as hospitalizações, as mortes e a tragédia associada a esta pandemia".

O diretor da OMS defende que a vacinação dos profissionais de saúde na linha da frente do combate ao SARS-CoV-2 e das pessoas mais vulneráveis a doença severa poderia "retirar o medo da pandemia", mas o recente progresso na "guerra" à Covid-19 não pode ser tido como garantia porque "neste momento continua a ser o vírus a controlar".

Temos assistido a semanas positivas nas últimas seis semanas. Temos recebido boas notícias sobre o desenrolar da vacinação, mas ainda assim assistimos esta semana à estagnação desse progresso e, potencialmente, à doença a aumentar num certo número de países.
Michael Ryan
Diretor do Programa de Emergências da OMS

Brasil

A suportar este alerta de Michael Ryan estão por exemplo os recentes números revelados no Brasil, o terceiro país mais atingido pelo SARS-CoV-2 em todo o mundo.

De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, após o registo de mais 778 óbitos em 24 horas, o país ultrapassou a fasquia das 255 mil mortes com Covid-19, havendo ainda mais 35.742 infeções diagnosticadas, com o sistema de saúde nacional a enfrentar um iminente colapso, nomeadamente em São Paulo.

O governador paulista, João Dória, em entrevista ao canal digital "My News", perspetivou as próximas duas semanas como "mais duras e graves da pandemia desde 26 de fevereiro do ano passado."

(As próximas duas semanas) serão as semanas mais trágicas e mais difíceis para todos os estados brasileiros.
João Dória
Governador do estado de São Paulo, Brasil

Reino Unido

Apesar do recente agravamento em diversos países do mundo, o Reino Unido reforçou por outro lado o otimismo ao registar uma acentuada redução dos registos de mortes e novas infeções no espaço de uma semana, apesar do receio em torno das variantes do SARS-CoV-2 a circular, nomeadamente a brasileira B1128, recentemente detetada em Inglaterra.

O Reino Unido anunciou esta segunda-feira mais 104 óbitos (o registo diário mais baixo desde outubro) e 5.455 novas infeções em todo o território, o que representa, sublinha a BBC, um declínio de quase 50% quando comparado com os 10.641 casos registados uma semana antes.

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Há também novos dados encorajadores no processo de vacinação em curso pelo Reino Unido, um exemplo de sucesso sempre que é comparado com a lentidão criticada na União Europeia.

"Uma só dose, tanto da vacina Oxford/AstraZeneca como da Pfizer/BioNTech, é eficaz contra infeções graves entre os doentes de mais de 70 anos, com mais de 80% de redução das hospitalizações", afirmou esta segunda-feira Matt Hancock, o ministro da Saúde do Reino Unido.

Estes dados do Serviço Público de Saúde do Reino Unido podem vir ajudar a combater o ceticismo, sobretudo em torno da vacina Oxford/AstraZeneca, vista por muitos como pouco eficaz após ter sido recomendada de início, em alguns países, apenas a menores de 65 anos.

França

Um dos países a ter limitado o uso da vacina britânica a menores de 65 anos foi a França, mas a decisão foi entretanto revertida e isso foi confirmado pelo ministro da Saúde Olivier Véran em entrevista à televisão France2.

Todas as pessoas com 50 anos ou mais, e que sofrem de comorbidades como a diabetes, pressão alta ou cancro, podem ser vacinadas com a Oxford/AstraZeneca sem qualquer limite de idade.
Olivier Véran
Ministro da Saúde de França

O ministro gaulês, muito criticado pela lentidão do processo de vacinação em França, abriu assim a porta ao uso da vacina britânica a "pessoas de 50 anos ou mais, incluindo os de 65 a 74 anos", que podem vir a ser inoculados "no respetivo médico, no hospital onde são seguidas se tiverem doenças crónicas e em breve nas farmácias."

O primeiro-ministro Jean Castex também saudou as "novas recomendações da alta autoridade de saúde" que vão "permitir acelerar a campanha de vacinação e alargar o acesso a vacinas, nomeadamente entre as pessoas da faixa etária dos 65 aos 75 anos".

Entretanto, há mais uma vacina prestes a ser certificada na União Europeia, revelou a ministra da indústria de França, Agnes Pannier-Runacher, em entrevista também esta segunda-feira, mas à France3.

A proposta da Johnson & Johnson, de dose única, foi já validada pela agência do medicamento dos Estados Unidos (FDA) e a homóloga europeia, a EMA, está a avaliar os dados entretanto partilhados, podendo certifica-la já nos próximos dias como a quarta vacina validada para uso nos países da UE.

O bloco europeu espera receber cerca de 600 milhões de doses da vacina da Johnson até final de junho e conta poder começar a usa-la no final deste mês ou, mais tardar, no início de abril.

De acordo com Agnes Pannier-Runachier, a França abriu esta semana com cerca de 1,5 milhões de pessoas vacinadas e conta chegar a junho com a totalidade dos 15 milhões de cidadãos em grupos vulneráveis já vacinados contra a Covid-19, admitindo no entanto que esse objetivo depende de uma forte aceleração do processo de vacinação no país.

A vacina da Johnson & Johnson realizou testes de grande escala em diversas partes do mundo e revelou uma eficácia de 85,9% nos Estados Unidos, de 81,7% na África do Sul e de 87,6% no Brasil.

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