Bruxelas garante que a UE está preparada para evitar a recessão

ARQUIVO - Paolo Gentiloni, Comissário Europeu para a Economia
ARQUIVO - Paolo Gentiloni, Comissário Europeu para a Economia Direitos de autor Geert Vanden Wijngaert/AP
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De  Euronews com Lusa
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A previsão da inflação é revista em baixa para 5,6% na zona euro e o crescimento é revisto em alta - passa agora a 0,9%.

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As economias da **União Europeia (UE)**e da Zona Euro deverão evitar "por pouco" a temida recessão técnica em 2023, com a inflação a diminuir e os preços do gás em queda, abrindo caminho a um desempenho económico melhor do que o esperado anunciou, esta segunda-feira, a Comissão Europeia na apresentação das previsões intercalares de inverno.

As estimativas de Bruxelas são mais otimistas do que em novembro, num contexto que continua a ser extremamente incerto e desafiador, fortemente marcado pelos passos da Rússia na ofensiva em curso contra a Ucrânia.

De acordo com a Comissão Europeia,UE como um todo terá uma taxa de crescimento de 0,8% em 2023 – acima dos 0,3% da previsão anterior.

Já a Zona Eurocrescerá 0,9% – acima dos 0,3% estimados nas previsões de outono.

Ainda assim, Bruxelas deixa ressalvas.

"Melhor do que o esperado não significa que é bom e as perspectivas dependem, é claro, das políticas. (...) Os europeus ainda enfrentam um período difícil pela frente, esperando-se que o crescimento continue a ser lento e a inflação a desanuviar o impacto sobre o poder de compra apenas gradualmente."
Paolo Gentiloni
Comissário europeu para a Economia

Uma recessão técnica é definida como dois trimestres de contração económica, algo que ainda pode acontecer em alguns países da UE mesmo que o número final para 2023 acabe por ser positivo.

Por outro lado, Bruxelas reviu em ligeira baixa as projeções da inflação para 2023, estimando que, ultrapassado o 'pico' do aumento dos preços, a taxa se fixe nos 5,6% na Zona Euro e nos 6,4% na União Europeia.

No conjunto dos 27 Estados-membros, a Suécia é o único que apresenta um número negativo para este ano (-0,8%) enquanto os restantes apresentam um crescimento limitado mas positivo.

A Alemanha e Itália, dois países altamente dependentes dos combustíveis fósseis russos e ameaçados com a perspetiva de uma recessão dolorosa, têm taxas de crescimento estimadas de 0,2% e 0,8%, respetivamente.

Para a Alemanha, este cenário representa uma "recuperação significativa", disse Paolo Gentiloni, uma vez que nas previsões anteriores se tinha projetado uma queda de -0,6% para o peso pesado industrial.

Já para França estima-se um crescimento de 0,6%, enquanto se prevê um crescimento de 1,4% para a economia espanhola até 2023.

A Irlanda continua a ser a economia com melhor desempenho, com uma impressionante taxa de 4,9%, em grande parte impulsionada pelo investimento de multinacionais estrangeiras.

Portugal cresce 1% em 2023

De acordo com as previsões da Comissão Europeia, a economia portuguesa deverá registar uma desaceleração em 2023, com um crescimento estimado de 1% - acima dos 0,8% da média da União Europeia.

O número está aquém da previsão mais otimista de 1,3% estimada pelo governo.

Para 2024, prevê-se um crescimento do PIB de 1,8%.

Já em relação à inflação, Bruxelas antecipa uma baixa ligeira para Portugal este ano - dos 5,8% de novembro para os 5,4% - acimados 4% previstos no Orçamento do Estado para este ano.

O comissário europeu Paolo Gentiloni justificou as diferenças nas estimativas.

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“Temos frequentemente diferenças nas previsões, que se prendem sobretudo com as diferentes datas de fecho dos dados. Por exemplo, se compararem as nossas previsões com as do Banco de Portugal [BdP], constatam um maior otimismo do lado do BdP relativamente ao crescimento para 2023 e menos otimismo da projeção do Banco de Portugal para a inflação. A nossa projeção é mais favorável para a inflação que a do Banco de Portugal e menos favorável em termos de crescimento.”
Paolo Gentiloni
Comissário europeu para a Economia

Em 2024, a inflação deverá descer para os 2,6%, mas este valor continua acima da taxa de 2% de referência.

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