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Ouro continua a subir e Trump desvaloriza recuo do dólar

ARQUIVO. Lingotes de ouro em Nova Iorque. 8 nov. 2006.
Arquivo. Barras de ouro em Nova Iorque. 8 nov. 2006 Direitos de autor  AP/Seth Wenig
Direitos de autor AP/Seth Wenig
De Eleanor Butler
Publicado a Últimas notícias
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Investidores reduzem exposição a obrigações soberanas e divisas, numa tentativa de resguardarem os seus ativos da volatilidade geopolítica.

Os preços do ouro continuam a subir após terem ultrapassado o marco simbólico dos 5.000 dólares no início da semana, com os investidores a canalizarem cada vez mais capital para ativos de refúgio.

A subir cerca de 4% no dia, o metal cotava-se acima de 5.300 dólares na manhã de quarta-feira, na Europa. Ao mesmo tempo, a prata ganhava mais de 6%, para 113 dólares por onça.

Ao contrário de ativos como ações ou obrigações, os metais preciosos não pagam juros nem dividendos, pelo que o seu apelo reside na capacidade de preservar valor ao longo do tempo, funcionando como proteção contra a inflação e recessões.

Desde o início do ano, o ouro disparou mais de 20%, com os investidores cada vez mais apreensivos face às tensões geopolíticas. No início da semana, o Bulletin of the Atomic Scientists anunciou que o chamado "Relógio do Apocalipse" avançou para mais perto da meia-noite do que nunca, sinal de que, na opinião dos especialistas, estamos no ponto mais próximo da "destruição" desde que o relógio existe. Com os conflitos a prolongarem-se no Médio Oriente e na Ucrânia, acompanhados por tensões crescentes nos Estados Unidos e pela utilização do comércio global como arma, os investidores mostram-se ansiosos por retirar dinheiro dos ativos de risco.

Ainda que o dólar seja tipicamente visto como um investimento seguro, políticas erráticas da administração Trump alimentaram uma queda de cerca de 10% na moeda no último ano.

"Não, acho que é ótimo", disse Trump a jornalistas no Iowa, na terça-feira, quando questionado se estava preocupado com a desvalorização da moeda. "Acho que o valor do dólar, olhem para os negócios que estamos a fazer. O dólar está ótimo".

Dólar mais fraco: implicações

O estatuto do dólar como moeda de reserva global significa que é detido em grandes quantidades por bancos centrais em todo o mundo e domina as transações internacionais. Por um lado, isso reduz o custo de financiamento do governo dos Estados Unidos. Por outro, um dólar forte torna os produtos americanos relativamente mais caros para clientes estrangeiros e os produtos estrangeiros relativamente mais baratos para compradores nos Estados Unidos. Como resultado, alguns membros da equipa de Trump têm manifestado frustração com o efeito de um dólar forte na competitividade das exportações dos EUA.

"No passado distante, eram tendencialmente as administrações republicanas que preferiam um dólar mais fraco. A falta de preocupação do presidente Trump com o dólar mais fraco, nos comentários de ontem ao final do dia, alimentará esta teoria", disse o analista da ING, Chris Turner. "Presumivelmente, voltarão agora as questões para Scott Bessent sobre a política do dólar do Tesouro dos Estados Unidos", acrescentou.

No caso do ouro, um dólar mais fraco também torna o metal relativamente mais barato para compradores estrangeiros, o que significa que a recente queda da moeda poderá ser um dos fatores a impulsionar a procura por ouro físico.

Decisão iminente da Fed

A decisão iminente sobre taxas de juro da Reserva Federal também está a influenciar os mercados.

Após três cortes consecutivos de um quarto de ponto no ano passado, espera-se que o comité do banco central mantenha a taxa diretora inalterada entre 3,5% e 3,75% na quarta-feira.

É provável que tal decisão desagrade ao presidente Trump, que há muito se queixa de que o comité tem sido demasiado lento a baixar as taxas. Os responsáveis da Fed sublinham que o seu mandato é assegurar a estabilidade da economia dos Estados Unidos, o que exige cautela para conter riscos inflacionistas. Se as pressões sobre os preços forem ignoradas, isso poderá enfraquecer o dólar e a estabilidade orçamental dos EUA, levando o governo a enfrentar custos de financiamento mais elevados.

As ameaças à independência do banco central pairam sobre a reunião desta semana depois de o Departamento de Justiça ter intimado a Fed no início do mês. A ação judicial está ligada a uma investigação criminal sobre o testemunho prestado pelo presidente, Jerome Powell, relativo a uma renovação de edifício de 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros). É a primeira vez que um presidente em funções da Fed é investigado, e Powell criticou publicamente a investigação por a considerar uma tentativa de influenciar a política monetária.

O mandato de Powell como presidente termina em maio, com o presidente Trump a dever nomear um sucessor nos próximos dias. Embora Powell esteja de saída da liderança, não é claro se tomará a decisão invulgar de permanecer como governador.

Em combinação com as táticas tarifárias pouco convencionais dos Estados Unidos, as ameaças à independência da Fed provocaram uma série de picos nos rendimentos das Treasuries desde que Trump assumiu o cargo. A par da queda do dólar, a subida das yields tem alimentado receios de uma estratégia de "vender América", com alguns analistas a sugerirem que os investidores estão a perder confiança nas Treasuries, pressionando os preços em baixa e os rendimentos em alta à medida que exigem prémios superiores.

Os picos recentes nas yields têm sido, contudo, associados também ao enquadramento macroeconómico no Japão, com alguns investidores a deslocarem capital de ativos dos Estados Unidos para dívida japonesa com maior rendimento.

Embora os padrões económicos se tenham desviado da norma recentemente, a regra é que, quando as taxas de juro descem, os preços das obrigações sobem e as yields recuam.

Movimentos das bolsas

Nas ações, a Europa abriu em baixa na manhã de quarta-feira. O DAX desceu 0,25%, o CAC 40 caiu 1,08%, o IBEX 35 recuou 0,74%, o FTSE MIB perdeu 0,48%, enquanto o FTSE 100 cedeu 0,28%. O mais amplo STOXX Europe 600 estava em baixa de 0,42%.

Antes da abertura nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq subiam 0,73%, os do S&P 500 avançavam 0,29%, enquanto os do Dow Jones cediam menos de 0,1%.

"Alguns investidores referiram indícios de fundos de pensões nacionais a cobrir a exposição ao dólar, mantendo, ainda assim, as posições em títulos subjacentes dos Estados Unidos", disse Richard Hunter, responsável pelos mercados na Interactive Investor.

"Isto explica parcialmente porque é que os mercados têm continuado a prosperar apesar da fraqueza da moeda; de facto, o S&P 500 fechou ontem em mais um máximo recorde".

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