A Airbnb foi pensada pela primeira vez em 2008, com as pessoas a perguntarem inicialmente se seria possível confiar a nossa própria casa a um estranho. Em 2025, foram transacionados 92 mil milhões de dólares na plataforma. Como aconteceu isto?
"Não foi concebida para ser um negócio", disse Nathan Blecharczyk, cofundador da Airbnb, a Angela Barnes no programa The Big Question.
De facto, a história da origem da Airbnb é bastante interessante: o que começou como um grupo de jovens em São Francisco com dificuldades para pagar a renda após um aumento de 25 % nos preços e a perceber uma falta de alojamento para um evento industrial nas proximidades, tornou-se um gigante da indústria das viagens.
"Hoje, temos nove milhões de casas na plataforma em 220 países e territórios e em 150 mil cidades diferentes", acrescentou Nathan.
"Mais de 2,5 mil milhões de pessoas já ficaram em casa de outras pessoas."
Fazer de uma estadia uma experiência
Apesar das hesitações iniciais sobre se poderíamos confiar as nossas casas a estranhos e das regulamentações rigorosas sobre arrendamentos em muitos dos destinos, após a sua fundação em 2008, a Airbnb tornou-se uma empresa com uma capitalização de mercado de cerca de 80 mil milhões de dólares (69 mil milhões de euros) e contribui anualmente com cerca de 149 mil milhões de euros para a economia da UE.
Mas será que ainda tem espaço para crescer?
"Pensámos em complementos, não apenas para o alojamento, mas para toda a viagem", explicou Nathan.
"Por isso, agora é possível adquirir experiências na Airbnb. Passámos a oferecer serviços, como o abastecimento da casa com compras, recolhas no aeroporto, todas as coisas práticas de que precisamos quando viajamos, mas através de uma simples reserva através da aplicação."
A plataforma até já começa a contar com hotéis, o que pode parecer contrário ao modelo principal de negócio da Airbnb, mas é uma forma de oferecer aos clientes tudo aquilo de que estes precisam numa única plataforma.
Airbnb pelo bem
Muitos governos locais manifestaram o receio de que o aumento da oferta da Airbnb possa afetar de forma negativa os preços das rendas para os habitantes locais. E em certos pontos turísticos, as autoridades têm-se debatido com o problema do excesso de turismo. Estes dois fatores conduziram a legislação e a uma regulamentação mais apertada em relação às operações da Airbnb.
"Em 2019, [Amesterdão] aprovou um regulamento que resultou na remoção de 54 % dos anúncios na Airbnb. O motivo para tal foi o custo da habitação."
"Mas o que se passou nos cinco anos seguintes foi que, embora o número de anúncios tenha caído para metade, as rendas aumentaram um terço. Por isso, não houve qualquer impacto deste regulamento no custo da habitação."
De acordo com Nathan, a Airbnb pode fazer uma diferença positiva ao atrair pessoas para destinos novos e ao desenvolver o turismo nesses locais.
"Uma das particularidades da Airbnb é o potencial desta para dispersar o turismo. Se analisarmos a nossa atividade na Europa, 60 % das reservas não são em cidades. Na verdade, são em zonas rurais."
"Muitas destas pequenas cidades nem sequer têm hotéis. Não tinham alojamento, não eram capazes de atrair turismo, mas agora os turistas podem ter experiências mais locais e autênticas."
The Big Question é uma série da Euronews Business onde nos reunimos com líderes e especialistas da indústria para discutir alguns dos tópicos mais relevantes da atualidade.
Veja a discussão completa com Nathan Blecharczyk, da Airbnb, no vídeo acima.