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Irão usa criptomoedas para contornar sanções?

Imagem de 16 de fevereiro de 2026, divulgada pela Sepahnews, mostra militares da Guarda Revolucionária iraniana em formatura durante um exercício no Golfo Pérsico
Imagem de 16 de fevereiro de 2026, divulgada pelo Sepahnews da Guarda Revolucionária iraniana, mostra tropas em sentido num exercício no golfo Pérsico. Direitos de autor  Sepahnews via AP
Direitos de autor Sepahnews via AP
De Doloresz Katanich com AFP
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Peritos afirmam que a Guarda Revolucionária do Irão recorre a criptomoedas para contornar sanções ocidentais e financiar milícias aliadas.

Desde o início da guerra com o Irão, os fluxos de criptomoedas para o país dispararam.

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Especialistas afirmam que as moedas digitais estão a ser usadas para contornar as sanções impostas à Guarda Revolucionária iraniana e para oferecer uma tábua de salvação financeira aos civis castigados pela inflação galopante.

Isolado do sistema financeiro tradicional por décadas de sanções internacionais, o Irão recorre há muito às criptomoedas como canal alternativo, tanto para vender petróleo sujeito a embargo como para financiar de forma discreta grupos armados aliados, como os rebeldes Houthi no Iémen, segundo as autoridades dos Estados Unidos.

E o recurso às criptomoedas intensificou-se na crise atual.

Num movimento invulgarmente avultado, mais de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) em criptomoedas saíram das plataformas de câmbio iranianas entre 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques aéreos israelitas e norte-americanos, e 2 de março, segundo a empresa de análise de dados Chainalysis.

A 5 de março, perto de um terço destes fundos tinha já sido transferido para plataformas estrangeiras.

Embora parte deste êxodo possa ser explicada pela corrida dos cidadãos para protegerem as poupanças, a dimensão das quantias em causa sugere a intervenção de "atores do regime", afirmou Kaitlin Martin, da Chainalysis.

Segundo especialistas, este tipo de movimentações terá sido motivado pelo receio de novas sanções ou de ciberataques.

Em junho de 2025, no auge do anterior conflito entre Israel e o Irão, a principal plataforma de criptomoedas Nobitex foi alvo do roubo de 90 milhões de dólares (78,1 milhões de euros) por piratas informáticos ligados a Israel, de acordo com a empresa de blockchain TRM Labs.

Criptomoedas afluem em massa à Guarda Revolucionária do Irão

De acordo com a Chainalysis, várias carteiras digitais usadas durante este pico de atividade em criptomoedas estão diretamente ligadas à Guarda Revolucionária.

"Mesmo durante estas interrupções da internet, registam-se algumas saídas, o que sugere que certas entidades têm acesso às reservas de criptoativos da plataforma, mesmo quando o respetivo site está inacessível", observou a empresa de análise de criptomoedas Elliptic.

O controlo do Estado é esmagador.

No ano passado, carteiras associadas à Guarda receberam mais de 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros) em criptomoedas, o que representa mais de metade dos fluxos de criptomoedas do país, uma fatia que continua a aumentar, segundo a Chainalysis.

No início deste ano, o Financial Times noticiou que o Irão ofereceu mísseis balísticos, drones e outros sistemas de armamento avançado para venda através de criptomoedas.

Estes ativos digitais alimentam uma verdadeira "banca na sombra", afirmou Craig Timm, da organização de combate ao branqueamento de capitais ACAMS.

Mais rápidas de enviar e mais baratas do que uma transferência bancária, as criptomoedas são difíceis de rastrear, também devido às lacunas na regulamentação global, acrescentou.

Que criptomoedas são preferidas no Irão

A Guarda Revolucionária e o banco central iraniano privilegiam as "stablecoins", ou moedas digitais em geral indexadas ao dólar, numa tentativa de evitar a volatilidade.

Mas a população está a aderir em massa ao bitcoin, a principal criptomoeda mundial, que pode ser retirada das plataformas e guardada em carteiras pessoais, fora do alcance das autoridades.

Atualmente, um bitcoin vale mais de 68 mil dólares.

Segundo a Chainalysis, esta estratégia já era amplamente visível durante os protestos no Irão, reprimidos com violência antes do início da guerra.

Num país onde a inflação já se aproximava dos 50% antes do início do conflito, as criptomoedas funcionam como uma "tábua de salvação" para a população perante o colapso da moeda nacional, afirmou Martin.

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