O Banco Central Europeu manteve a taxa de juro nos 2% pela terceira reunião consecutiva, apesar da inflação subir e do crescimento abrandar na zona euro.
O BCE manteve as principais taxas de juro no nível mais baixo em mais de dois anos, em linha com as expectativas dos mercados.
Sedeada em Frankfurt, a instituição monetária manteve na quinta-feira a taxa da facilidade permanente de depósito em 2% pela terceira reunião consecutiva.
"O Conselho do BCE decidiu hoje manter inalteradas as três principais taxas de juro do banco", indicou a instituição em comunicado divulgado esta quinta-feira.
O BCE referiu que os dados mais recentes confirmam em grande medida a anterior projeção para a inflação, mas que os riscos estão a deslocar-se: as pressões sobre os preços aumentam, enquanto o crescimento enfraquece.
O banco reafirmou o compromisso de voltar a trazer a inflação para a meta de 2% no médio prazo.
"A guerra no Médio Oriente provocou uma forte subida dos preços da energia, alimentando a inflação e penalizando o sentimento económico", acrescenta o comunicado.
Tudo isto acontece apesar de os dados mais recentes mostrarem que a inflação na zona euro subiu para 3% em abril, bem acima da meta de 2% do banco central.
A decisão sobre as taxas foi antecedida por maior incerteza, depois de a presidente Christine Lagarde ter advertido que o caráter intermitente da guerra no Irão dificulta a avaliação das perspetivas económicas.
Novos dados divulgados na quinta-feira agravaram as preocupações com a economia da zona euro.
A inflação no bloco de 20 países fixou-se em 3%, embora a inflação subjacente — que exclui energia e alimentos — tenha permanecido em 2,2%. O crescimento do PIB, por seu lado, abrandou para 0,8% no primeiro trimestre de 2026, em termos homólogos.
O cenário é de estagflação, agravado pela instabilidade geopolítica. Grandes economias, como a Alemanha e a Itália, reduziram as previsões de crescimento à medida que os custos da energia sobem, deixando ao BCE a tarefa de equilibrar o apoio a uma economia em desaceleração com a necessidade de manter os preços sob controlo.
O banco afirma que as consequências da guerra no Irão, em particular dos preços elevados da energia, continuam difíceis de avaliar.
Para já, os responsáveis pela política monetária parecem manter uma atitude de espera, acompanhando se a inflação impulsionada pela energia se transmite a pressões de preços mais generalizadas.
"Guerra, cessar-fogo, negociações de paz, o seu colapso, um bloqueio naval, o seu levantamento, a sua reposição tornam excecionalmente difícil medir a duração e a profundidade das consequências", disse Lagarde na semana passada.
Na manhã de quinta-feira, o Brent chegou a ultrapassar temporariamente os 126 dólares por barril, aumentando a pressão sobre uma economia europeia já afetada por perturbações do lado da oferta.