As melhores oportunidades de investimento em arrendamento na Europa afastam-se das cidades mais caras: conheça os dez mercados do euro com rendas mais altas e o surpreendente número um.
Se desenharmos um mapa de para onde costuma fluir o dinheiro do imobiliário europeu, os pontos luminosos são previsíveis: os boulevards de Paris, o cinturão de canais de Amesterdão, os bairros polidos de Munique.
Moradas de prestígio. Elevada liquidez. Mercados imobiliários onde os preços seguem há décadas praticamente num único sentido: o da subida.
Se desenharmos um segundo mapa, desta vez a mostrar onde os proprietários obtêm o maior rendimento de arrendamento por cada euro investido, muitas dessas cidades desaparecem.
Novos dados da Global Property Guide, cruzados com portais imobiliários locais como Immobiliare.it, Idealista, Fotocasa, Habitaclia e Daft, mostram que algumas das melhores oportunidades de compra para arrendamento na Europa deixaram de estar concentradas nas tradicionais zonas quentes do imobiliário, surgindo agora em mercados regionais muitas vezes ignorados, sobretudo no sul da Europa.
Segue-se a lista das dez cidades da zona euro onde os rendimentos brutos do arrendamento – renda anual dividida pelo preço de compra, antes de impostos, manutenção, comissões e outros custos – serão mais elevados em 2026.
10. Roma: rendimento médio do arrendamento 7,12%
Roma surge em décimo lugar, mas a capital italiana ilustra um dos contrastes mais claros do mercado imobiliário europeu: prestígio versus rendimento.
No centro histórico – em torno do Panteão, da Piazza Navona e de Trastevere – compradores internacionais disputam um stock habitacional reduzido, o que faz disparar os preços e comprime os rendimentos.
Um apartamento T1 no “centro” de Roma custa 472 500 € mas rende apenas 2 170 € por mês, o que equivale a um rendimento bruto anual de 5,51%.
Fora do núcleo histórico, porém, as contas melhoram de forma significativa.
No conjunto da cidade, um apartamento T1 custa em média cerca de 225 000 € e arrenda-se por aproximadamente 1 450 € mensais, o que coloca o rendimento perto de 7,7%. O melhor retorno vem das tipologias mais pequenas: um estúdio que custa 149 000 € e se arrenda por 1 000 € ao mês gera 8,05%.
Em Roma, a vista digna de postal costuma sair à custa do rendimento do arrendamento.
9. Dublin: rendimento médio do arrendamento 7,22%
A escassez de habitação em Dublin continua a sustentar algumas das rendas mais elevadas da Europa.
A capital irlandesa – casa da Guinness, das portas georgianas de Merrion Square e de um sector tecnológico que mantém o mercado de arrendamento permanentemente pressionado – regista um rendimento médio do arrendamento de 7,22%.
Um apartamento T1 custa 295 000 € e arrenda-se por 2 000 € por mês, o que corresponde a um rendimento bruto de 8,14%. Esta tipologia é também a mais rentável na cidade.
Em toda a Irlanda, os preços das casas quase duplicaram desde 2012, com uma subida nominal de 99%, enquanto as rendas aumentaram 71% no mesmo período.
8. Nápoles: rendimento médio do arrendamento 7,22%
Nápoles iguala Dublin em rendimento, mas fica muito abaixo em termos de preço. Na cidade da pizza margherita, com o Vesúvio no horizonte e a Spaccanapoli a atravessar um centro histórico classificado pela UNESCO, um apartamento T1 custa 145 500 € e arrenda-se por 950 € por mês – um rendimento bruto de 7,84%.
O destaque, porém, vai para o estúdio de entrada de gama: por apenas 70 000 €, com uma renda de 700 € mensais, proporciona um impressionante rendimento bruto de 12%, o mais elevado desta lista, a par de outra cidade.
Uma forte procura estudantil e o turismo ao longo de todo o ano continuam a sustentar as taxas de ocupação das tipologias mais pequenas.
7. Barcelona: rendimento médio do arrendamento 7,40%
A única cidade espanhola neste ranking – terra da Sagrada Família de Gaudí, da hora do vermute e do FC Barcelona – regista um rendimento médio do arrendamento de 7,40% no conjunto das zonas analisadas.
Um apartamento T1 custa 240 000 € e arrenda-se por 1 590 € mensais, o que equivale a um rendimento bruto de 7,95%. Os T1 são também a categoria mais rentável da cidade neste indicador.
Ainda assim, o mercado habitacional de Barcelona é cada vez mais marcado pela escassez.
A oferta de casas para arrendar na Catalunha mantém-se perto de mínimos históricos, enquanto a procura continua a vir de turistas, estudantes, trabalhadores à distância e residentes estrangeiros.
“Apartamentos acessíveis em Barcelona são, segundo relatos, cada vez mais difíceis de encontrar, uma vez que a oferta de habitação para arrendar em toda a Catalunha se mantém em mínimos históricos”, afirmou Lalaine Delmendo, analista de mercado da Global Property Guide.
“Madrid continuou a liderar em volume absoluto de transações, enquanto o crescimento homólogo mais forte foi registado noutros grandes mercados, em particular Barcelona e Sevilha”, acrescentou Delmendo.
6. Riga: rendimento médio do arrendamento 7,47%
A capital da Letónia – conhecida pela arquitetura Art Nouveau, pelas torres do centro histórico medieval e por um Mercado Central instalado em antigos hangares de dirigíveis Zeppelin – oferece alguns dos rendimentos de arrendamento mais elevados da Europa, embora a valorização a longo prazo tenha sido fraca.
Um apartamento T1 custa 125 000 € e arrenda-se por 750 € por mês, gerando um rendimento bruto de 7,20%, mas o melhor retorno vem das tipologias maiores: um T2 que custa 187 000 € proporciona 8,34%.
A contrapartida está na valorização do capital. Nos últimos cinco anos, os preços reais em Riga caíram 23,66%, com um crescimento nominal de apenas 3,77%.
Essa estagnação é ao mesmo tempo risco e atrativo para os investidores: pouca valorização, mas preços de entrada suficientemente baixos para tornar o rendimento do arrendamento o principal argumento.
5. Turim: rendimento médio do arrendamento 7,68%
Primeira capital de Itália – cidade da Mole Antonelliana e berço do chocolate gianduiotto – Turim esconde um bom negócio de compra para arrendamento por detrás da sua grandiosidade barroca.
Durante muito tempo ofuscada por Milão, a antiga base industrial da Fiat combina preços de aquisição mais baixos com forte procura estudantil, emprego na área da engenharia e uma cena cultural e gastronómica em crescimento em torno da Piazza Castello e das margens do rio Pó.
Os números impressionam. No conjunto de Turim, um apartamento T1 custa cerca de 99 000 € e arrenda-se por aproximadamente 850 € por mês – o suficiente para gerar rendimentos brutos acima dos 10%.
Rendimentos deste nível são cada vez mais raros nas grandes cidades da Europa Ocidental.
No centro histórico, porém, o cenário altera-se rapidamente.
Aí, os T1 custam cerca de 255 000 € e geram cerca de 1 200 € de renda mensal, o que baixa o rendimento para perto de 5,6%.
4. Jyväskylä: rendimento médio do arrendamento 8,02%
A cidade universitária finlandesa de Jyväskylä é talvez a maior surpresa deste ranking.
Situada na região dos lagos finlandeses, entre Helsínquia e a Lapónia, Jyväskylä alberga a maior coleção mundial de edifícios desenhados por Alvar Aalto e enche as ruas, todos os verões, com os motores do Campeonato do Mundo de Ralis.
Quase um terço dos residentes são estudantes.
Um apartamento T1 custa 90 000 € e arrenda-se por 680 € mensais, o que corresponde a um rendimento bruto de 9,07%. Os T1 são também, de forma clara, o tipo de apartamento com melhor desempenho entre os analisados.
A forte procura estudantil e os preços imobiliários relativamente baixos fazem de Jyväskylä a cidade com maior rendimento no norte da Europa dentro da zona euro.
3. Cork: rendimento bruto médio 8,20%
A segunda cidade irlandesa – construída sobre as ilhas pantanosas do rio Lee, orgulhosa do mercado coberto English Market e da sua spiced beef – surge em terceiro lugar.
Cork exige preços de entrada muito inferiores aos de Dublin, ao mesmo tempo que beneficia de uma procura sólida de arrendamento graças a uma economia local em crescimento.
A cidade do sul da Irlanda beneficia de investimento farmacêutico, de um sector tecnológico em expansão e de um forte crescimento populacional.
Um apartamento T1 custa 235 000 € e arrenda-se por 1 600 € por mês, o que equivale a um rendimento bruto de 8,17%. As tipologias maiores conseguem ainda mais: os T2 proporcionam os melhores retornos da cidade.
Na Irlanda, Cork destaca-se cada vez mais como um mercado movido pelo rendimento do arrendamento e não pelos preços de prestígio.
2. Palermo: rendimento médio do arrendamento 8,25%
A capital da Sicília – cidade de catedrais normandas, do bulício do mercado de rua Ballarò e de uma cultura de comida de rua assente em arancine e panelle – fica muito perto do primeiro lugar.
Palermo combina o apelo do estilo de vida mediterrânico com níveis de preços que continuam invulgarmente baixos para os padrões da Europa Ocidental.
Um apartamento T1 custa 85 000 € e arrenda-se por 700 € mensais, o que representa um rendimento bruto de 9,88%.
Os apartamentos de maior dimensão continuam também relativamente acessíveis.
Um T2 custa em média 115 000 € e arrenda-se por cerca de 800 € por mês, o que equivale a um rendimento de aproximadamente 8,3%.
“Algumas zonas da Sicília oferecem casas surpreendentemente acessíveis. Itália tem também incentivos fiscais para novos residentes, o que pode fazer a diferença para estrangeiros que se mudem para o país”, afirmou Mikk Kalmet, especialista global em imobiliário da Global Property Guide.
1. Catânia: rendimento médio do arrendamento 9,17%
O rendimento de arrendamento mais elevado da zona euro pertence a uma cidade construída em pedra vulcânica negra, à sombra do monte Etna.
Catânia – com a sua catedral barroca e o rebuliço matinal do mercado de peixe da Pescheria – lidera o ranking com um rendimento médio do arrendamento de 9,17%.
Os números que sustentam esta posição são impressionantes. Um apartamento T1 custa cerca de 70 000 € e arrenda-se por 650 € por mês, o que representa um rendimento bruto de 11,14%.
O estúdio de entrada de gama tem um desempenho ainda melhor, com um retorno de 12% para um investimento de 51 000 € – o preço mais baixo de toda esta lista.
Catânia fica também a cerca de 50 quilómetros de Taormina, um dos destinos de férias mais cobiçados do Mediterrâneo, o que alimenta um mercado de arrendamento de curta duração que funciona praticamente todo o ano.
Segundo os dados, Catânia é o mercado de compra para arrendamento com melhor desempenho na zona euro em 2026.