Grupo francês de bebidas Remy Cointreau registou queda de 35% no lucro anual devido a tarifas que travaram vendas na China e EUA, mas as ações dispararam mais de 10% na manhã de quinta-feira
Rémy Cointreau SA registou uma forte queda do lucro anual, embora o resultado tenha superado as expectativas dos analistas, com a melhoria do desempenho nas Américas a ajudar a compensar o impacto das tarifas alfandegárias em mercados-chave, incluindo os Estados Unidos e a China.
A valorização do euro face às principais moedas tornou também o seu cognac e outras bebidas espirituosas mais caros nos mercados internacionais, com o aumento dos custos de produção a penalizar as margens de lucro.
O grupo tem enfrentado, nos últimos anos, as tarifas impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, e as taxas retaliatórias da China sobre as importações de cognac.
Franck Marilly, presidente executivo, afirmou em comunicado que «ganhámos várias batalhas essenciais» num «ambiente macroeconómico e geopolítico persistentemente complexo».
O lucro líquido recuou para 78,7 milhões de euros no exercício até ao final de março, face a 121,2 milhões um ano antes, com as vendas a diminuírem 5%, para 935,3 milhões.
A margem de resultado operacional corrente da Rémy Cointreau desceu para 17,7%, face a 22%, embora a empresa preveja uma melhoria «ligeira» da margem no atual exercício, apesar de continuar a contar que as tarifas dos EUA e da China e a força do euro pressionem o resultado líquido.
Ainda assim, as ações da empresa dispararam nas primeiras transações na bolsa de Paris. Perto das 9h45, os títulos avançavam cerca de 12%, para 42,12 euros.
A subida coincide com o lançamento de um plano de recuperação de três anos, concebido para acelerar o crescimento e reforçar o modelo de negócio, numa altura em que o grupo francês de bebidas espirituosas procura recuperar quota de mercado num contexto económico desafiante.
Ao abrigo do programa RC Forward, a empresa planeia expandir-se nos mercados emergentes e no canal global de travel retail, dinamizar o crescimento da sua gama de cognacs premium e melhorar a eficiência operacional.
O grupo indicou que o plano deverá gerar cerca de 100 milhões de euros em resultado operacional adicional e ganhos de eficiência até 2028-29, face a 2025-26.
«As nossas marcas estão a recuperar terreno nos Estados Unidos, a Rémy Martin está a reforçar a sua liderança e quota de mercado na China e o nosso negócio de Travel Retail está a recuperar gradualmente, com o objetivo de duplicar de dimensão em três anos», afirmou Marilly em comunicado, referindo-se às vendas em lojas duty-free nos aeroportos.
Analistas alertam que a escalada de tensões no Médio Oriente poderá acrescentar incerteza às empresas de bens de consumo se a subida dos preços da energia continuar a enfraquecer a despesa dos consumidores.
Para o próximo exercício, a empresa aponta a um retorno ao crescimento orgânico das vendas, acompanhado de uma melhoria modesta da margem operacional corrente.
«Em 2026-27, a Rémy Cointreau antecipa um regresso a um crescimento orgânico sustentável das vendas, com uma dinâmica que deverá reforçar-se progressivamente ao longo do ano», indicou a empresa.