As bolsas asiáticas recuaram esta quinta-feira, arrastadas pela venda de ações de chips, enquanto a Europa abriu estável e os futuros nos EUA caíam antes de um relatório-chave sobre o emprego.
A maioria das bolsas asiáticas recuou esta quinta-feira, pressionada por uma vaga de vendas em ações de semicondutores, numa altura em que as praças europeias iniciavam a sessão de forma tímida e Wall Street se preparava para abrir no vermelho antes da divulgação de dados-chave sobre o emprego nos Estados Unidos.
A correção concentrou-se no setor tecnológico, com os investidores a afastarem-se das ações de chips que têm alimentado grande parte da subida deste ano, num contexto de crescente inquietação de que as enormes verbas que as grandes tecnológicas estão a dedicar à inteligência artificial possam deixar o mercado saturado de oferta.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi foi o mais penalizado, recuando cerca de 5% à medida que os grandes fabricantes de chips deslizavam. A especialista em memória SK Hynix perdeu perto de 8% e a Samsung Electronics caiu mais de 6%.
Em Tóquio, o Nikkei 225 desvalorizou cerca de 1,5%, com a fabricante de equipamentos para chips Tokyo Electron a perder perto de 5,6%, enquanto o Taiex de Taiwan recuou 1,1%, depois de a TSMC, maior produtora contratual de chips do mundo, ceder 1,8%.
As quedas seguiram-se a uma sessão difícil para as ações de semicondutores em Wall Street, na quarta-feira, em que a Micron Technology desvalorizou mais de 10% e a Intel caiu cerca de 9%.
As movimentações contrastam com um ano de forte valorização para a tecnologia asiática, com o Kospi e o Nikkei ainda a subir cerca de 85% e 34%, respetivamente, em 2026.
Já o Hang Seng, em Hong Kong, avançou cerca de 0,8%, impulsionado pela subida de 8,7% da fabricante de veículos elétricos BYD, após anunciar o segundo aumento mensal consecutivo nas vendas, enquanto o Sensex da Índia ganhou 0,5%.
Na Europa, os mercados abriram estáveis, com o Euro Stoxx 50 e o mais amplo Stoxx 600 pan-europeu a negociarem dentro de uma variação de 1% no arranque da sessão de quinta-feira.
O FTSE 100 britânico, o DAX 30 alemão, o CAC 40 francês e o IBEX 35 espanhol avançavam todos entre 0,1% e 0,3%.
Em Itália, o FTSE MIB liderava os ganhos, ao subir cerca de 0,4%.
Estados Unidos: petróleo prolonga queda e dados do emprego em foco
Os preços do crude voltaram a cair, negociando já abaixo dos níveis anteriores ao início da guerra com o Irão, no final de fevereiro, à medida que crescem as expectativas de uma recuperação gradual dos fornecimentos através do estreito de Ormuz.
O Brent, referência internacional, recuou cerca de 1%, para cerca de 70,89 dólares por barril, enquanto o WTI, referência norte-americana, caiu 3%, para perto de 69 dólares.
Agora, o foco desloca-se para os Estados Unidos, onde os futuros sobre ações recuavam ligeiramente antes do relatório de emprego de junho, antecipado um dia devido às comemorações do Dia da Independência na sexta-feira.
Os economistas inquiridos pela Dow Jones esperam que tenham sido criados cerca de 115 mil postos de trabalho no mês passado.
O número é particularmente relevante sob a presidência do novo líder da Reserva Federal, Kevin Warsh, com os investidores receosos de que um valor robusto possa reforçar o argumento para manter as taxas de juro elevadas por mais tempo.
Segundo economistas da Capital Economics, a procura por inteligência artificial poderá continuar a crescer, mas a um ritmo mais lento do que muitos antecipam, advertência que contribuiu para deteriorar o sentimento em relação ao setor.