A oferta da Paramount continua a enfrentar obstáculos do outro lado do Atlântico, depois de um juiz federal da Califórnia ter ordenado, esta semana, que as empresas suspendessem temporariamente a sua fusão.
A União Europeia aprovou na quarta-feira, sob condições, a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, no valor de 110 mil milhões de dólares (94 mil milhões de euros).
Citando preocupações quanto ao impacto do negócio na distribuição cinematográfica na Europa, Bruxelas afirmou que a Paramount deve alienar a sua participação na United International Pictures, uma joint venture com a Universal, no Espaço Económico Europeu (EEE), que inclui os 27 Estados-membros da UE.
As autoridades reguladoras europeias afirmaram que a Paramount não poderá, durante 10 anos, celebrar, direta ou indiretamente, qualquer acordo com a Universal para a distribuição conjunta de filmes no Espaço Económico Europeu (EEE).
"Estes compromissos respondem plenamente às preocupações em matéria de concorrência identificadas pela Comissão (Europeia), garantindo que os filmes da entidade resultante da fusão não serão distribuídos em conjunto com os da Universal ou da Disney", afirmou a UE.
"Sob a supervisão da Comissão, um administrador independente irá monitorizar a sua implementação", acrescentou.
A UE afirmou que é improvável que o acordo prejudique a concorrência na produção cinematográfica, citando a presença de grandes concorrentes como a Disney, estúdios norte-americanos de menor dimensão, incluindo a Amazon MGM, e produtores cinematográficos europeus.
O acordo continua a enfrentar obstáculos jurídicos nos Estados Unidos, depois de um juiz federal da Califórnia ter suspendido temporariamente a fusão esta semana.
Está marcada para 3 de agosto uma audiência sobre uma medida cautelar, o que poderá impedir que a transação seja concluída antes de uma decisão final.
A fusão planeada suscitou uma oposição significativa, com os críticos a alertarem que poderá remodelar fundamentalmente Hollywood.
Se concretizada, reduziria o número de grandes estúdios cinematográficos norte-americanos para quatro. Os opositores argumentam que o acordo poderá levar a cortes generalizados de postos de trabalho, à redução do número de filmes produzidos e lançados e a uma menor concorrência em todo o setor.