Polónia está hoje entre os países da UE que mais rapidamente aumentam a dívida. No 1.º trimestre de 2026, só Finlândia e Bulgária registaram subida maior.
Em simultâneo, o Ministério das Finanças informou que a dívida do Tesouro ultrapassou, no final de maio, 2,13 mil milhões de zlotys (492 mil milhões de euros) e, desde o início do ano, aumentou cerca de 184 mil milhões de zlotys. As estimativas preliminares indicam que, em junho, esta dívida cresceu mais 53,7 mil milhões de zlotys e já atinge quase 2,19 mil milhões de zlotys (505 milhões de euros).
Polónia destaca-se na Europa pelo aumento da dívida
Segundo dados do Eurostat, no final do primeiro trimestre a relação entre a dívida do setor das administrações públicas e o PIB na Polónia aumentou em 4,5 pontos percentuais em termos homólogos. Trata-se do terceiro maior incremento na União Europeia, superado apenas pela Finlândia (5,5 pontos percentuais) e pela Bulgária (4,8 pontos percentuais).
Ao mesmo tempo, o nível de endividamento da Polónia permanece claramente abaixo da média da União. No final do primeiro trimestre de 2026, situava-se em 61,6% do PIB, face a uma média da UE em torno de 82,9% do PIB. Para efeitos de comparação, a dívida da Grécia ultrapassa 143,5% do PIB, a de Itália cerca de 138,9% e a de França mais de 117,6%.
Assim, a dívida pública da Polónia calculada segundo a metodologia do Eurostat ultrapassou o limiar de 60%, que, de acordo com a Constituição polaca, obrigaria o governo a aplicar medidas de poupança significativas.
Dívida do Tesouro ultrapassa 2,1 mil milhões de zlotys
Ainda mais impressionantes são os números do Ministério das Finanças relativos à dívida do Tesouro, que não coincide com a definição europeia de dívida pública, mas constitui a sua componente principal.
No final de maio de 2026, a dívida do Tesouro ascendia a 2,135 mil milhões de zlotys. Só em maio aumentou 46,8 mil milhões de zlotys e, desde o início do ano, cresceu 183,7 mil milhões de zlotys, o que corresponde a 9,4%.
De acordo com as estimativas preliminares do Ministério das Finanças, no final de junho a dívida rondava já cerca de 2,189 mil milhões de zlotys, o que representa um novo aumento mensal superior a 53 mil milhões de zlotys.
A principal origem deste aumento são as necessidades de financiamento do orçamento do Estado, ligadas à cobertura de um défice elevado e ao reforço dos saldos nas contas orçamentais.
Necessidades de financiamento atingem máximos históricos
A dimensão das emissões de obrigações deste ano não tem precedentes. O Ministério das Finanças prevê angariar em 2026 cerca de 138,6 mil milhões de zlotys de novo financiamento líquido, o valor mais elevado na história das finanças públicas polacas.
Estas necessidades tão elevadas resultam sobretudo de um défice orçamental recorde e da necessidade de refinanciar obrigações emitidas no passado. Uma parte significativa das novas emissões é realizada antecipadamente para garantir ao Estado liquidez suficiente e reduzir o risco associado a uma eventual deterioração das condições nos mercados.
Polónia: quem empresta dinheiro ao Estado
A estrutura da dívida mostra que a Polónia se financia sobretudo no mercado interno. No final de maio, cerca de 80% da dívida do Tesouro correspondia a passivos domésticos, enquanto pouco menos de 20% dizia respeito a obrigações externas.
Os principais credores continuam a ser os bancos nacionais e o setor não bancário doméstico, embora quase 29% da dívida esteja também nas mãos de investidores estrangeiros.
O Ministério das Finanças sublinha que a parcela da dívida denominada em moedas estrangeiras se mantém abaixo dos 20%, bem aquém do limite estratégico de 25%. Esta estrutura ajuda a reduzir o risco associado às flutuações cambiais.
Há motivos para preocupação?
O aumento da dívida, por si só, não implica automaticamente um agravamento da situação das finanças públicas. Determinantes fundamentais são o ritmo de crescimento económico, o nível do défice e os custos de serviço da dívida.
Atualmente, a Polónia continua abaixo da média de endividamento da União Europeia. Porém, o ritmo de crescimento da dívida é um dos mais elevados na União, o que significa que, nos próximos anos, será cada vez mais difícil garantir a estabilidade das contas públicas e conter os custos de financiamento.
Economistas alertam que, se o défice elevado se mantiver por um período prolongado e o crescimento económico enfraquecer, a margem para continuar a aumentar a despesa pública irá diminuir gradualmente.