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Polónia: dívida cresce a ritmo recorde, só dois países da UE avançam mais rápido

Ministro das Finanças da Polónia, Andrzej Domański
Ministro das Finanças da Polónia, Andrzej Domański Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved.
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De Jan Bolanowski
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Polónia está hoje entre os países da UE que mais rapidamente aumentam a dívida. No 1.º trimestre de 2026, só Finlândia e Bulgária registaram subida maior.

Em simultâneo, o Ministério das Finanças informou que a dívida do Tesouro ultrapassou, no final de maio, 2,13 mil milhões de zlotys (492 mil milhões de euros) e, desde o início do ano, aumentou cerca de 184 mil milhões de zlotys. As estimativas preliminares indicam que, em junho, esta dívida cresceu mais 53,7 mil milhões de zlotys e já atinge quase 2,19 mil milhões de zlotys (505 milhões de euros).

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Polónia destaca-se na Europa pelo aumento da dívida

Segundo dados do Eurostat, no final do primeiro trimestre a relação entre a dívida do setor das administrações públicas e o PIB na Polónia aumentou em 4,5 pontos percentuais em termos homólogos. Trata-se do terceiro maior incremento na União Europeia, superado apenas pela Finlândia (5,5 pontos percentuais) e pela Bulgária (4,8 pontos percentuais).

Ao mesmo tempo, o nível de endividamento da Polónia permanece claramente abaixo da média da União. No final do primeiro trimestre de 2026, situava-se em 61,6% do PIB, face a uma média da UE em torno de 82,9% do PIB. Para efeitos de comparação, a dívida da Grécia ultrapassa 143,5% do PIB, a de Itália cerca de 138,9% e a de França mais de 117,6%.

Assim, a dívida pública da Polónia calculada segundo a metodologia do Eurostat ultrapassou o limiar de 60%, que, de acordo com a Constituição polaca, obrigaria o governo a aplicar medidas de poupança significativas.

Dívida do Tesouro ultrapassa 2,1 mil milhões de zlotys

Ainda mais impressionantes são os números do Ministério das Finanças relativos à dívida do Tesouro, que não coincide com a definição europeia de dívida pública, mas constitui a sua componente principal.

No final de maio de 2026, a dívida do Tesouro ascendia a 2,135 mil milhões de zlotys. Só em maio aumentou 46,8 mil milhões de zlotys e, desde o início do ano, cresceu 183,7 mil milhões de zlotys, o que corresponde a 9,4%.

De acordo com as estimativas preliminares do Ministério das Finanças, no final de junho a dívida rondava já cerca de 2,189 mil milhões de zlotys, o que representa um novo aumento mensal superior a 53 mil milhões de zlotys.

A principal origem deste aumento são as necessidades de financiamento do orçamento do Estado, ligadas à cobertura de um défice elevado e ao reforço dos saldos nas contas orçamentais.

Necessidades de financiamento atingem máximos históricos

A dimensão das emissões de obrigações deste ano não tem precedentes. O Ministério das Finanças prevê angariar em 2026 cerca de 138,6 mil milhões de zlotys de novo financiamento líquido, o valor mais elevado na história das finanças públicas polacas.

Estas necessidades tão elevadas resultam sobretudo de um défice orçamental recorde e da necessidade de refinanciar obrigações emitidas no passado. Uma parte significativa das novas emissões é realizada antecipadamente para garantir ao Estado liquidez suficiente e reduzir o risco associado a uma eventual deterioração das condições nos mercados.

Polónia: quem empresta dinheiro ao Estado

A estrutura da dívida mostra que a Polónia se financia sobretudo no mercado interno. No final de maio, cerca de 80% da dívida do Tesouro correspondia a passivos domésticos, enquanto pouco menos de 20% dizia respeito a obrigações externas.

Os principais credores continuam a ser os bancos nacionais e o setor não bancário doméstico, embora quase 29% da dívida esteja também nas mãos de investidores estrangeiros.

O Ministério das Finanças sublinha que a parcela da dívida denominada em moedas estrangeiras se mantém abaixo dos 20%, bem aquém do limite estratégico de 25%. Esta estrutura ajuda a reduzir o risco associado às flutuações cambiais.

Há motivos para preocupação?

O aumento da dívida, por si só, não implica automaticamente um agravamento da situação das finanças públicas. Determinantes fundamentais são o ritmo de crescimento económico, o nível do défice e os custos de serviço da dívida.

Atualmente, a Polónia continua abaixo da média de endividamento da União Europeia. Porém, o ritmo de crescimento da dívida é um dos mais elevados na União, o que significa que, nos próximos anos, será cada vez mais difícil garantir a estabilidade das contas públicas e conter os custos de financiamento.

Economistas alertam que, se o défice elevado se mantiver por um período prolongado e o crescimento económico enfraquecer, a margem para continuar a aumentar a despesa pública irá diminuir gradualmente.

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