Peter Navarro, conselheiro comercial da Casa Branca, afirmou aos jornalistas, numa teleconferência, que a China está a desviar as suas exportações através de mais de 40 países.
A Casa Branca afirmou, num novo relatório divulgado na quinta-feira, que os países estão a encaminhar as suas exportações através de países terceiros para evitar as tarifas dos EUA, estimando que haja perdas de receitas fiscais entre 19 mil milhões e 26 mil milhões de dólares (cerca de 16,5 mil milhões a 22,6 mil milhões de euros) por ano.
Peter Navarro, conselheiro comercial da Casa Branca, disse aos jornalistas, numa teleconferência, que a China está a "branquear" as suas exportações através de mais de 40 países, embora tenha afirmado que as questões levantadas no relatório se referiam, na verdade, a outras nações que facilitam a evasão às tarifas.
"Durante anos, o grande esquema de transbordo permitiu que a China comunista 'branqueasse' as suas exportações", disse Navarro.
O relatório surge antes da visita, prevista para setembro, do líder chinês Xi Jinping, a quem o presidente Donald Trump se referiu em termos elogiosos durante a sua própria visita a Pequim, em maio.
Em resposta ao aumento dos direitos aduaneiros em 2018, a China enviou os seus produtos para países como o México e a Malásia para embalagem e montagem limitada, uma prática conhecida como transbordo, de acordo com a investigação. Embora Pequim tenha conseguido continuar a expandir o seu setor industrial de formas que poderiam representar uma ameaça para as empresas e os postos de trabalho norte-americanos, esta tendência deu a impressão de que as importações dos EUA provenientes da China tinham diminuído.
Pequim descreveu a sua relação com Washington como uma de "estabilidade estratégica", mas as políticas governamentais que apoiam as exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automóvel, metalúrgico e eletrónico na América, na Europa, no Japão e noutros locais.
Novos quadros comerciais visam penalizar quem contorna tarifas
Navarro referiu que outros países, como a Índia, poderiam potencialmente recorrer ao transbordo para contornar os novos direitos aduaneiros e que os novos quadros comerciais da administração Trump incluiriam cláusulas que garantissem que os parceiros comerciais que participassem nessa prática enfrentariam consequências.
A administração Trump impôs tarifas elevadas a grande parte do mundo na esperança de proteger os fabricantes norte-americanos, afetando tanto aliados como rivais com impostos sobre as importações. Ao mesmo tempo, essas tarifas criaram novas pressões inflacionistas a nível interno.
O relatório inclui uma série de estimativas sobre a dimensão dos transbordos destinados a evitar direitos aduaneiros, citando dados do governo e do setor privado para estimar que são transbordadas anualmente mercadorias no valor aproximado de 34,2 mil milhões a 303 mil milhões de dólares (cerca de 29,7 mil milhões a 263 mil milhões de euros).
Utilizou-se um valor central de 75 mil milhões de dólares em mercadorias transbordadas para estimar o montante de receitas fiscais perdidas.
Segundo Navarro, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA começou a utilizar inteligência artificial num programa-piloto para travar os transbordos, com o objetivo de resolver a questão.
As importações de um importador podem estar sujeitas a direitos aduaneiros retroativos que remontam a cerca de um ano, caso se descubra que o importador falsificou a proveniência de uma mercadoria, alertou Navarro.
As tarifas impostas por Trump durante o seu segundo mandato têm enfrentado uma série de contestações judiciais, tendo o Supremo Tribunal anulado algumas delas em fevereiro.
Os EUA continuam a importar mais do que exportam para o resto do mundo, mas o desequilíbrio comercial registado até agora este ano, de 371 mil milhões de dólares (cerca de 322 mil milhões de euros), é cerca de 189 mil milhões de dólares (164 mil milhões de euros) inferior ao registado durante o mesmo período do ano passado.