Loader
Encontra-nos
Publicidade

Hong Kong: ações da Shein caem na estreia com tarifas e custos da guerra no Irão

Ficheiro – Logótipo da retalhista online Shein numa T-shirt na cerimónia de admissão em Hong Kong, 1 set. 2026. (AP Photo/Chan Long Hei)
FOTO DE ARQUIVO - Logótipo da retalhista de moda rápida online Shein num T-shirt na cerimónia de cotação em Hong Kong, 1 de setembro de 2026. (AP Photo/Chan Long Hei) Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Una Hajdari
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Shein entra na bolsa de Hong Kong após falhanços em Nova Iorque e Londres, enquanto tarifas dos EUA e custos de envio em alta pressionam lucros.

As ações da gigante da moda rápida Shein chegaram a cair 10% na estreia em bolsa em Hong Kong, esta terça-feira, antes de recuperarem parte das perdas, após anos de adiamentos nos planos de entrada em bolsa e de obstáculos regulatórios na Europa e nos Estados Unidos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A oferta pública inicial (IPO) da Shein abriu a 24 de agosto, com o preço final das ações fixado uma semana depois, a 31 de agosto. A negociação começou no dia seguinte, terça-feira.

Este intervalo reflete o processo habitual de uma IPO: durante cerca de uma semana os investidores colocam ordens, os bancos que coordenam a operação fixam depois o preço final e escolhem quem recebe ações, e a negociação abre alguns dias úteis mais tarde, após a autorização definitiva da bolsa.

A cotação em Hong Kong põe termo a uma longa busca por um mercado disposto a receber a Shein, depois de os planos para se estrear em Nova Iorque e Londres terem ficado bloqueados devido ao escrutínio das cadeias de abastecimento chinesas, levando a empresa a virar-se para Hong Kong.

Novas tarifas dos Estados Unidos e da União Europeia sobre encomendas de baixo valor vindas da China, juntamente com o aumento dos custos de transporte marítimo devido à guerra no Irão, contribuíram para que a Shein passasse de um lucro de 395 milhões de dólares (340 milhões de euros) para um prejuízo de 99 milhões de dólares (85 milhões de euros) no primeiro trimestre deste ano.

A Shein arrecadou cerca de 1,7 mil milhões de dólares (1,46 mil milhões de euros), fixando o preço das ações em 48,56 dólares de Hong Kong (5,33 euros) cada, numa das maiores operações de venda de ações na cidade este ano.

“A entrada da Shein em Hong Kong marca um novo ponto de partida”, afirmou Leigh Gui, diretor financeiro da empresa, num breve discurso na cerimónia de estreia em bolsa.

Mas, na abertura da sessão, as ações recuaram para menos de 44 dólares de Hong Kong (4,83 euros), antes de reduzirem as perdas.

Tarifas comprimem lucros

A Shein conquistou clientes com moda ultrarrápida e acessível, enviada da China para o Ocidente em poucos dias.

Contudo, o fim das isenções de direitos aduaneiros “de minimis” nos Estados Unidos e na União Europeia aumentou as taxas sobre encomendas de baixo valor vindas da China, incluindo os produtos da Shein. Custos logísticos mais elevados, impulsionados em parte pela guerra no Irão, também pressionaram o modelo de negócio de preços baixos e a rentabilidade da empresa.

Os custos com tarifas obrigaram a Shein a subir preços, “afetando a sua principal vantagem”, afirmou Jacob Cooke, presidente-executivo da WPIC Marketing + Technologies.

Regresso às origens

A Shein — pronuncia-se “she-in” — chegou a ponderar uma entrada em bolsa em Nova Iorque e Londres e transferiu a sede da China para Singapura em 2021.

Mas o escrutínio cada vez mais apertado de Pequim e dos reguladores nos Estados Unidos e na Europa levou a empresa a assumir as raízes chinesas e a optar por uma cotação em Hong Kong.

Fundada em 2012 na China, grande parte das operações da Shein estava localizada na província meridional de Guangdong antes de a sede corporativa sair do país.

“Guangdong é a origem da Shein e o ponto de partida da nossa viagem”, afirmou o fundador, Sky Xu, num discurso em fevereiro.

Este regresso de foco à China também evidenciou as vantagens que a Shein retira de um sistema de cadeia de abastecimento que “só existe” em Guangdong, explicou William Ma, da GROW Investment Group, referindo-se ao modelo de produção em pequenos lotes e resposta rápida.

A expansão da Shein na Europa também encontrou outros obstáculos. Em fevereiro, a União Europeia abriu uma investigação à empresa, centrada em produtos considerados “ilegais”, incluindo alegado material de abuso sexual de menores.

Em maio, a Shein comprou a Everlane, retalhista de roupa sustentável sediada em São Francisco, numa operação que alguns analistas consideraram pouco alinhada com a marca.

Hong Kong ganha impulso com IPO da Shein

O valor de mercado da empresa rondava os 27 mil milhões de dólares (23,2 mil milhões de euros) na estreia em Hong Kong, apenas uma fração da avaliação máxima alcançada há alguns anos.

“A Shein provavelmente perdeu a sua janela de ouro para entrar em bolsa devido à mudança de foco para a inteligência artificial e para as tarifas, que podem afetar avaliações e rentabilidade”, avaliou Gary Ng, economista sénior para a Ásia-Pacífico no banco francês Natixis.

Ainda assim, a cotação da Shein é uma boa notícia para Hong Kong, numa altura em que o território chinês intensifica esforços para preservar o papel de centro financeiro global depois da queda registada em 2023.

A bolsa de Hong Kong tem vivido um ano forte em ofertas públicas iniciais, tendo já captado mais de 40 mil milhões de dólares (34,4 mil milhões de euros).

Há também uma lista crescente de empresas que querem cotar-se ali, acrescentou Lorraine Tan, da empresa de análise de investimentos Morningstar.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Preços do petróleo sobem com novos ataques dos EUA e Irão

Países nórdicos ponderam fundir bolsas num único mercado regional

Nvidia prevê 70% de crescimento em 2028