Berlim pede garantias à UniCredit enquanto perde influência na Commerzbank e banco italiano se aproxima de assumir controlo
O ministro das Finanças alemão reuniu-se esta segunda-feira com o presidente-executivo da UniCredit para obter garantias sobre o futuro do Commerzbank, numa altura em que o banco italiano se prepara para concluir a aquisição do concorrente alemão.
“É de importância crucial para o governo federal que o Commerzbank possa continuar a cumprir o seu papel vital no financiamento da economia alemã”, afirmou o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, num comunicado divulgado após o encontro.
“Esperamos que o Commerzbank continue cotado em bolsa, com sede em Frankfurt, e mantenha a forte aposta no financiamento das pequenas e médias empresas.”
Apesar da forte resistência de Berlim e do próprio banco alemão, a UniCredit acumulou uma participação de quase 50 % no Commerzbank e está prestes a concluir uma das maiores fusões bancárias da Europa dos últimos anos.
Um porta-voz do Ministério das Finanças alemão admitira anteriormente que os bancos entraram agora “numa fase diferente” e estão a negociar uma operação.
Mas sublinhou que Lars Klingbeil quer garantir que os interesses do Commerzbank e do país sejam protegidos durante as negociações em Berlim.
“O Commerzbank tem mais de 40 000 trabalhadores e queremos naturalmente salvaguardar os seus interesses”, afirmou em conferência de imprensa.
Colosso bancário europeu
Berlim considera ainda manter alguma influência sobre o negócio graças à representação no conselho de supervisão do Commerzbank e à participação de cerca de 12 % no banco, ambas herdadas do resgate público durante a crise financeira.
Mas essa margem de manobra deverá ser agora reduzida, tendo em conta a dimensão da participação da UniCredit.
A UniCredit começou a reforçar a posição no capital do Commerzbank em 2024, com o objetivo de lançar uma oferta de aquisição.
O Commerzbank cortou milhares de postos de trabalho e elevou as metas financeiras numa tentativa de convencer os acionistas a apoiar a campanha para se manter independente.
Mas esses esforços falharam e, com a UniCredit prestes a assegurar uma participação de controlo, a presidente-executiva do Commerzbank, Bettina Orlopp, apelou no final de julho a conversações “construtivas” com o banco italiano.
A UniCredit pretende criar um colosso bancário europeu mais capaz de enfrentar os maiores concorrentes norte-americanos e defende que a fusão reforçaria o setor bancário fragmentado da região.
Apesar da resistência na Alemanha, alguns responsáveis em Bruxelas e no Banco Central Europeu têm mostrado maior abertura a uma eventual aquisição.