Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Morreu o gigante do cinema húngaro Béla Tarr aos 70 anos

Béla Tarr
Béla Tarr Direitos de autor  European Film Academy
Direitos de autor European Film Academy
De David Mouriquand
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Conhecido pelas colaborações como o Prémio Nobel László Krasznahorkai, de 'O Tango de Satanás' a 'O Cavalo de Turim', Béla Tarr foi um dos maiores cineastas europeus e deixou um legado cinematográfico de uma beleza invulgar.

Morreu um dia depois de completar 70 anos, após uma longa doença, o lendário realizador, guionista e produtor húngaro Béla Tarr. A notícia da morte de Tarr foi anunciada pelo também realizador Bence Fliegauf à agência noticiosa nacional MTI, em nome da família Tarr.

Conhecido como uma das figuras de referência do cinema contemplativo, sombrio e melancólico, os seus filmes poéticos e frequentemente politicamente vincados apresentavam uma visão pessimista da condição humana e um traço de humor negro.

Nascido em Pécs, Hungria, em 1955, Tarr iniciou carreira no Balázs Béla Stúdió, um dos estúdios húngaros fundamentais para o cinema experimental. Depois de vários filmes, entre os quais Family Nest, Almanac of Fall e Damnation, conquistou reconhecimento internacional em 1994 com a odisseia de sete horas, a preto e branco, O Tango de Satanás, sobre o colapso do comunismo na Europa de Leste, com base no romance homónimo de 1985 do escritor húngaro László Krasznahorkai, mais recente laureado com o Prémio Nobel da Literatura.

Tarr viria a adaptar outro romance de Krasznahorkai,Melancolia da Resistência, de Krasznahorkai, com o título A Harmonia Werckmeister, em 2000.

Este último, um filme sombrio e apocalíptico, ambientado na era comunista na Hungria, também foi amplamente aclamado pela crítica, mas foi o derradeiro filme de Tarr, O Cavalo de Turim (2011), a permanecer como a sua obra-prima tenebrosa.

Béla Tarr no Festival de Cinema de Berlim - 2011
Béla Tarr no Festival de Cinema de Berlim - 2011 AP Photo

Igualmente coescrito por Krasznahorkai, este drama psicológico evoca a história apócrifa sobre o colapso mental do filósofo alemão Friedrich Nietzsche após o chicoteamento de um cavalo em Turim, retratando os quotidianos repetitivos do dono do cavalo e da sua filha. Estreou em 2011 no 61.º Festival de Cinema de Berlim, onde venceu o Urso de Prata, Grande Prémio do Júri.

Após a estreia de O Cavalo de Turim, Tarr anunciou a sua retirada e mudou-se para Sarajevo, onde fundou a escola internacional de cinema film.factory.

Tarr, que se tornou membro da Academia Europeia de Cinema em 1997, foi galardoado com o Prémio Honorário do Presidente e do Conselho da EFA na 36.ª edição dos Prémios Europeus de Cinema, em 2023.

A Academia Europeia de Cinema divulgou a seguinte declaração: “A Academia Europeia de Cinema lamenta um realizador excecional e uma personalidade com forte voz política, que não era apenas profundamente respeitado pelos colegas, mas também celebrado por públicos em todo o mundo.”

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Morreu aos 71 anos Isiah Whitlock Jr., ator de "The Wire" e "Veep"

Partiu uma lenda: Brigitte Bardot morreu aos 91 anos

Chris Rea, cantor de "Driving Home For Christmas", morre aos 74 anos