Congressistas conservadores norte-americanos exigiram uma investigação federal ao espetáculo de intervalo do Super Bowl de Bad Bunny, mas a FCC concluiu que o concerto do porto-riquenho não infringiu qualquer regra.
A reação à histórica atuação de Bad Bunny no Super Bowl teima em não abrandar, com certos círculos políticos nos EUA aparentemente incapazes de aceitar que um espetáculo de intervalo possa ser cantado exclusivamente em espanhol. Ou de ultrapassar o quão horrível foi o espetáculo alternativo dos MAGA.
Depois das queixas de Donald Trump sobre o assunto, vários congressistas republicanos pediram uma investigação, acusando a superestrela porto-riquenha de poder ter violado as normas de decência nas emissões televisivas, apesar de ter censurado ou omitido as letras mais explícitas do espetáculo.
O congressista conservador Andy Ogles pediu uma investigação federal ao espetáculo de intervalo de Bad Bunny no Super Bowl, que classificou de "explícito e indecente". Numa carta aberta ao Comité de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, Ogles exigiu um "inquérito formal do Congresso" à National Football League e à NBCUniversal por terem transmitido a atuação do rapper, afirmando ter ficado ofendido com a interpretação de "Safaera", faixa que criticou pelo "conteúdo lírico gráfico, incluindo referências a anilingus, relações sexuais e outros temas explícitos".
Noutra frente, numa carta dirigida ao presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr, o congressista republicano da Florida Randy Fine escreveu: "O que os americanos testemunharam durante o espetáculo de intervalo do Super Bowl com Bad Bunny foi desprezível e nunca deveria voltar a ser mostrado na televisão… Na América, as nossas leis não são sugestões e, independentemente da língua estrangeira que fale, tem de as cumprir".
Fine citou o verso "el perico es blanco" da canção "NUEVAYoL" de Bad Bunny, uma referência à cocaína.
Embora o medley de temas apresentado nos 13 minutos do espetáculo de intervalo do Super Bowl não incluísse essas palavras explícitas, muitos apressaram-se a sublinhar o quão hipócrita era esta indignação moralista, sobretudo porque o principal problema que os MAGA tinham com o facto de Bad Bunny liderar o cartaz era ele cantar em espanhol...
Barack Obama comentou mesmo o caso numa entrevista ao YouTuber Brian Tyler Cohen, dizendo sobre o espetáculo: "Teve impacto. Foi inteligente porque não pregava. Mostrava. Demonstrava e exibia: isto é o que é uma comunidade".
Continuou: "Pessoas que não falavam espanhol e nunca estiveram em Porto Rico viram aquela idosa a servir uma bebida e as crianças a dançarem com as avós. Era intergeracional e era um lembrete do que o Dr. King chamou de 'comunidade amada', que não é perfeita e é por vezes caótica".
Obama acrescentou: "Sabem, garanto-vos que nem todas aquelas letras seriam provavelmente politicamente corretas e, se as traduzissem... as pessoas são complexas. Mas havia a sensação de que, bem, aqui há lugar para todos".
Agora, a FCC decidiu que o espetáculo de Bad Bunny não violou qualquer regra.
Segundo o New York Post, fontes confirmaram que, como as canções "Tití Me Preguntó", "Monaco" e "Safaera" foram expurgadas de versos que normalmente incluem referências a atos sexuais e órgãos genitais, a FCC terá "arquivado qualquer análise adicional, salvo aparecimento de novas provas".
Talvez agora o movimento MAGA possa finalmente seguir em frente e admitir que o espetáculo de intervalo da Turning Point USA foi um fracasso comparado com o espetáculo unificador e festivo de Bad Bunny.
Os números oficiais indicam que o espetáculo oficial de intervalo foi o quarto mais visto da história do Super Bowl, com Bad Bunny a reunir 128,2 milhões de telespetadores.
Fica atrás do espetáculo recordista de Kendrick Lamar em 2025 (133,5 milhões), do concerto de Michael Jackson em 1993 (133,4 milhões) e da atuação de Usher em 2024 (129,3 milhões).
Segundo a Apple Music, as audições de Bad Bunny aumentaram sete vezes após o espetáculo de intervalo, lideradas pelas canções "DtMF", "BAILE INoLVIDABLE" e "Tití Me Preguntó".
Bad Bunny está a preparar uma digressão. As datas europeias já anunciadas são:
- 22-23 maio 2026: Barcelona, Espanha – Estadi Olímpic Lluís Companys
- 26-27 maio 2026: Lisboa, Portugal – Estádio da Luz
- 30 maio – 15 jun. 2026: Madrid, Espanha – Riyadh Air Metropolitano
- 20-21 jun. 2026: Düsseldorf, Alemanha – Merkur Spiel-Arena
- 23-24 jun. 2026: Arnhem, Países Baixos – GelreDome
- 27-28 jun. 2026: Londres, Reino Unido – Tottenham Hotspur Stadium
- 1 jul. 2026: Marselha, França – Orange Vélodrome
- 4-5 jul. 2026: Paris, França – La Défense Arena
- 10-11 jul. 2026: Estocolmo, Suécia – Strawberry Arena
- 14 jul. 2026: Varsóvia, Polónia – PGE Narodowy
- 17-18 jul. 2026: Milão, Itália – Ippodromo Snai La Maura
- 22 jul. 2026: Bruxelas, Bélgica – Estádio Rei Balduíno