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Berlinale mantém Tricia Tuttle na direção após polémica sobre Gaza

Crise na Berlinale: Tricia Tuttle mantém-se à frente do festival após polémica sobre Gaza
Crise na Berlinale: Tricia Tuttle mantém liderança do festival após polémica sobre Gaza Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De David Mouriquand
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Tricia Tuttle aceitou manter-se no cargo após a última reunião do comité KBB. O festival recebeu “recomendações” do conselho de supervisão, mas rejeitou alegações de que a Berlinale terá de adotar um novo código de conduta

Festival de Cinema de Berlim mantém afinal a sua diretora.

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Tricia Tuttle, responsável máxima da Berlinale, vai manter-se como diretora do festival, confirmou a organização, após uma reunião do conselho de supervisão, na quarta-feira, com a administração da empresa pública KBB – que gere a Berlinale.

Num comunicado, o festival afirmou que o conselho “confirmou a importância da independência do nosso trabalho”, contrariando informações falsas divulgadas pelo tabloide conservador alemão Bild, segundo as quais a permanência de Tuttle no cargo ficaria condicionada à assinatura, pela Berlinale e pelos seus convidados, de um novo “código de conduta”.

A Berlinale acrescentou que o conselho de supervisão deixou “recomendações e não condições relativas à continuação de Tuttle no cargo”.

As recomendações governamentais passam pela criação de um código de conduta, formação para as equipas que lidam com conteúdos politicamente sensíveis e a criação de um fórum consultivo independente que represente diversos grupos sociais, incluindo vozes judaicas.

O festival acrescentou: “A análise e eventual aplicação destas recomendações cabe agora à Berlinale, que as irá avaliar.”

A liderança de Tuttle ficou em causa depois de a edição deste ano do festival ter sido, numa primeira fase, marcada por críticas ao silêncio em torno do debate político e, mais tarde, por vários cineastas que, nos discursos de agradecimento durante a cerimónia de entrega de prémios, fizeram declarações pró-palestinianas e falaram sobre Gaza.

Segundo relatos, o ministro federal do Ambiente, Carsten Schneider, abandonou a cerimónia depois de o realizador palestiniano Abdallah Al-Khatib, cujo filme Chronicles From The Siege venceu o principal prémio da secção Perspectives, ter acusado o governo alemão de “ser cúmplice do genocídio em Gaza levado a cabo por Israel” – numa referência, em parte, à postura fortemente pró-Israel de Berlim, assente no peso da culpa histórica.

O Bild, que assume uma linha editorial abertamente pró-Israel, sugeriu que Tuttle corria o risco de ser afastada. Numa crónica, o jornalista de direita Gunnar Schupelius acusou Tuttle de ter “posado para a propaganda de Gaza”, citando uma fotografia de Tuttle com Al-Khatib e a equipa de Chronicles From The Siege na estreia mundial do filme na Berlinale. Acusou ainda Tuttle de permitir que o festival fosse instrumentalizado por ativistas “antissemíticos”.

As acusações foram contrariadas por uma forte onda de apoio a Tuttle – não só dentro da Berlinale, mas também de mais de 3 000 profissionais de cinema, que assinaram uma carta aberta onde defendem que a força do festival “reside na capacidade de acolher perspetivas divergentes e dar visibilidade a uma pluralidade de vozes”.

Além disso, 32 diretores de festivais de cinema de todo o mundo, entre os quais o responsável de Cannes, Thierry Frémaux, o diretor executivo do Festival de Toronto, Cameron Bailey, e o diretor de Locarno, Giona A. Nazzaro, assinaram uma carta aberta em que declaram “apoiar o desejo de Tricia Tuttle de continuar como diretora da Berlinale, com plena confiança e independência institucional”.

Os diretores de festivais acrescentaram: “É preciso preservar espaços onde o desconforto é aceite, onde os debates podem ser amplos, onde novas ideias se podem propagar e onde perspetivas inesperadas – e por vezes conflitantes – se tornam visíveis.”

Ainda faltam três anos para o fim do contrato de cinco anos de Tuttle como diretora da Berlinale.

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