Tendo como mote o "Vagar", um conceito "profundamente enraizado nas caraterísticas dos alentejanos e do seu território", Évora está agora a planear uma oferta cultural e artística centrada no seu património e no das "suas gentes" para ser Capital Europeia da Cultura já em 2027.
A cidade portuguesa de Évora, na região do Alentejo, será, durante o ano de 2027, Capital Europeia da Cultura. Um título que também caberá a Liepāja, cidade letã nas margens do Mar Báltico, com a qual irá repartir a responsabilidade de sediar aquele que é, para a Representação da Comissão Europeia em Portugal, "um dos projetos culturais mais ambiciosos da Europa".
Évora torna-se, assim, a quarta cidade portuguesa a ser nomeada Capital Europeia da Cultura, seguindo-se a Lisboa em 1994, ao Porto em 2001 e a Guimarães em 2012.
A programação para 2027 ainda não é conhecida, prevendo-se que seja divulgada no final de 2026. Mas a Associação Évora 2027, entidade responsável pela gestão da referida edição, apresentou já, a 31 de março, a oferta artística prevista para o ano em curso.
Desde masterclasses, eventos musicais e ciclos de cinema, são várias as iniciativas que começam já a arrancar de forma gradual, todas elas sustentadas naquilo que é a identidade muito própria da região.
Até porque há um conceito central a tudo o que está a ser pensado no âmbito de Évora 2027: o de "Vagar". Uma expressão típica do imaginário e das vivências do Alentejo, que insta à reflexão sobre a necessidade de os cidadãos europeus adotarem uma filosofia de vida "mais lenta", e que serve como mote para a próxima Capital Europeia da Cultura portuguesa.
Em entrevista à Euronews, Bruno Fraga Braz, diretor de Comunicação e Alcance de Évora 2027, explicou que, tendo por base esta forma de ser e de estar muito típica da região, na qual ter tempo para refletir e experienciar o que nos rodeia é visto como essencial, é intenção da organização evidenciar o que de melhor o território e a sua população têm para oferecer.
"O património é rico e vasto, a paisagem é única em termos europeus. Portanto, o que nós vamos fazer é criar uma programação ao longo de todo o ano [de 2027], e estamos a trabalhar nela, que mostre como conseguimos ser um evento com raízes tão profundas no Alentejo - trabalhando a nossa riqueza patrimonial e artística, mas tornando-a, na verdade, com uma escala verdadeiramente nacional e internacional", relatou Bruno Fraga Braz.
"Isto sempre com base no que são os valores europeus", entrelaçando-os com o vagar tão "profundamente enraizado nas características dos alentejanos e do seu território", elucidou o diretor de Comunicação e Alcance da entidade. Conceito esse que, acrescentou ainda, oferece "a possibilidade de refletirmos sobre a forma como vivemos as nossas vidas, como nos relacionamos com o tempo, com o outro e com o espaço à nossa volta". Tendo sempre, neste caso, como pano de fundo o "montado alentejano, a planície do Alentejo", enquanto "lugar por excelência do Vagar".
Segundo nota publicada no site da Representação da Comissão Europeia em Portugal, as Capitais Europeias da Cultura têm-se tornado desde 1985, data da implementação da iniciativa, uma ocasião para colocar em destaque "o papel da cultura no desenvolvimento das cidades".
Os seus objetivos passam ainda por "proporcionar aos europeus a oportunidade de aprenderem reciprocamente sobre as respetivas culturas", mas também de "desfrutarem da sua história e valores comuns, viverem o sentimento de pertença à mesma comunidade europeia, estreitarem laços e desenvolverem parcerias culturais europeias".
Évora espera mais de um milhão de visitantes em 2027
À Euronews, Bruno Fraga Braz ressalvou que apesar de "não competir" a Évora 2027, enquanto Capital Europeia da Cultura, "atrair turistas" - somente "proporcionar uma oferta artística, cultural e de experiência para o visitante que seja rica e que tenha valor" -, é já possível fazer algumas previsões sobre aquele que será o impacto estimado desta iniciativa europeia na região, com base nas anteriores edições realizadas em Portugal.
Com base nos "estudos de hospitalidade" que foram feitos, nomeadamente pelo Turismo do Alentejo, sustentando-se na "experiência portuguesa de outras Capitais Europeias da Cultura", sabe-se já que "durante os anos" em que estas decorrem, "o número de visitantes duplica".
De forma mais concreta, prevê-se que Évora 2027 traga igualmente a esta cidade, "e ao Alentejo no seu todo", o dobro dos visitantes habituais: "que normalmente são 600 mil todos os anos e deverão passar, assim, para 1,2 milhões durante o ano de 2027."
Bruno Fraga Braz salientou ainda que o objetivo da Associação Évora 2027 é, com base nas premissas da edição que se avizinha, "proporcionar uma nova forma de experienciar a atividade turística", promovendo um turismo que é, também ele, "mais lento".
"Queremos um visitante que encontre em Évora 2027 a razão para permanecer no território mais tempo. E fazê-lo com tempo, fazê-lo com vagar, vagar no sentido de prestar atenção, prestar atenção à gastronomia, ao que temos para oferecer em termos culturais, artísticos e patrimoniais, e, também, às suas gentes", elucidou Bruno Fraga Braz.
A abertura oficial de Évora 2027 está marcada para 6 de fevereiro do próximo ano.