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"A frustração que se sente não é da Constituição, é do seu incumprimento", diz Seguro

O Presidente da República português António José Seguro
O Presidente da República português António José Seguro Direitos de autor  Presidência da República/Facebook
Direitos de autor Presidência da República/Facebook
De Joana Mourão Carvalho
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No discurso na sessão solene comemorativa do 50.º Aniversário da Constituição da República Portuguesa, na Assembleia da República, Seguro pediu urgência nas respostas na Saúde e Habitação.

O presidente da República, António José Seguro, afirmou que não é a Constituição que impede a resolução dos problemas dos portugueses, acrescentando que a frustração das pessoas prende-se com o incumprimento do texto fundamental.

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Seguro discursava numa sessão solene no Parlamento que assinalou os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa, a 2 de abril de 1976, que estabeleceu os princípios basilares do regime democrático.

"Não é a Constituição que impede a resolução dos problemas concretos dos portugueses. A frustração que os portugueses sentem não é com a Constituição, mas sim com o seu incumprimento", defendeu.

Embora não tenha poder legislativo nem executivo, o presidente jurou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir e fazer cumprir a Constituição, sublinhando que trabalhará num quadro de cooperação com os poderes políticos para que os direitos nela consagrados não fiquem "em letra morta", a começar pelo Serviço Nacional de Saúde, a desigualdade e o problema "inqualificável" da corrupção, que mina a confiança nas instituições.

"Está por cumprir o princípio de uma sociedade justa e solidária", afirmou, frisando que todos os dias saem novos dados preocupantes sobre os custos da habitação. "O Estado despertou tarde e é lento nas respostas. São urgentes respostas e resultados concretos", reiterou.

A Constituição não existe apenas nas instituições, "ela vive e é posta em prática nos valores que partilhamos e na forma como tratamos os outros", referiu o chefe de Estado, avisando que é preciso "preservar os tribunais de leituras ou debates que possam sugerir a sua partidarização", numa altura em que ainda não é conhecida a solução para órgãos como o Tribunal Constitucional.

"Sem tolerância e respeito pelo outro não há Constituição que resista", alertou, defendendo que "a Constituição deu-nos ferramentas, mas cabe-nos a nós e às gerações seguintes saber usá-la".

"A democracia não é um destino adquirido, é uma prática diária. Não basta celebrar em sessão solene, é dar-lhe vida, é garantir que a cada dia estamos mais próximos de uma sociedade justa e solidária, que não deixa ninguém para trás", reforçou.

Durante o discurso, Seguro começou por recordar que "há 50 anos Portugal escrevia, com as mãos ainda trémulas de liberdade, o seu pacto mais solene com o futuro".

Para o presidente, "a Constituição da República Portuguesa foi a lei fundamental e a voz de um povo que, saindo das sombras de décadas de silêncio, escolheu a luz da democracia, da dignidade, da justiça social como seus valores fundacionais".

"Esta data não pertence ao passado, esta data pertence a todos nós. Ao Portugal que somos e que queremos continuar a ser", realçou, homenageando os capitães de Abril, assim como a "Assembleia Constituinte, pela construção de uma República livre e plural".

"A Constituição soube resistir ao tempo e evoluir em sete revisões, revelando flexibilidade sem perder a sua essência - é a matriz comum que dá estabilidade à nossa democracia", destacou, lembrando que foi a lei fundamental que tornou possível o Estado social.

"Éramos uma ditadura, somos uma democracia", rematou.

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