Delegação de eurodeputados que visitou Lisboa aponta "crise severa" da habitação em Portugal e pede ação conjunta dos Estados-membros para resolver problema a nível europeu.
O Parlamento Europeu está preocupado com a falta de oferta de habitação pública em Portugal e recomenda uma ação conjunta dos Estados-membros para resolver a crise da habitação.
De visita a Lisboa, entre 30 de março e 1 de abril, para discutir medidas sobre esta realidade que "está a afetar todos os países da Europa", uma delegação da comissão especial do Parlamento Europeu sobre a Crise na Habitação reuniu-se com autoridades nacionais e representantes do setor.
Em conferência de imprensa, esta quarta-feira, a eurodeputada italiana Irene Tinagli, que lidera a comissão, apresentou os resultados da visita e sublinhou que Portugal enfrenta "uma crise severa".
"O que vimos nestes dias em Lisboa é que Portugal, em particular, está sofrer com uma crise severa devido a uma combinação de fatores como, por exemplo, a oferta muito baixa de habitação pública e social, que é de 2%, provavelmente é uma das mais baixas na União [Europeia], que está, é claro, a criar ainda mais problemas em termos de preços acessíveis", constatou a eurodeputada italiana.
Além do reduzido parque habitacional público — aspeto que a eurodeputada apontou como sendo o ponto em que o Governo mais está a falhar —, o problema em Portugal é a conjugação de vários fatores.
"Em alguns lugares pode haver um fator mais forte do que outros. Aqui, têm todos esses fatores que desempenham um papel importante. Então, muita atratividade para os investidores estrangeiros que deslocaram os moradores, muito turismo e arrendamentos de curto prazo, baixa oferta pública de habitação acessível. Portanto, é uma combinação que, naturalmente, exacerbou o problema", destacou a responsável.
Irene Tinagli também elogiou o facto de Portugal ter dedicado uma grande parte do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) para combater a crise, mas avisou que o desafio passava agora por "manter esse esforço numa altura em que os fundos europeus estão a chegar ao fim".
"Agora, o mais importante é também encontrar formas de cooperação e o compromisso renovado por parte dos governos nacionais, porque a partir de agora terão que comprometer recursos, esforços, reformas, regulamentações para garantir que o que começou nos últimos anos possa ser continuado, porque a crise da habitação é profunda e estrutural e precisará de mais medidas, intervenções e investimentos nos próximos anos", alertou a eurodeputada do grupo político dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu.