A comunidade pediu às Câmaras de Faro e de Loulé e ao Governo que não concedam quaisquer apoios públicos ao espetáculo, que acontece no Algarve a 7 de agosto.
A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) mostrou-se contra o concerto programado de Kanye West no Algarve, principalmente com o facto de a organização ter acesso a apoios e espaço públicos para a concretização do espetáculo.
A CIL terá mesmo enviado um pedido às Câmaras Municipais de Faro e Loulé e até ao próprio Governo para que não concedam quaisquer apoios ao espetáculo, que acontecerá no estádio do Algarve, a 7 de agosto.
David Botelho, presidente da CIL, considera que o Estado está a "normalizar" a atribuição de apoios "a iniciativas e indivíduos com discursos e atitudes antissemitas".
À agência Lusa, David Botelho disse considerar "chocante" que sejam mobilizados recursos para o evento, alegando que este "não só está a permitir a atuação de um conhecido antissemita em Portugal, como num equipamento público que é de todos". Na mesma entrevista, o presidente da CIL considerou a situação uma "normalização inaceitável de algo que não pode ser normalizado, nomeadamente o discurso de ódio".
Até agora, a Comunidade Israelita de Lisboa ainda não recebeu resposta das autarquias visadas.
Concerto em Portugal mantém-se, apesar da polémica
O rapper norte-americano, que assume também o nome artístico Ye, tem visto a sua digressão pela Europa em apuros, com vários concertos cancelados, nomeadamente em países onde crescem as preocupações com ataques antissemitas.
Países como França, Polónica e Suíça opuseram-se à realização de concertos do artista e o Reino Unido recusou até o visto de entrada no país.
No cerne da polémica está o histórico do músico norte-americano marcado por vários comentários antissemitas e racistas, que o fizeram perder concertos, contratos publicitários e fãs.
Portugal é um dos países incluídos na digressão europeia de Kanye West mas, para já, o evento não está ameaçado e o Governo admite apenas tomar medidas se houver risco.
"Houve países que disseram claramente: esse senhor não entra", explicou David Botelho à Lusa, reforçando que a comunidade não pretende uma ação tão drástica, ainda que, pudesse, segundo ela, estar justificada.
"Os sinais de antissemitismo, discurso de ódio direcionado aos judeus, negação do Holocausto, elogio público a Hitler e ao nazismo por parte do indivíduo em causa serem notórios", afirmou David Botelho à agência de notícias portuguesa.