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Hungria: melhor bar da Europa fica em Budapeste segundo novo ranking

O Szimpla Kert, em Budapeste, foi o primeiro bar em ruínas da cidade e lidera este ranking
Szimpla Kert, em Budapeste, foi o primeiro ruin bar da cidade e lidera esta classificação Direitos de autor  Nick Night/Unsplash
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De Saskia O'Donoghue
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De ruínas célebres de Budapeste a tabernas seculares na Bélgica e bares excêntricos, este ranking destaca locais onde contam mais o ambiente, a personalidade e a cultura local do que o brilho.

Pode aprender muito sobre uma cidade ao visitar os seus principais pontos de interesse, museus e monumentos, mas, para chegar verdadeiramente ao seu âmago, dificilmente há melhor ponto de partida do que o bar.

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Dos pubs centenários às tabernas gloriosamente caóticas, os melhores bares da Europa dão um vislumbre da vida local que não encontra nos guias habituais.

Agora, o European Bar Guide, um site independente que publica críticas aos melhores pubs e bares do continente, revelou a sua classificação anual (fonte em inglês) dos 100 melhores bares da Europa.

No seu site, o guia afirma que avalia os espaços “simplesmente em função de quão bem fazem aquilo que procuram fazer”, com enfoque em “espetáculo, ambiente, vida social, costumes intrigantes, cultura local e, sim, na qualidade e variedade das bebidas”. Acrescenta ainda que “por vezes, as deficiências de um bar podem ser amplamente compensadas de outras formas”.

Isto significa que, ao contrário de outras classificações, o brilho e o glamour não são o mais importante, pelo que não surpreende que o Szimpla Kert, o primeiro ruin bar de Budapeste, lidere a lista.

Estes são os 10 melhores bares da Europa, segundo esta classificação.

Europa: os 10 melhores bares

Szimpla Kert, Budapeste, Hungria

A capital húngara é famosa pelos seus ruin bars – bares instalados em edifícios abandonados ou “em ruínas” – e o Szimpla Kert foi o pioneiro, abrindo em 2002.

Instalado numa antiga fábrica abandonada, o guia de bares descreve uma visita ao espaço como “entrar num portal para outra dimensão”.

É um labirinto de salas cobertas de grafites, mobiliário desenquadrado, luzes decorativas e objetos deliciosamente aleatórios, todos dispostos em torno de um pátio arborizado.

Ao longo da semana, pode beber pálinka, um aguardente de fruta tradicional, ou fumar shisha sentado num carro transformado em sofá ou numa banheira cortada ao meio.

Ao domingo, o caos ganha um lado mais familiar, quando produtores locais enchem o espaço com queijo, pão, mel e especialidades húngaras, muitas vezes acompanhadas por projeções de filmes e música ao vivo.

Retsins Lucifernum, Bruges, Bélgica

Famosa pela enorme variedade de cervejas, a Bélgica surge cinco vezes no top 10 e o Retsins Lucifernum ocupa o segundo lugar, com o guia a classificar este bar em Bruges como “uma viagem para um outro mundo” e “simplesmente imperdível”.

Este bar insólito é, na verdade, a casa de uma celebridade local chamada Don “Willy” Retsin, que se apresenta à porta como o “mordomo” e afirma ser vampiro.

O espaço está repleto de antiguidades, arte gótica e objetos curiosos, conduzindo a um bar no piso inferior e a um pátio-jardim.

O bar acomoda apenas 20 pessoas, por isso convém planear com antecedência se quiser provar cocktails invulgares e conversar com outros clientes que partilham a mesma loucura.

La Fleur en Papier Doré é um café castanho tradicional com um passado fascinante
La Fleur en Papier Doré é um café castanho tradicional com um passado fascinante Flickr

La Fleur en Papier Doré, Bruxelas, Bélgica

La Fleur en Papier Doré é um café castanho de Bruxelas com um ambiente único – um pub de bairro tradicional e acolhedor, conhecido pelos interiores em madeira escura e luz quente –, com janelas foscas, vitrais, madeira, antigos mosaicos no chão e paredes repletas de obras de arte de inspiração medieval e curiosidades florais.

Em tempos ponto de encontro favorito de Magritte e da comunidade surrealista de Bruxelas, atrai hoje uma mistura cosmopolita de habitantes e viajantes curiosos.

A carta de cervejas belgas tem preços acessíveis e a música e os eventos locais reforçam o ambiente acolhedor e vivido.

Goupil Le Fol, Bruxelas, Bélgica

Goupil Le Fol é um refúgio à luz de velas, com tetos baixos, discos de vinil, livros antigos, retratos e memórias do jazz dos anos 1950, escondido a poucos passos do circuito turístico de Bruxelas.

Siga o corredor estreito, passe pela jukebox Wurlitzer original e entre nas salas acolhedoras forradas de tecidos, onde discos pendem do teto e livros revestem as paredes.

A seleção de cervejas belgas é sólida, mas o verdadeiro chamariz são os vinhos frutados aromatizados com cassis e conhaque.

Zlatna Ribica, Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

Segundo o guia, muitos bares na Bósnia e Herzegovina estão demasiado influenciados pelo Ocidente, mas este espaço obrigatório na capital, Sarajevo, é uma verdadeira homenagem ao que torna o país especial.

Zlatna Ribica, que significa “peixe dourado”, é descrito como maravilhosamente excêntrico, lembrando o gabinete de um professor louco, apinhado de antiguidades, candeeiros trabalhados, aparadores encerados e livros, com a tralha a transbordar para a rua.

Cada superfície parece esconder mais uma curiosidade, desde mobiliário recortado até a uma pequena televisão a preto e branco na casa de banho, onde passam imagens de leões a acasalar na savana.

Recoste-se no meio do caos com um cocktail ou uma cerveja local e desfrute de um dos bares mais peculiares da Europa.

Papa Joe’s Jazz Lokal, Colónia, Alemanha

Os autores da classificação dizem que o Papa Joe’s é “um dos grandes bares de jazz do mundo” e é, de facto, um dos mais antigos bares de jazz da Alemanha.

Este bar despretensioso vive para a diversão, com lugares dispostos como num palco voltados para concertos diários ao vivo, um quadro que anuncia o alinhamento da noite e bonecos mecânicos que parecem tocar instrumentos atrás do balcão.

Há até uma máquina de cocktails e ruínas romanas escondidas debaixo da entrada.

Amigável, barulhento e nada sofisticado, é o tipo de sítio que o arrasta para a ação.

t’Brugse Beertje, Bruges, Bélgica

Apesar de não ser o primeiro pub de Bruges nesta lista, a classificação aponta o t’Brugse Beertje como “o melhor pub” da cidade.

Trata‑se de um café castanho acolhedor, forrado a madeira, com uma enorme carta de cervejas belgas apresentada num livro em formato almanaque que leva tempo a percorrer, enquanto prateleiras de copos reluzentes pendem sobre o balcão.

Combine uma Flemish red ou uma Oud Bruin com Gouda, tábuas de carne ou outros petiscos simples e deixe‑se ficar no ambiente acolhedor e partilhado. É extremamente popular, mas a espera compensa.

O Bar Marsella, em Barcelona, tem uma história rica
O Bar Marsella, em Barcelona, tem uma história rica Wikimedia Commons

Bar Marsella, Barcelona

O Bar Marsella recebeu muitas figuras célebres ao longo dos últimos dois séculos; diz‑se que Ernest Hemingway, Pablo Picasso e Salvador Dalí beberam aqui.

Hoje, pode pedir o mesmo famoso absinto e imaginar os artistas e escritores que em tempos se deixaram envolver pelo ambiente boémio do bar.

O Bar Marsella, em Barcelona, parece ter mudado muito pouco em dois séculos – e é precisamente isso que o torna tão apelativo.

Por detrás da fachada desgastada escondem‑se paredes de estuque rachado, painéis de madeira escura, garrafas empoeiradas e um ambiente antigo em encantadora decadência. Peça o célebre absinto, acomode‑se e absorva uma das instituições de copos mais atmosféricas da cidade.

U Hrocha, Praga, Chéquia

Descrito na classificação como “o exemplo máximo de uma tasca checa tradicional”, o U Hrocha – ou ‘o hipopótamo’ – é uma pivnice checa deliciosamente antiquada no bairro de Malá Strana, com cinco mesas comunais, apoios para encostar, um pequeno balcão e muito ambiente.

Apesar de só ter aberto como pub em 1994, parece muito mais antigo.

Experimente cerveja checa a bons preços enquanto a sala se enche de habitantes e visitantes. Íntimo, tradicional e sem retoques, é a cultura de pub checa no seu melhor.

Le Pot au Lait, Liège, Bélgica

Le Pot au Lait é daqueles bares em que a decoração é quase tão apelativa como as bebidas.

Escondido atrás de um pequeno pátio no coração de Liège, esta antiga casa do século XIX está cheia de obras de arte bizarras, gorilas de desenho animado, cenas de carnaval, taxidermia macabra, grafites e plantas enormes, criando um ambiente maravilhosamente surreal, ligeiramente inquietante.

Nasceu como ponto de encontro estudantil nos anos 1970 e tornou‑se entretanto uma instituição muito querida pelos locais, com mesas comunais, esplanada e muitos recantos estranhos onde se pode instalar.

Conte com cervejas belgas, um público animado e a sensação de ter entrado, ao mesmo tempo, num bar, numa galeria de arte e numa feira popular.

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