Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Organização pede ao MP espanhol que proteja alegadas vítimas de Julio Iglesias

Julio Iglesias
Julio Iglesias Direitos de autor  Carlos Giusti/Copyright 2016 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Carlos Giusti/Copyright 2016 The AP. All rights reserved.
De David Artiles Garcia & Euronews
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A organização Women's Link Worldwide e a Amnistia Internacional detalharam nesta quarta-feira as medidas de proteção solicitadas após a denúncia apresentada contra o cantor Julio Iglesias por supostos crimes de tráfico e agressão sexual.

A organização Women's Link Worldwide e a Amnistia Internacional deram esta quarta-feira uma conferência de imprensa para dar detalhes sobre a denúncia apresentada contra o cantor Julio Iglesias.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Jovana Ríos, porta-voz da organização, destacou a importância de que o processo judicial garanta a segurança das trabalhadoras que continuam empregadas pelo denunciado, a fim de evitar sua revitimização.

Contexto de servidão e abuso de poder

A denúncia, apresentada ao Ministério Público da Audiência Nacional em Espanha ao abrigo do princípio de extraterritorialidade, descreve factos ocorridos entre 2020 e 2021 nas residências do cantor na República Dominicana e nas Bahamas.

As organizações consideram que os testemunhos configuram crimes de tráfico de seres humanos para trabalho forçado e servidão, além de assédio e agressão sexual com lesões.

Gema Fernández, advogada do caso, sublinhou a extrema assimetria de poder entre o cantor e as trabalhadoras, que a Amnistia Internacional descreve como mulheres migrantes racializadas em contextos de pobreza.

"Os factos relatados ocorreram num contexto de intimidação e diante das suas chefes", assinalou Fernández, destacando que a organização pretende, com este "litígio estratégico", desmantelar a impunidade que a fama e a riqueza frequentemente conferem.

Medidas cautelares e testemunhas protegidas

Perante a gravidade das acusações e o facto de as vítimas permanecerem no ambiente laboral do denunciado, o Ministério Público já atribuiu a Laura e Rebeca o estatuto de testemunhas protegidas.

Entre as medidas pedidas pela defesa contam-se evitar qualquer contacto direto com o cantor, proteger a privacidade das famílias das mulheres e aplicar protocolos que evitem a revitimização durante as declarações.

"Pretendo que nenhuma mulher volte a sofrer abusos por parte dele", transmitiu Laura através dos seus representantes legais. Enquanto a investigação pré-processual avança sob rigorosa reserva, o impacto social já se faz sentir: a editora Libros del Asteroide anunciou que irá reescrever a biografia do cantor após as acusações, e o ministro da Cultura, Ernest Urtasun, classificou os factos como "repugnantes", confirmando que o Governo estuda retirar-lhe as honrarias oficiais.

Para assegurar a proteção das vítimas, o Ministério Público da Audiência Nacional mantém o caráter secreto das diligências, num caso que promete marcar um antes e um depois no escrutínio das grandes fortunas e figuras do entretenimento face aos direitos dos trabalhadores.

NOTA DE RETIFICAÇÃO

Atualização (16/01/2026): Uma versão anterior deste artigo indicava que as duas denunciantes continuavam a trabalhar para Julio Iglesias. Após rever as declarações da Women's Link Worldwide, esclarecemos que a organização se refere à necessidade de proteger as trabalhadoras que atualmente fazem parte do serviço do artista para evitar a sua revitimização, e não necessariamente às duas mulheres que apresentaram a denúncia.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Presidente do México apresenta queixa após incidente público de assédio sexual

Obras raras do fotógrafo de estrelas de Hollywood expostas na Hungria

Ministro italiano boicota Bienal de Veneza por participação da Rússia