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França homenageia Edgar Morin: Macron saúda "humanista à escala planetária"

Retrato do filósofo, sociólogo e resistente francês Edgar Morin durante a cerimónia em sua homenagem no Hôtel des Invalides, em Paris, quarta-feira, 3 de junho de 2026.
Retrato do filósofo, sociólogo e resistente francês Edgar Morin durante a cerimónia em sua homenagem no Hôtel des Invalides, em Paris, quarta-feira, 3 de junho de 2026 Direitos de autor  (Teresa Suarez, photo de pool via AP)
Direitos de autor (Teresa Suarez, photo de pool via AP)
De Etienne Paponaud com AFP
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O presidente francês evocou, numa homenagem nacional nos Inválidos, a memória do filósofo e sociólogo Edgar Morin, morto aos 104 anos, sublinhando que nunca cedeu "à verdade de um só campo, de um só dogma".

"É um destino excecional neste século", "um humanista à escala planetária, sem dúvida, mas irredutivelmente francês, sempre pelos seus combates pela liberdade (...) pela igualdade, pela emancipação, pela fraternidade também com todos os povos privados dos seus direitos", afirmou o chefe de Estado francês diante de um grande retrato sorridente do filósofo.

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"Para ele, a verdade nunca resultava de um só campo, de um só dogma. O empenho não podia ser um simples enquadramento e o futuro ficava entregue ao caos se se cedesse ao desânimo ou à inação", acrescentou.

"Esta energia francesa, generosa, ambiciosa, universal, vai continuar a renascer", garantiu Emmanuel Macron num discurso de cerca de um quarto de hora.

Emmanuel Macron diante do caixão de Edgar Morin, filósofo, sociólogo e membro da Resistência, no Hôtel des Invalides, em Paris, quarta-feira, 3 de junho de 2026.
Emmanuel Macron diante do caixão de Edgar Morin, filósofo, sociólogo e membro da Resistência, no Hôtel des Invalides, em Paris, quarta-feira, 3 de junho de 2026. (AP Photo Teresa Suarez)

A cerimónia decorreu no pátio sul do Dôme des Invalides, na presença da sua esposa, a filósofa Sabah Abouessalam, e de várias personalidades do mundo político e intelectual, entre as quais o ex-presidente François Hollande, o sociólogo Jean Viard, o historiador Pascal Ory e ainda o chefe do governo marroquino, Aziz Akhannouch.

Edgar Morin foi autor de uma obra muito diversa, conhecida bem para lá de França e concebida como uma reflexão sobre o Homem a partir dos dados da ciência. Apesar da idade avançada, o filósofo, falecido na sexta-feira, continuava presente e ouvido no debate intelectual.

De seu verdadeiro nome Edgar Nahoum, nasceu a 8 de julho de 1921, em Paris, no seio de uma família judaica originária de Salónica, na Grécia, emigrada para Paris. Em 1941, aderiu ao Partido Comunista e entrou para a Resistência com o pseudónimo de Morin.

Em "Autocritique" (1959), o filósofo relata a sua expulsão do PCF e a desilusão face ao estalinismo. Foi também um dos fundadores do comité de intelectuais contra a guerra da Argélia.

Tornou-se investigador no CNRS e escreveu dezenas de obras, entre elas "La rumeur d'Orléans" (1969), sobre um surto de febre antissemita, "La méthode" (1977-2004), obra maior em seis volumes, e vários livros sobre ecologia, tema que lhe era particularmente caro.

Depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, descreveu o esgotamento do modelo político e económico ocidental, a crise ecológica, o regresso do fundamentalismo religioso, a crise da ordem internacional e, de novo, o regresso da guerra à Europa.

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