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Alemanha: descoberto túmulo celta da Idade do Ferro em Hessen

Afloramento de xisto no Dombach, em Bad Camberg
Afloramento de xisto junto ao Dombach, em Bad Camberg Direitos de autor  GerritR, Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International license
Direitos de autor GerritR, Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International license
De Nela Heidner
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Escavações para um parque solar em Hesse revelam túmulo principesco celta com achados excecionais perto de Bad Camberg, de relevância europeia, segundo o arqueólogo Udo Recker

Durante as obras de construção de um parque solar foi posto a descoberto, pela primeira vez, um túmulo principesco celta. Especialistas consideram a descoberta e o espólio arqueológico de importância excecional.

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Entre os objetos funerários resgatados contam-se vários anéis de ouro, uma jarra etrusca de bico, provavelmente importada da região da atual Toscana, em Itália, e restos de armas. Os arqueólogos identificaram ainda vestígios de uma carruagem de duas rodas, incluindo aros e tampas de eixo em ligas de metais não ferrosos e aros de ferro das rodas. Os indícios apontam para que o sepultado fosse um homem, explicou o arqueólogo Udo Recker.

Graças a esta descoberta, é possível comprovar «a até agora apenas presumida presença de uma elite celta local».

Sepultura celta com carruagem

O túmulo vai agora ser analisado com métodos de investigação de última geração. Os arqueólogos esperam assim obter novos dados sobre a vida das populações da Idade do Ferro, há mais de 2 000 anos.

Técnicas de imagiologia, como radiografias e tomografia computorizada (TC), apontam para a existência de mais materiais no túmulo, que ainda terão de ser escavados.

A sepultura é datada de meados do primeiro milénio antes de Cristo. O achado é atribuído à chamada cultura Hunsrück-Eifel.

Segundo os peritos, trata-se de uma das raras sepulturas celtas com carruagem. No estado de Hessen eram conhecidos até agora apenas cerca de três túmulos comparáveis, nenhum com a qualidade do espólio de Bad Camberg.

Estrutura social muito diferente

A organização social dos celtas era, em comparação com a atual, bastante diferente.

Como os celtas não deixaram registos escritos, arqueólogos e historiadores baseiam-se sobretudo em relatos da Antiguidade grega e romana e nos vestígios arqueológicos. Os celtas não formavam um povo homogéneo nem uma proto-nação europeia: viviam, na Idade do Ferro, em numerosos agrupamentos tribais independentes.

Estes grupos estavam ligados por uma mesma família linguística indo-europeia e por traços culturais, tradições, crenças e modos de vida semelhantes. A partir das culturas da Idade do Bronze da Europa Central surgiram as duas grandes épocas celtas: a cultura de Hallstatt (c. 650–450 a.C.) e a cultura de La Tène (c. 450–50 a.C.).

Politicamente, os celtas tinham uma organização descentralizada: não existia um sistema de poder comum nem reis suprarregionais. Para além dos chefes tribais e príncipes, os druidas desempenhavam um papel central como autoridades religiosas e intelectuais, atuando em simultâneo como sacerdotes, curandeiros, professores e juízes.

O declínio do mundo celta não foi abrupto, prolongou-se por vários séculos. Decisiva foi sobretudo a expansão do Império Romano: muitos territórios celtas foram conquistados e integrados na administração romana, em especial após as campanhas de Júlio César na Gália, no século I a.C.

Confederações tribais em vez de uma comunidade

Como os celtas viviam em múltiplas confederações tribais independentes e não constituíam uma unidade política, só conseguiam opor-se de forma limitada e conjunta a potências externas. Somou-se a isso uma progressiva adaptação cultural ao modo de vida romano – língua, administração e costumes foram adotados em muitos locais. Noutras regiões, grupos celtas foram ainda deslocados por tribos germânicas ou integrados em novas estruturas sociais.

Os celtas, porém, não desapareceram por completo: em regiões como a Irlanda, a Escócia, o País de Gales ou a Bretanha mantiveram-se línguas e tradições culturais celtas. As atuais línguas celtas, como o irlandês, o galês ou o bretão, têm aí a sua origem.

O estudo dos achados agora identificados em Bad Camberg está a ser realizado em conjunto por especialistas da “Hessen-Archäologie”, do centro de investigação Keltenwelt am Glauberg e do Leibniz-Zentrum für Archäologie, em Mainz.

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