São 34 os museus que disputam o prémio Museu Europeu do Ano 2026, título de melhor museu da Europa. Conheça alguns da lista de nomeados onde se encontram até nomes portugueses.
Quando foi a última vez que visitou um museu? Que exposições ou experiências lhe ficaram na memória? As respostas a estas perguntas podem ajudar a decidir quem vence este ano o prestigiado Prémio Europeu do Museu do Ano (EMYA).
Criado em 1997, o EMYA distingue a excelência, a inovação, o humanitarismo e a sustentabilidade. O galardoado do ano passado, o Manchester Museum, detém atualmente o testemunho, pronto a ser passado ao próximo melhor museu europeu.
Há vários critérios que ajudam o júri a determinar que museu se destaca na sua prática. Mas todos assentam na articulação com o quadro de referência do Conselho da Europa. O comité de seleção procura criatividade na produção, interpretação e apresentação do conhecimento, bem como na responsabilidade social.
Todos estes elementos têm de respeitar os princípios fundamentais da democracia, da sustentabilidade, da responsabilidade social e da inclusão.
"Os conflitos em curso e a crescente polarização moldam o debate público e as expetativas. Neste contexto, a confiança nas instituições e no discurso público tornou‑se cada vez mais frágil, impondo novas exigências aos museus e ao seu papel na sociedade", afirma Amina Krvavac, presidente do Fórum Europeu dos Museus.
No total, 34 nomeados foram selecionados para a fase final e estes são alguns dos museus em destaque na competição:
Bélgica: museu St John's Hospital
O antigo hospital é hoje um museu que conta as histórias de quem ali foi tratado e cuidado. O magnífico edifício gótico do século XII, situado no quarteirão dos museus de Bruges, mantém‑se preservado até hoje.
As exposições de arte histórica e contemporânea recorrem a experiências audiovisuais únicas, que permitem aos visitantes mergulhar nas histórias e nas obras que o edifício guarda.
Portugal: Mude – Museu do Design
O museu público municipal, no centro de Lisboa, convida os visitantes a mergulhar no mundo do design. O desenho de peças como roupa, mobiliário, revestimentos e muitos outros objetos espera pelos amantes de arte nas várias salas e exposições.
O próprio edifício do Mude é um exemplo de restauro minucioso. Os mosaicos, os painéis de madeira e os balcões de mármore foram cuidadosamente recuperados para preservar a memória da antiga sede de um banco.
As exposições centram‑se em questões socioculturais e ideológicas, ao mesmo tempo que abordam problemas ambientais. O museu convida ainda o público a refletir sobre a importância do design no quotidiano.
Finlândia: Museum of Play
Quem quiser regressar à infância pode visitar, em Espoo, o Museum of Play. O museu finlandês explora a história dos brinquedos, dos jogos e da própria infância na Finlândia.
Segundo o júri, o museu assume três papéis: contador de histórias, espaço educativo e motor de comunidade.
Um dos grandes objetivos da instituição é juntar pessoas de todas as idades, origens e comunidades, educando e abrindo espaço à descoberta. O museu dá também especial atenção à sustentabilidade, o que o torna ainda mais apelativo para o público local e internacional.
Alemanha: centro de documentação de Obersalzberg
Conhecido como o lugar onde Adolf Hitler passou mais de um quarto do seu tempo, o museu, situado em Berchtesgaden, relata os horrores da era nazi.
Obersalzberg, centro de poder do regime, foi o palco de decisões importantes que moldaram o mundo.
"A exposição liga o contexto local a outros lugares da Europa onde foram cometidas atrocidades e onde milhões de pessoas foram assassinadas na sequência das políticas hediondas orquestradas naquela residência alpina", refere o comité no seu relatório.
Apesar do passado sombrio, o museu é hoje um espaço acolhedor, que incentiva os visitantes a aprender sobre a história e a política e a recordar as vítimas do regime brutal.
Alemanha: Sensoria – A Casa das Fragrâncias e dos Sabores
Para os amantes de aromas, o Sensoria oferece a possibilidade de explorar uma seleção de 300 fragrâncias e, depois, criar um perfume único.
Inaugurado em 2024, em Holzminden, o museu contribuiu rapidamente para reforçar a reputação da cidade como “capital dos aromas e dos sabores”. As exposições procuram contar a história e a ciência dos cheiros através de experiências sensoriais.
O museu desafia os visitantes a repensar a forma como diferentes cheiros e sabores influenciam o mundo e a sociedade que nos rodeia. A Casa das Fragrâncias e dos Sabores recebe públicos de todas as idades, com um modelo museológico virado para o futuro, eventos ao vivo e exposições interativas.
Luxemburgo: Museu Nacional da Resistência e dos Direitos Humanos
Sediado em Esch-sur-Alzette, o museu aborda a resistência, a opressão, a colaboração, o Holocausto e os direitos humanos, em três línguas.
É também o único museu do país com uma coleção que documenta as experiências sob o regime nazi entre 1940 e 1945.
O museu procura informar o público sobre estes temas através de visitas guiadas, oficinas e programas educativos. Segundo o documento oficial, trabalha em estreita colaboração com associações, grupos de interesse e investigadores, para aproximar a academia do público e afirmar‑se como um recurso cultural e educativo essencial no Luxemburgo.
Suíça: CERN Science Gateway
O CERN aproxima o grande público da ciência mais complexa. O maior laboratório de física do mundo, em Meyrin, recebe todos os que têm curiosidade científica.
O Science Gateway é composto por cinco edifícios, ligados por uma ponte a seis metros de altura que atravessa a estrada em frente ao complexo.
O CERN é mais do que um museu: é um parque científico imersivo, onde os visitantes podem participar em oficinas, explorar aceleradores e laboratórios e visitar inúmeras exposições. Independentemente da idade, todos acabam por achar a experiência cativante e interessante.
Reino Unido: Young V&A
Os museus não são apenas para adultos: também existem para que os mais novos contactem com a arte desde cedo. O conhecido Victoria and Albert Museum, em Londres, teve isso em conta e reabriu as portas a crianças, jovens, famílias e professores.
Os espaços convidam os jovens visitantes a imaginar, brincar e criar, com recurso a quase 2 000 objetos, brinquedos e obras de arte.
O museu quer ser acessível e inclusivo. A participação cívica é uma das suas marcas, visível no facto de o projeto ter sido desenvolvido em colaboração entre o V&A, crianças e famílias. As exposições imersivas permitem ao público explorar temas como a sustentabilidade, a empatia e o sentimento de pertença.
A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar em Bilbau, Espanha, a 13 de junho de 2026, na Euskararen Etxea (Casa da Língua Basca), vencedora em 2025 do Prémio Museu do Conselho da Europa.