A cantora passou anos a esconder os sintomas antes de ser diagnosticada com síndrome da pessoa rígida em 2022
Durante quase 17 anos, Céline Dion combateu uma doença sem saber sequer como se chamava. Houve alturas em que teve de tomar Valium só para conseguir aguentar o dia a dia.
Num perfil na Harper’s Bazaar (fonte em inglês) publicado no início desta semana, a estrela franco-canadiana de 58 anos descreve as dores e dificuldades que enfrentou dentro e fora do palco, bem como até onde foi para continuar a atuar.
Dion disse que os sintomas começaram anos antes de, em 2022, lhe ter sido diagnosticada a síndrome da pessoa rígida, uma rara doença neurológica que provoca rigidez muscular e espasmos dolorosos.
Antes de os médicos identificarem a causa, Dion costumava justificar os concertos cancelados com maleitas comuns, como infeções dos sinus. Nos bastidores, porém, sofria bastante. Contou que as dores chegaram a ser tão fortes que, por vezes, mal conseguia andar.
As revelações surgem pouco antes de a cantora galardoada com Grammys regressar aos palcos com uma residência em Paris já esgotada – os seus primeiros espetáculos em nome próprio em mais de seis anos.
Diagnóstico que travou a carreira
Dion revelou publicamente o diagnóstico em dezembro de 2022 e, mais tarde, cancelou as datas restantes da digressão mundial Courage. No ano seguinte, a irmã afirmou que a cantora tinha perdido o controlo dos músculos à medida que a doença progredia.
Os problemas de saúde foram posteriormente documentados no filme de 2024 I Am: Céline Dion, que mostra a cantora em tratamento e a lidar com espasmos dolorosos que a deixavam sem conseguir mexer‑se ou falar.
Depois de anos afastada das atuações regulares, Dion regressou em grande plano nos Jogos Olímpicos de Paris, em julho de 2024, cantando “Hymne à l’amour”, de Édith Piaf, a partir da Torre Eiffel.
Desde o diagnóstico, a artista tem sido submetida a vários tratamentos para lidar com a doença, incluindo medicação, fisioterapia, terapia vocal e imunoterapia.
Contou ainda à Harper’s Bazaar que segue uma rotina de Pilates de 90 minutos, três vezes por semana, e que tem praticado ballet para se preparar para o regresso.
Céline Dion regressa a Paris no próximo mês
A residência de cinco semanas de Dion na Paris La Défense Arena começa em 12 de setembro e a procura tem sido extraordinária.
Os 16 concertos esgotaram pouco depois de os bilhetes terem sido colocados à venda, em abril, levando‑a a acrescentar mais 10 datas no mesmo recinto, em maio de 2027.
Tem também apresentado nova música antes deste regresso, incluindo o single em francês “Bonjour, Pardon, Merci”, que se seguiu a “Dansons”, em abril.
O muito aguardado regresso de Dion deverá ter também um forte impacto em Paris. Alexandra Dublanche, presidente da Choose Paris Region, disse à AFP no início deste ano que os concertos poderão gerar entre 300 milhões e 500 milhões de euros para a economia local.