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Vila brasileira pode ser engolida pelo mar

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Imagem de drone mostra a erosão em Atafona
Imagem de drone mostra a erosão em Atafona   -   Direitos de autor  AFP
De  Ricardo Figueira  com AFP

Pouco a pouco, Atafona desaparece, engolida pelo mar. Esta vila costeira faz parte do município de São João da Barra, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A erosão marítima, que as alterações climáticas vieram piorar, fez com que 500 casas tenham já desaparecido. O avanço do mar não pára e ameaça a casa de João Peixoto, que já pensa em mudar-se com a família para outro sítio.

"O mar avançou três a quatro metros em quinze dias. Tem a ver com a maré, também. O muro que está aqui pode não estar mais aqui na próxima semana. Já estou providenciando uma moradia para tirar minha família daqui que também não posso botar em risco", diz o residente.

Soluções possíveis

Eduardo Bulhões é geólogo e acredita que a solução é recriar um ecossistema de dunas: "Fiz uma proposta que mostra o transporte artificial das areias que estão depositadas dentro do rio e são idênticas às areias da praia. Poderão ser artificialmente transportadas e com isso recompor o ecossistema de praia e duna, que é uma linha de defesa natural para o avanço do mar", diz.

As areias poderão ser artificialmente transportadas e com isso recompor o ecossistema de praia e duna, que é uma linha de defesa natural para o avanço do mar.
Eduardo Bulhões
Geólogo

Mas a opinião não é unânime. Nas autoridades locais, há quem acredite que o melhor é construir um dique. Apenas concordam numa coisa: É preciso, urgentemente, encontrar uma resposta a este problema. Alex Ramos, vice-secretário do ambiente de São João da Barra, explica: "Uma construção de quebra-mar ou de um tipo de espigões pode transferir este problema para outro local. É esse o estudo a ser feito. Até hoje, não se chegou a uma definição de qual seria o mais viável para nossa região."

Atafona é ainda casa para cerca de 6000 pessoas, mas a população está a debandar, à medida que o mar avança. A vila faz parte dos 4% de zonas costeiras, em todo o mundo, que perdem quatro a cinco metros de costa, todos os anos. O problema afeta os habitantes, mas também os pescadores. Os barcos mais largos já não conseguem passar no delta do rio Paraíba do Sul.