Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

"A última forma de protesto que me resta": padre alemão prefere prisão a multa de 500 euros por ativismo climático

O padre Jörg Alt dirige-se a apoiantes antes do início do seu julgamento num tribunal em Munique, Alemanha.
O padre Jörg Alt dirige-se a apoiantes antes do início do seu julgamento num tribunal em Munique, Alemanha. Direitos de autor  AP Photo/Matthias Schrader, Arquivo
Direitos de autor AP Photo/Matthias Schrader, Arquivo
De Kirsten Grieshaber com AP
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O reverendo Jörg Alt e cerca de 40 outros ativistas bloquearam o trânsito em Nuremberga, após colarem as mãos a uma rua em frente à estação de comboios da cidade.

Um padre jesuíta diz que prefere ir para a prisão a ter de pagar uma multa de 500 euros por ter participado numa iniciativa de bloqueio de uma rua, liderada por ativistas climáticos, na cidade de Nuremberga, no sul da Alemanha.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O reverendo Jörg Alt começou a cumprir a pena de prisão de quase um mês na terça-feira, em Nuremberga.

“Hoje, começo a cumprir a minha pena alternativa de 25 dias na prisão de Nuremberga”, referiu, antes de entrar na prisão.

“Não gosto de fazer isto, especialmente porque a minha saúde já não é a melhor aos 63 anos. Mas não vejo alternativa, porque é a última forma de protesto que me resta, neste caso específico, para chamar a atenção para questões importantes [como as alterações climáticas].”

Em novembro, Alt disse, segundo informou a agência noticiosa alemã dpa: “como padre, não tenho rendimentos nem conta bancária devido ao meu voto de pobreza e não quero prejudicar a ordem e os meus irmãos, tendo de pagar a minha multa.”

As declarações foram proferidas depois de o Tribunal Regional Superior da Baviera ter rejeitado o recurso contra a decisão de um tribunal inferior e confirmado a condenação de Alt por coação, devido ao facto de ter participado no bloqueio.

O padre jesuíta Jörg Alt passa em frente ao tribunal antes de começar a cumprir uma pena de 25 dias na prisão de Nuremberga, em Nuremberga.
O padre jesuíta Jörg Alt passa em frente ao tribunal antes de começar a cumprir uma pena de 25 dias na prisão de Nuremberga, em Nuremberga. Daniel Löb/dpa via AP

Após a decisão do tribunal, as autoridades pediram repetidamente a Alt que pagasse os 500 euros, antes de a coima ser comutada pela pena de prisão de 25 dias.

A decisão do tribunal, em novembro, estava relacionada com um bloqueio de rua em agosto de 2022, quando o padre jesuíta e cerca de 40 outros ativistas bloquearam o trânsito em Nuremberga colando as mãos a uma rua em frente à estação ferroviária da cidade, para chamar a atenção para as alterações climáticas.

"Tudo isto pode ser legal, mas é injusto"

Nos últimos anos, têm-se registado numerosos protestos semelhantes em toda a Alemanha e noutros países, com os ativistas a tentarem chamar a atenção para a urgência de combater as alterações climáticas. A reação pública e política a estes bloqueios de estradas tem sido mista.

Embora alguns alemães afirmem apoiar a causa dos manifestantes, mas não os seus meios, os ativistas também têm enfrentado a violência de automobilistas enfurecidos e apelos a punições duras por parte de políticos conservadores.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, criticou duramente os ativistas climáticos, considerando-os “malucos” por levarem a cabo protestos drásticos, como o bloqueio de ruas ou colando-se a quadros famosos em museus.

No ano passado, ativistas pertencentes a um dos principais grupos de protesto, o Letzte Generation, anunciaram que iriam abandonar a tática e passar a optar por aquilo a que chamam “assembleias desobedientes”.

Alt disse que também tinha decidido cumprir a pena de prisão em vez de pagar a multa “em solidariedade com os ativistas climáticos que são tratados de forma semelhante pela administração e pela justiça - isto pode ser tudo legal, mas é injusto”.

Não é a primeira vez que Alt é condenado pelo seu ativismo. Em maio de 2023, um tribunal também o condenou por coerção depois de ter participado no bloqueio de uma estrada em Munique e ordenou-o a pagar uma pequena multa.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

"Determinação heroica": jovens portugueses lançam novo processo climático, desta vez contra Portugal

Alterações climáticas estão a alimentar crise de saúde mental numa das regiões mais vulneráveis do mundo

Ainda apoiantes mas cada vez mais céticos: qual é a posição dos europeus em relação à ação climática?