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Brasil e Índia assinam acordo de controlo de terras raras para proteger a soberania tecnológica

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, à direita, aperta a mão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Deli.
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, à direita, aperta a mão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Deli. Direitos de autor  AP Photo/Manish Swarup
Direitos de autor AP Photo/Manish Swarup
De Manuel Ribeiro
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Num périplo de oito dias pela Ásia, Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Índia, onde assinou um acordo com Narendra Modi para fortalecer a cooperação em terras raras entre os dois países do BRICS.

O Presidente do Brasil está na Índia para uma visita oficial. Lula encontrou-se com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Delhi, onde os dois líderes assinaram um importante acordo de cooperação técnica para a exploração de minério e de terras raras.

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“O investimento crescente em cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinámos hoje. Os nossos países estão a garantir o lugar que estas tecnologias merecem na agenda climática e energética global”, destacou Lula da Silva em declarações após o encontro, citadas pela EFE.

Um "passo importante para a construção de cadeias de abastecimento resilientes'", acrescentou o primeiro-ministro indiano na conferência conjunta.

Lula chegou à Índia no dia 18 para uma viagem de oito dias pela Ásia. O presidente está acompanhado de uma comitiva composta por 11 ministros, empresários brasileiros e por sua mulher, que seguiu para a Coreia do Sul, onde, posteriormente, se volta a juntar a Lula da Silva.

O presidente brasileiro disse que o Brasil e a India "partilham problemas similares", apesar da diferença em termos populacionais entres estes dois países do BRICS, "os conhecimentos cientifico-tecnológicos são próximos entre um e outro país, disse Lula da Silva que pretende alargar os laços diplomáticos entre a América do Sul e a Índia,em termos de defesa, no sentido de "fortalecer o Sul Global" para que "nunca haja uma guerra entre as duas potências", disse Lula da Silva."A nossa cooperação no setor de defesa continua a crescer", sublinhou Modi.

Procura por alternativas em relação à China

Numa altura em que a sua economia cresce a um ritmo acelerado, em média 6% ao ano nos últimos cinco anos, a Índia procura melhorar a cadeia de abastecimento através do programa "Missão de Minerais Críticos", que isenta de impostos a entrada de 25 minerais essenciais ao desenvolvimento tecnológico.

O Brasil tem reservas significativas de alguns desses minerais (como, por exemplo, 90% de nióbio, um mineral utilizado principalmente no fabrico de ligas de aço), essenciais para a produção de veículos elétricos, painéis solares, telemóveis e semicondutores.

Para reduzir a dependência de matérias-primas da China, o governo de Nova Delhi procura novas fontes de abastecimento.

"O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina. Estamos empenhados em aumentar o valor do nosso comércio bilateral para mais de 20 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos", declarou Narendra Modi. A Índia importa do Brasil açúcar, petróleo bruto, óleos vegetais, algodão e minério de ferro.

Depois do anúncio desta semana de investimentos empresariais de cerca de 300 mil milhões de dólares em infraestrutura digital na Índia. O primeiro-ministro indiano destacou a urgência deste acordo com o Brasil, que será um importante corredor de abastecimento para alimentar a revolução tecnológica da Índia.

"O acordo alcançado em minerais críticos e terras raras é um passo importante para construir cadeias de abastecimento resilientes", afirmou Narendra Modi, destacando uma colaboração em áreas como inteligência artificial, supercomputação e semicondutores entre ambos os países.

Com este quadro, as empresas indianas poderão adquirir ativos mineiros no Brasil e importar matéria-prima sem tarifas, oferecendo à América Latina uma alternativa real à hegemonia de Pequim. A estratégia indiana passa por oferecer aos países latino-americanos uma alternativa de investimento que garanta o fluxo de matérias-primas para a indústria asiática.

Nova Deli também está em vias de alcançar um acordo comercial com o Chile, visando obter acesso preferencial ao lítio.

Outras fontes • EFE, RTP, CNN BRASIL

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