Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Alemanha: divisão de defesa territorial protege gasodutos e centrais de drones

Militares no terreiro de parada na cerimónia solene de entrega das forças de defesa territorial ao Exército e formatura em Berlim, 14.03.2025
Soldados em formatura na cerimónia solene de integração das forças de defesa territorial no Exército e de juramento de bandeira, em Berlim, 14.03.2025 Direitos de autor  Bundeswehr/Marco Dorow
Direitos de autor Bundeswehr/Marco Dorow
De Johanna Urbancik
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A Hungria protege agora a infraestrutura com soldados contra alegada sabotagem ucraniana. Na Alemanha, uma nova divisão da Bundeswehr irá guardar infraestruturas críticas, travar drones e escoltar transportes militares.

Desde 2025, os regimentos de defesa territorial da Bundeswehr foram reunidos na Divisão de Defesa Territorial. A médio prazo, cerca de 6 000 militares deverão integrar esta divisão.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ao contrário das forças de combate convencionais da Bundeswehr, treinadas para operações militares, os militares da defesa territorial assumem sobretudo missões dentro da Alemanha, como a proteção de infraestruturas críticas ou o apoio às autoridades civis.

Por isso, nos planeamentos da Bundeswehr, a divisão está estreitamente ligada ao chamado Plano de Operações da Alemanha (OPLAN DEU). O OPLAN DEU define o plano militar para a defesa da Alemanha, articulando as principais tarefas de defesa nacional e da Aliança com os setores civis e as respetivas responsabilidades.

De acordo com o Wall Street Journal, o OPLAN DEU consiste num documento secreto com cerca de 1 200 páginas, redigido há cerca de dois anos e meio na caserna Julius-Leber, em Berlim, e que agora deverá começar a ser aplicado "com grande urgência".

A médio prazo, a Divisão de Defesa Territorial deverá contar com cerca de 6 000 militares.

Brasão da Divisão de Defesa Territorial
Brasão da Divisão de Defesa Territorial Bundeswehr/Tom Twardy

Defesa territorial na era da guerra híbrida

A importância estratégica da nova divisão decorre, sobretudo, da mudança no quadro de ameaças. Os conflitos modernos já não começam, muitas vezes, com operações militares clássicas, mas sim com ações encobertas, como sabotagem, espionagem ou ciberataques.

O Ministério da Defesa alemão descreve este tipo de confronto como uma ameaça híbrida. Em setembro do ano passado, após avistamentos de drones sobre aeroportos escandinavos, o ministro da Defesa, Boris Pistorius (SPD), afirmou que a Alemanha 'não está em guerra', mas 'já não vive em paz completa'. O país está a ser atacado 'de forma híbrida, com campanhas de desinformação' e incursões de drones.

Também o inspetor do Comando Ciber e de Informação da Bundeswehr, vice-almirante Thomas Daum, chamou a atenção, numa entrevista à Euronews, para a amplitude deste tipo de ameaças. Entre elas, enumerou 'influência híbrida, sabotagem, espionagem, ciberataques, interferências eletromagnéticas, bem como "misinformation", desinformação ou manipulação dirigida da opinião pública'.

Terceiro a contar da esquerda: general de divisão Andreas Henne, comandante da Divisão de Defesa Territorial desde 14 de março de 2025
Terceiro a contar da esquerda: general de divisão Andreas Henne, comandante da Divisão de Defesa Territorial desde 14 de março de 2025 Bundeswehr/Marco Dorow

Defesa contra drones ganha importância

Os drones desempenham aí um papel cada vez maior: são usados para espiar ou testar instalações militares e infraestruturas críticas.

Como a Euronews noticiou no ano passado, 'atores russos enviam regularmente os seus aparelhos de reconhecimento' para vigiar as rotas, em constante mudança, dos transportes militares europeus, a fim de saber que armas chegarão em breve à Ucrânia, de onde parte novo material de guerra e em que momento novas munições alcançarão a frente.

É precisamente em casos deste tipo que intervém a Divisão de Defesa Territorial: ao contrário das forças de combate da Bundeswehr, o seu teatro de operações limita-se ao território alemão. Os seus efetivos deverão ser acionados sobretudo quando for necessário proteger infraestruturas ou escoltar transportes militares que atravessem a Alemanha. Entre os pontos sensíveis contam-se portos, linhas ferroviárias, aeroportos, instalações energéticas e infraestruturas militares, ou seja, os nós logísticos decisivos, em caso de crise, para a deslocação de tropas e material da NATO.

Por isso, a Bundeswehr desenvolveu e colocou em serviço, nos últimos anos, sistemas de defesa contra drones. Em operação estão os chamados sistemas de contramedidas contra aeronaves não tripuladas (Counter-UAS), que combinam vários tipos de sensores – radar, câmaras óticas e deteção de emissões rádio – para identificar drones o mais cedo possível.

Uma vez identificado um veículo aéreo não tripulado, podem ser desencadeadas contramedidas eletrónicas. Os emissores de interferência, conhecidos como 'jammers', cortam, por exemplo, a ligação por rádio entre o drone e a estação de controlo ou perturbam os sinais de navegação.

Exercício Fishtown Guard 2024: forças de defesa territorial vigiam, com o Effektor HP47, um dispositivo de defesa contra drones, a costa do mar do Norte ao largo de Bremerhaven
Exercício Fishtown Guard 2024: forças de defesa territorial vigiam, com o Effektor HP47, um dispositivo de defesa contra drones, a costa do mar do Norte ao largo de Bremerhaven Bundeswehr/Christian Habeck

Ligação entre proteção militar e civil

A Divisão de Defesa Territorial foi concebida, deliberadamente, como elo de ligação entre a defesa militar e a gestão civil de crises. Uma parte essencial da sua missão é apoiar as autoridades civis, por exemplo, em caso de catástrofes naturais ou de perturbações de grande escala nas infraestruturas.

Para isso, a Bundeswehr aposta fortemente na reserva. Grande parte das forças de defesa territorial é composta por reservistas, enraizados nas respetivas regiões e que devem estar rapidamente disponíveis em caso de crise. Esta estrutura traduz uma mudança profunda na política de segurança: no quadro da 'mudança de época' proclamada pelo antigo chanceler Olaf Scholz, a proteção do próprio território ganhou um peso muito maior.

A defesa deixa assim de começar apenas nas fronteiras e passa a incluir, desde logo, a proteção de infraestruturas, redes de comunicação e instalações militares no interior do país. É precisamente neste ponto que deverá atuar a Divisão de Defesa Territorial, enquanto estrutura militar encarregada de proteger essas infraestruturas e de responder a ameaças como sabotagem, recolha de informações por drones ou outras formas de guerra híbrida.

Modelos semelhantes existem já em vários países da NATO, incluindo a Polónia, que, após a anexação russa da Crimeia em 2014, criou as suas próprias forças de defesa territorial.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Italiana Leonardo testa cúpula Michelangelo na Ucrânia: "Até agora, nenhum escudo foi impenetrável"

Visita de Merz à Noruega: país nórdico é mais importante do que nunca para Alemanha

Enxames de drones: como as armas de alta tecnologia os neutralizam