O general Christopher Todd Donahue propôs transferir para a Polónia um grupo de combate de brigada, informou o Ministério da Defesa Nacional em comunicado enviado à Euronews em 27 de abril deste ano.
Segundo o Ministério da Defesa Nacional, as autoridades polacas estão a participar ativamente na criação de condições para a presença de forças norte‑americanas na Polónia, tanto em termos económicos como logísticos. A base jurídica destas ações é o Acordo de Cooperação em Matéria de Defesa Reforçada (EDCA), assinado em Varsóvia em 15 de agosto de 2020.
Grupo de combate de brigada na Polónia?
Uma das expressões dessa cooperação poderá ser a proposta do general Christopher Todd Donahue, comandante do Exército dos Estados Unidos na Europa e em África.
“O general Christopher Todd Donahue apresentou uma proposta para transferir para a Polónia um grupo de combate de brigada blindada (ABCT – Armoured Brigade Combat Team), juntamente com meios de apoio, no quadro do programa APS (Army Pre‑positioned Stock) do Exército norte‑americano”, informou o Ministério da Defesa Nacional em comunicado enviado à Euronews.
O Ministério sublinhou que esta iniciativa desencadeou um ciclo de reuniões e negociações de natureza técnica, de acordo com a repartição de competências prevista no Acordo EDCA.
“A proposta prevê a coordenação de ações destinadas a identificar locais adequados e a elaborar um plano de ação bilateral, que tenha em conta questões chave como os requisitos relativos às infraestruturas, calendários, afetação de recursos, enquadramento jurídico, repartição de competências e responsabilidades, bem como os mecanismos da conceção operacional”, precisou o ministério.
Estados Unidos desistem de enviar quatro mil soldados para a Polónia
Como confirmou a Euronews, Washington, apesar das anteriores promessas do presidente Donald Trump, abandona o plano de estacionar quatro mil militares na Polónia. A decisão de relocalização fazia parte de uma estratégia mais ampla do Pentágono, que previa a retirada de cinco mil militares da Alemanha.
No imediato, a decisão está ligada ao aumento das tensões entre Washington e Berlim, depois de o chanceler Frederic Merz ter criticado as operações militares norte‑americanas e israelitas no Irão como irrefletidas. O presidente Trump respondeu com uma série de mensagens contundentes, exortando Merz a tratar de “arranjar o próprio país”.
Em Varsóvia, especulava‑se há semanas que parte das forças retiradas da Alemanha poderia ser transferida para a Polónia. Após a divulgação desta informação, o vice‑primeiro‑ministro Władysław Kosiniak‑Kamysz procurou moderar as expectativas, sublinhando que se trata de uma mudança já anteriormente anunciada na disposição das forças dos EUA na Europa e que as capacidades crescentes das forças armadas polacas, juntamente com as tropas norte‑americanas já estacionadas no país, reforçam de qualquer forma o flanco leste da NATO.
O presidente Karol Nawrocki declarou, por seu lado, ao lado do secretário‑geral da NATO, Mark Rutte, durante a cimeira do Grupo de Nove de Bucareste (B9): “Se o presidente Trump decidir transferir tropas da Alemanha, a Polónia está pronta”. Reforçou a mesma mensagem na conferência de imprensa de 6 de maio, durante exercícios militares conjuntos na Lituânia.
Em Bucareste, Rutte evitou responder a perguntas detalhadas sobre o tema, limitando‑se a notar que a presença dos EUA na Europa continua “muito ampla e significativa”. Atualmente, entre oito e dez mil militares norte‑americanos estão estacionados na Polónia.
Quem é o general Christopher Donahue?
O general Christopher Todd Donahue é uma das figuras mais conhecidas das forças armadas norte‑americanas. Desde 2024 é comandante do Exército dos Estados Unidos na Europa e em África e chefe do Comando das Forças Terrestres da NATO. Anteriormente, como comandante da 82.ª Divisão Aerotransportada, supervisionou a segurança do aeroporto de Cabul durante a retirada das forças dos EUA e dos aliados do Afeganistão, em 2021 – foi o último militar norte‑americano a deixar a capital afegã. A informação foi avançada pela Reuters e confirmada pelo Exército dos EUA.
Em fevereiro de 2022, pouco depois da invasão russa da Ucrânia, Donahue deslocou‑se à Polónia à frente de um grupo avançado da 82.ª Divisão Aerotransportada, aterrou no aeroporto de Jasionka, perto de Rzeszów. Esteve também envolvido na formação e no aconselhamento de oficiais ucranianos.
No final de fevereiro deste ano, visitou Varsóvia, onde se reuniu com o embaixador dos EUA, Tom Rose, e com o chefe do Estado‑Maior General das Forças Armadas polacas, general Wiesław Kukuła. Durante esse encontro, Kukuła conferiu‑lhe a Medalha do Estado‑Maior General das Forças Armadas da Polónia “em reconhecimento do seu contributo para a segurança internacional e para o desenvolvimento da cooperação com as Forças Armadas da República da Polónia”.
As conversações entre os dois generais centraram‑se na segurança do flanco oriental da NATO, incluindo os objetivos da Iniciativa Europeia de Linha de Dissuasão, bem como o papel das capacidades de ataque em profundidade e o aumento da presença de forças dos EUA na Polónia.