A Proteção Civil registou dezenas de ocorrências durante a madrugada e alerta para cenários de inundações em zonas ribeirinhas. O país está sob alerta amarelo devido à chuva e vento forte. Já há registo de desalojados e pessoas resgatadas das cheias, além de uma vítima mortal confirmada.
Portugal continua debaixo de chuva e vento forte, com os efeitos da depressão Leonardo a fazerem-se sentir um pouco por todo o território do continente. O país está sob alerta amarelo devido à chuva e vento forte com os avisos a estenderam-se até, pelo menos, às 18:00. Também a costa portuguesa está marcada a laranja por causa da agitação marítima.
Quarta-feira, a depressão fez a primeira vítima mortal. Durante a última madrugada a Proteção Civil registou centenas de ocorrências. Foram registadas 399 ocorrências entre as 00:00 e as 08h:0 relacionadas com o mau tempo, a maioria na Grande Lisboa e na Região Oeste, sem vítimas. A maioria está relacionada com quedas de árvores e inundações de estruturas ou superfícies, segundo indicou fonte da Proteção Civil à agência Lusa. A estas juntam-se as 1.790 ocorrências, a maioria nas regiões de Lisboa, de Setúbal e Oeste, registadas até às 23:00 de quarta-feira. Mais de 1700 operacionais encontram-se mobilizados para ocorrências ativas a nível nacional, segundo informação do site da Proteção Civil às 7:45.
As zonas ribeirinhas são as que causam mais preocupação, com a Proteção Civil a alertar para um elevado risco de inundações significativas nas zonas próximas dos rios Vouga, Mondego, Tejo, Sorraia e Águeda.
As localidades próximas dos rios Douro, Cávado, Ave, Lima, Tâmega, Lis e Sado também causa preocupação.
Uma pessoa morreu na sequência do mau tempo. Um homem de 60 anos não sobreviveu depois de ter sido arrastado pela corrente na bacia do Rio Guadiana. O carro onde seguia ficou submerso junto à barragem da Amoreira, em Pias, no Alentejo, depois do homem ter tentado atravessar uma estrada inundada.
Contam-se já 11 vítimas mortais desde a semana passada, resultado direto e indireto da passagem das depressões Kristin e Leonardo.
Constrangimentos na circulação
O mau tempo e as consequentes inundações estão também a provocar sérios constrangimentos na circulação ferroviária, com a CP a confirmar a suspensão na culação ferroviária na Linha do Norte, no troço entre a Castanheira do Ribatejo e Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, Lisboa. A linha do Norte estava já suspensa também devido a inundações na zona de Alfarelos (Coimbra) para comboios de longo curso.
Segundo informou a empresa, também os serviços urbanos de Coimbra estão suspensos bem como os regionais entre Entroncamento e Coimbra B. Na Linha de Cascais, a circulação entre Algés e Oeiras está a ser feita em via única, o que poderá provocar alguns atrasos.
Nos barcos, o cenário não está melhor. A ligação fluvial feita pela Transtejo entre Trafaria, Porto Brandão e Belém está interrompida devido às condições meteorológicas e de mar muito adversas, já depois de ter sido suspensa a ligação Cacilhas - Cais do Sodré.
A empresa indicou que não é possível prever a retoma do serviço regular entre estes portos fluviais dos municípios de Almada e Lisboa.
Mais de 80 pessoas resgatadas em Alcácer do Sal
Devido ao mau tempo e subida das águas, 89 pessoas foram resgatadas em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal entre quarta-feira e a última madrugada. A informação foi confirmada por fonte da Proteção Civil à agência Lusa, indicando ainda o reforço de todo o efetivo no local.
As escolas de Alcácer do Sal vão manter-se encerradas até sexta-feira, devido ao agravamento das condições meteorológicas. Também as farmácias existentes em Alcácer do Sal foram encerradas devido às inundações, com a população a ter de se deslocar até Grândola para a farmácia de serviço mais próxima.
A subida do rio Sado provocou uma nova vaga de cheias em Alcácer do Sal, com o nível da água a ultrapassar os 1,20 metros na zona baixa da cidade durante a tarde do dia de ontem, podem os níveis ter subido ainda mais durante a noite.
Mau tempo faz 12 desalojados em Arruda dos Vinhos
De acordo com as últimas informações, 12 pessoas ficaram desalojadas devido aos danos provocados pelo mau tempo nas suas habitações, em Arruda dos Vinhos. Estas pessoas foram realojadas e casas municipais ou de familiares.
A chuva forte também levou à retirada várias pessoas das suas casas por "risco de cheias ou de deslizamentos de terras" durante o dia de ontem.
Doze foram em Torres Vedras, devido ao risco de inundações provocadas pelo transbordo do Rio Sizandro, seis em Arruda dos Vinhos, três na Lourinhã e uma outra nas Caldas da Rainha.
Na Costa da Caparica, concelho de Almada, pelo menos 35 pessoas tiveram de ser retiradas de casa, entre as quais 22 idosos de um lar, devido a deslizamentos de terra ou galgamento costeiro. São João e Santo António são as zonas onde têm ocorrido os maiores deslizamentos de terra, “sem danos de maior”, segundo informou a presidente da Câmara de Almada, citada pela agência Lusa.