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Espanha: pulso político quase trava chegada de navio com hantavírus às Canárias

Desembarcam passageiros do hantavírus: 10 de maio de 2026
Desembarque dos passageiros do hantavírus, 10 de maio de 2026 Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De Jesús Maturana
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O cruzeiro MV Hondius fundeou em Granadilla este domingo, após disputa entre o Governo das Canárias e Madrid. Fernando Clavijo ameaçou bloqueá‑lo sem garantias de aviões para evacuar os passageiros.

Nas horas que antecederam a chegada do Hondius ao porto industrial de Granadilla de Abona, no sul de Tenerife, sucedeu-se uma escalada de declarações que expôs as tensões entre as duas administrações envolvidas na gestão do surto de hantavírus.

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O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, acusou o Executivo central de não ter atendido a um pedido concreto: que os passageiros ainda por transferir pudessem viajar num avião militar espanhol que, explicou, tinha capacidade para 210 pessoas mas estava previsto descolar apenas com 14.

Na tarde de sábado, Clavijo tinha-se reunido com três ministros – Saúde, Interior e Política Territorial – sem conseguir uma resposta satisfatória a esse pedido. Perante isso, anunciou que iria dar instruções à Autoridade Portuária para que não autorizasse que o navio fundeasse.

A resposta do Governo central chegou uma hora e meia depois, sob a forma de documento oficial. A Direção-Geral da Marinha Mercante, num ofício assinado pela diretora-geral, ordenou a receção do MV Hondius em Granadilla "perante a necessidade de assistência sanitária a bordo e o possível agravamento das condições meteorológicas".

O texto acrescentava que o controlo sanitário é mais eficaz em porto do que mantendo o navio indefinidamente em alto-mar. Clavijo respondeu de imediato: o cruzeiro não iria fundear "com autorização do Governo canário". E apontou diretamente: se fundeasse por imposição do Governo de Espanha, "seriam eles os responsáveis pelo que pudesse acontecer".

Acabou por fundear no porto de Granadilla por volta das 06:30 de domingo, hora local, e o desembarque dos primeiros passageiros começou cerca das 09:40, também hora local. Os primeiros a sair foram os 14 cidadãos espanhóis, que embarcaram num autocarro da UME escoltado pela Guardia Civil, com destino ao aeroporto de Tenerife Sul.

Operação no terreno: evacuação adequada

Enquanto se dirimiam as divergências entre administrações, no porto de Granadilla os ministros da Saúde e do Interior e o diretor-geral da OMS supervisionavam, na noite de sábado, os preparativos.

A ministra Mónica García confirmou que os passageiros continuavam sem sintomas e clarificou o quadro operacional: o cruzeiro fundeou dentro da doca, assistido por um rebocador, e os passageiros foram transportados para terra em lanchas, de forma faseada, por nacionalidades e em coordenação com os voos disponíveis.

Ninguém desembarcou com malas: cada passageiro pôde levar apenas uma pequena bolsa com documentos, telemóvel, carregador e artigos de primeira necessidade. Todos usavam máscara FFP2, tal como o pessoal logístico e os motoristas dos autocarros.

No total, 23 países estão afetados pelo hantavírus detetado no cruzeiro, segundo confirmou a ministra da Saúde. O último avião com passageiros deverá sair de Tenerife na tarde de segunda-feira e terá como destino a Austrália.

No sábado, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, precisou que a maioria dos aviões necessários já se encontrava em Tenerife e que os restantes chegariam no dia seguinte.

Por seu lado, a ministra García precisou que a decisão sobre o navio fundear ou atracar dependia de vários fatores: a Capitania Marítima, as autoridades portuárias, o estado do mar e a situação sanitária.

A Comissão Europeia ativou igualmente o Mecanismo de Proteção Civil da UE, através do qual a Noruega enviou para Tenerife uma ambulância aérea do rescEU, mantendo-se em reserva capacidade adicional de transporte de outros Estados-membros.

OMS pede calma aos habitantes de Tenerife

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deslocou-se a Tenerife para supervisionar a operação e dirigiu uma mensagem direta à população da ilha.

"Percebemos a preocupação, porque todos temos a experiência da Covid e esse trauma continua presente nas nossas mentes, mas a situação agora é muito melhor", afirmou.

Recordou ainda que o Regulamento Sanitário Internacional obriga os países a cooperar e agradeceu ter encontrado em Espanha "uma forte convicção de solidariedade".

Na sexta-feira, a OMS tinha confirmado seis casos dos oito inicialmente suspeitos, sem que restassem casos suspeitos por esclarecer a bordo. O MV Hondius, com bandeira holandesa, zarpou de Ushuaia a 1 de abril para um cruzeiro pelo Atlântico Sul.

O surto, que já causou três mortes e afeta passageiros de 23 nacionalidades, foi antecedido por semanas de negociações e recusas: Cabo Verde não autorizou o desembarque e Espanha demorou vários dias a aceitar o pedido da OMS antes de pôr em marcha a operação que começou a ser executada este domingo.

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