Operações internacionais de evacuação prosseguem em contrarrelógio
Para os líderes políticos europeus, o atentando no aeroporto de Cabul serviu para perceber que qualquer ato adicional de terrorismo deve ser prevenido. Mas à medida que as tropas do velho continente deixam o Afeganistão, essa missão torna-se cada vez mais difícil.
O porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros, Peter Stano, disse, em entrevista à Euronews, que a prioridade passa por garantir que o aeroporto é seguro: "Todos os esforços, em conjunto com os Estados-membros e com outros parceiros, estão orientados para conseguir tirar do país todas as pessoas que precisam de sair. A segunda prioridade é assegurar que o aeroporto de Cabul continua operacional, porque haverá vida depois de 31 de agosto e o aeroporto de Cabul é um ponto de entrada importante para entregas relacionadas com ajuda humanitária, por exemplo, no Afeganistão."
Mais de 400 funcionários europeus e colaboradores já deixaram o Afeganistão. Polónia, Hungria, Países Baixos, Dinamarca, Alemanha e Bélgica já encerraram operações de evacuação.
Desconhece-se o número total de pessoas por sair em plena contagem decrescente para 31 de agosto, altura em que os talibãs tomarão conta do aeroporto.
O que aconteceu no Afeganistão, sublinhou o antigo embaixador de França nos EUA Gérard Araud, deve servir de alerta para as potências europeias: "Quando os americanos tomam uma decisão importante, não consultam os aliados. Por isso não devemos amurar ou lamentar. Isso faz parte do acordo. O segundo elemento, do lado da União Europeia, é que não é uma potência geopolítica. Por isso, é capaz de fornecer ajuda, de trabalhar em questões transnacionais, mas não é uma potência militar."
Na próxima semana os ministros europeus do Interior, Defesa e Negócios Estrangeiros realizam uma série de encontros. O Afeganistão deverá dominar a agenda.