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Escândalo com "spyware" Pegasus na mira da União Europeia

Escândalo com "spyware" Pegasus na mira da União Europeia
Direitos de autor Sebastian Scheiner/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Sebastian Scheiner/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
De  Pedro Sacadura
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Eurodeputados querem combater espionagem indiscriminada. Assunto será debatido durante sessão plenária do Parlamento Europeu da próxima semana

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O "spyware" Pegasus, desenvolvido pela empresa israelita NSO Group, destinava-se a ser usado para vigiar criminosos e terroristas, pelo menos em teoria.

Na prática, figuras como o presidente francês, Emmanuel Macron, jornalistas e ativistas acabaram, alegadamente, no radar da vigilância cibernética.

O escândalo veio à tona em julho e fez soar os alarmes entre políticos e instituições europeias. De tal forma que a comissão especial sobre ingerência estrangeira do Parlamento Europeu começou hoje a discutir como evitar abusos.

Em entrevista à Euronews, a eurodeputada francesa Gwendoline Delbos-Corfield (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia), que integra a comissão parlamentar, sublinhou que a Europa não é lugar para espionagem indiscriminada.

"Precisamos averiguar muito especificamente o caso Pegasus, divulgar tudo a respeito e chamar os governos à responsabilidade. Aqueles que usaram [o spyware], como é o caso do governo húngaro, que parece ser o único Estado-Membro que realmente o fez, mas também todos os outros Estados-Membros que não reagiram e que não disseram claramente que se opõem", acrescentou Delbos-Corfield.

Em julho, uma investigação coordenada pelo consórcio de jornalistas Forbidden Stories, com o apoio da Amnistia Internacional, revelou uma longa lista, com mais de 50 mil números de telefone, de alvos possíveis de clientes governamentais da empresa israelita que recorrem ao acesso aos telemóveis privados.

O especialista em inteligência e segurança Claude Moniquet disse à Euronews que as investigações devem começar pelas causas da fuga de informação.

"Penso que a lista foi entregue a jornalistas e à Amnistia Internacional. Foi um país que a deu. Isso é algo que deveria interessar aos líderes europeus: quem esteve na origem das fugas de informação, mais do que os próprios fatos em si", ressalvou o diretor-executivo do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Segurança.

Na terça-feira, o Governo alemão admitiu que a polícia também recorreu ao "spyware" Pegasus. A chanceler Angela Merkel disse que o executivo "atua de acordo com os parâmetros da lei."

O assunto será debatido no plenário do Parlamento Europeu da próxima semana.

A Comissão Europeia também está a investigar o caso.

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