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Aumento dos preços da eletricidade asfixia indústria europeia

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De  Pedro Sacadura
Publicado a Últimas notícias
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Grupo Nyrstar, um dos maiores produtores mundiais de zinco, viu-se obrigado a cortar na produção em três fundições europeias

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Sem poupar famílias nem gigantes da indústria, a primeira crise energética da era verde já se sente na fronteira entre a Bélgica e os Países Baixos.

Por causa do aumento desenfreado dos preços da eletricidade, a Nyrstar, um dos maiores produtores mundiais de zinco, teve de fazer cortes adicionais de até 50% na produção em três fundições do grupo, incluindo a unidade holandesa de Budel-Dorplein.

“Produzir zinco consome muita eletricidade. Os preços da eletricidade subiram, o que significa que a margem sobre o zinco que produzimos tornou-se cada vez menor. Em certos momentos é mais caro fazer o zinco do que não fazer. Nessas horas, optamos por não fazer", sublinhou o diretor-geral da Nyrstar em Budel-Dorplein, Henk Leendertse.

Nesta unidade completamente eletrificada, a eletricidade representa agora até 80% dos custos de produção de zinco, contra 50% no ano passado.

A empresa diz que compra eletricidade maioritariamente gerada a partir de fontes de energia renovável.

Na prática, opera com baixas emissões de CO2, perto do zero.

Por outro lado, sofre com o impacto dos custos do carbono na Europa, apelando ao governo holandês para compensar a indústria eletrointensiva pelos custos indiretos (através do mecanismo de compensação dos custos indiretos de Comércio Europeu de Licenças de Emissão de C02 - CELE), antes que seja tarde demais.

“A emissão de carbono dos fornecedores de eletricidade é passada da indústria para nós. Então, pagamos pelo componente de CO2 na eletricidade, ao mesmo tempo que 100% da nossa eletricidade comprada é verde. (...) A indústria é compensada por isso através de regulamentação europeia que é assumida pelos governos nacionais. (...) [A regulamentação] foi estendida, para o período 2021-2030 pelos europeus, mas nem todos os países na Europa estão aplicá-la, e os Países Baixos são um desses casos", acrescentou Henk Leendertse.

Significa que a indústria se encontra em situação de desvantagem em relação a outros Estados-membros, o que pode agravar desequilíbrios.

“Se quisermos ter condições de concorrência equitativas na Europa, esta compensação deve ser dada a todas as indústrias em causa e a todos os países europeus. (...) As empresas europeias já estão a fazer muitos esforços para reduzir a sua pegada climática. (... ) Se, além disso, tiverem uma desvantagem financeira por causa de um preço mais alto que se paga ou por causa de uma compensação que não se recebe, então, a certa altura não será possível continuar a fazer esforços para reduzir suas emissões de C02 e pagar um preço mais alto", explicou Peter Claes, presidente, na Europa, da Federação Internacional de Consumidores de Energia Industrial.

Os especialistas sublinham que as variações nos preços do gás são um dos principais fatores que justificam o aumento dos custos da energia no continente europeu. A somar a isso está o custo das licenças de emissão de carbono no mercado europeu.

Tal como outras indústrias, o grupo Nyrstar tem tentado responder aos pedidos dos clientes, evitando choques nas cadeias de abastecimento. Também tem evitado dispensar trabalhadores.

Fica por saber até quando conseguirá lidar com a pressão.

Um importante empregador local, a unidade da Nyrstar em Budel-Dorplein é também uma importante fonte de rendimento para muitas famílias igualmente asfixiadas, a nível doméstico, com o aumento da fatura da energia.

A crise energética será um dos temas fortes da cimeira europeia de dois dias que arranca esta quinta-feira, em Bruxelas.

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