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Viktor Orbán: à conquista do quarto mandato como primeiro-ministro

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De  Sandor Zsiros
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Viktor Orbán candidata-se a um novo mandato somando mais de dez anos de liderança
Viktor Orbán candidata-se a um novo mandato somando mais de dez anos de liderança   -   Direitos de autor  Johanna Geron/AP

Há 12 anos, o polémico primeiro-ministro Viktor Orbán venceu, de forma esmagadora, as eleições na Hungria.

Desde então, iniciou uma transformação profunda no país, que o colocou em rota de colisão com a União Europeia.

Em Bruxelas, provocou dores-de-cabeça por causa de alterações no sistema eleitoral, das ameaças à liberdade de imprensa e aos direitos da comunidade LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer e Intersexo).

"Quando analisamos os últimos 12 anos, o Estado de direito e a democracia deterioraram-se de forma massiva na Hungria. Agora estamos num ponto em que temos de nos perguntar a nós mesmos se o país atende realmente aos padrões democráticos", sublinhou, em entrevista à Euronews, a eurodeputada socialista alemã Katarina Barley.

Um dos pontos altos da fricção entre Budapeste e Bruxelas aconteceu em 2015, por causa de questões migratórias.

Orbán começou a construir uma vedação na Hungria e aumentou a retórica anti-refugiados.

Por outro lado, o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) fez soar os alarmes sobre uso indevido de fundos europeus.

"Toda a gente sabe que o governo húngaro, especialmente Viktor Orbán e o respetivo clã, são bastante corruptos. Provavelmente o governo mais corrupto na Europa", lembrou Katarina Barley.

Em 2018, o conservador e nacionalista Viktor Orbán conseguiu um terceiro mandato e intensificou-se o braço-de-ferro com Bruxelas.

O Parlamento Europeu ativou um regime de sanções conhecido como o Artigo 7.º do Tratado da União Europeia, e o bloco comunitário decidiu vincular os pagamentos orçamentais à luta contra a corrupção.

"Foram discussões muito difíceis e o senhor Orbán conseguiu obter algum tipo de posição favorável, mas certamente não na medida que ele esperava, ou o que ele reivindicou em casa", referiu Doru Frantescu, diretor da organização não-governamental VoteWatch Europe.

Nas eleições legislativas deste domingo, há uma coligação de seis partidos que mede forças com Orbán. Juntos, dão voz à mensagem de que a Hungria pertence ao Ocidente e à União Europeia.

Mas de acordo com os especialistas, mesmo que ganhem, a lua-de-mel com Bruxelas pode acabar rapidamente.

"Se a oposição vencer na Hungria, o governo será composto por muitos partidos. Como sabemos, um governo formado por muitos partidos, que unem forças apenas para se livrar do inimigo maior, não é um governo estável no longo prazo", acrescentou Doru Frantescu.

Se Viktor Orbán continuar no poder, esse poder pode ser mais fraco, o que o forçaria a ser mais apaziguador com os parceiros europeus e agitar menos as águas.

Em Bruxelas, a Euronews procurou ouvir as opiniões dos eurodeputados húngaros pró-governo, mas sem sucesso.